Greve dos taxistas em Angola em 2025
| Greve dos taxistas em Angola | |||
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| Período | 28/07/2025 - 02/08/2025 | ||
| Local | Luanda[1] Ícolo e Bengo[1] Huambo[2] Huíla[2] Benguela[2] Malanje[2] Lunda Norte[2] Bengo[2] | ||
| Causas | Reajuste de cerca de 33 % do preço do combustível, Com consequência o aumento de 50% das tarifas de táxi | ||
| Objetivos | Redução ou anulação do reajuste | ||
| Métodos | Greve, protestos, pilhagem de lojas, vandalismo de veículos e infraestrutura | ||
| Resultado | Greve suspensa, protestos e pilhagens sob controle | ||
| Partes | |||
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| Líderes | |||
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| Unidades envolvidas | |||
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| Baixas | |||
| Morte(s) | 22 , 1 policial e 21 civis | ||
| Feridos | 197 | ||
| Preso(s) | 1.200 a 1.214 | ||
| Danos | 25 veículos particulares destruídos 20 ônibus destruídos 66 lojas vandalizadas e saqueadas 3 agências bancárias atacadas | ||
A greve dos taxistas em Angola em 2025 foi um movimento grevista convocado pelo sindicato Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) que degenerou em protestos nacionais, com pilhagens e vandalismo, principalmente em Luanda, a capital de Angola,[5] em oposição ao aumento do preço dos combustíveis de 300 a 400 kwanzas, reajuste de cerca de 33 % — que resultou numa elevação de até 50 % nas tarifas dos táxis urbanos, atingindo em cheio os rendimentos da classe trabalhadora.[6][7]
Iniciado no dia 28 de julho de 2025, evoluiu rapidamente para uma crise nacional com fortes repercussões sociais e políticas.[7] Desde o início dos protestos, segundo fontes do próprio Governo Angolano, pelo menos 22 pessoas morreram (incluindo um policial nacional), houve cerca de 197 feridos, 1 200 a 1 214 pessoas detidas durante os protestos, foram vandalizadas cerca de 66 lojas, 25 veículos particulares, além de 20 ônibus públicos e três agências bancárias.[8][9] Os distúrbios foram controlados em 31 de julho de 2025, com a greve sendo suspensa a partir de 1 de agosto de 2025 e a situação geral voltando gradualmente à normalidade.[10] As autoridades mantêm uma forte presença nas ruas para impedir novos surtos de violência e garantir a ordem pública.[11]
Antecedentes
Em junho de 2023 uma onda de protestos havia tomado o país depois que o Governo Angolano reduziu os subsídios aos combustíveis.[12][13] No ano seguinte, entre os meses de março e junho, greves gerais convocadas pelas três maiores confederações sindicais do país ocorreram por causa da aplicação de políticas neoliberais pelo governo do Presidente de Angola João Lourenço[12] que atingiram em cheio a classe trabalhadora,[14] numa conjuntura de austeridade justificada desde 2023 como "ajustes estruturais na economia angolana" sob recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI).[15][16]
Causas
A causa imediata da greve dos taxistas foi o aumento do preço dos combustíveis, reajuste de cerca de 33 % anunciado em 3 de julho de 2025,[6] subindo de 300 a 400 kwanzas.[6] Numa tentativa de compensar o reajuste dos combustíveis, o governo autorizou o aumento da tarifa de táxi, que passou de 200 para 300 kwanzas, o que foi aceite pelos sindicatos e cooperativas de taxistas e cuja revogação não fez parte das exigências dos grevistas.[17]
Desde 11 de julho de 2025 protestos já ocorriam "contra a subida do preço dos combustíveis e dos táxis" em Luanda.[18] Outros protestos ocorreram em 14 e 15 julho, na mesma cidade, com o mesmo propósito.[18] No dia 19 de julho ocorreu um protesto em Malanje, também contra a subida do preço dos combustíveis.[18] Em todos os casos, foram organizados via redes sociais, mas contaram com pouca adesão e sem coordenação clara.[18]
Greve
A greve dos taxistas iniciou-se, sem incidentes, no dia 28 de julho de 2025, com a paralisação dos motoristas; no mesmo dia, porém, grupos de pessoas não identificadas atacaram[19] transportes públicos e carros particulares, inicialmente no bairro Golfe 2, evoluindo para atos vandalismo, saques e confrontos diretos com forças de segurança. Os distúrbios rapidamente se espalharam pela cidade de Luanda, para algumas províncias do país (como Benguela, Huambo e Malanje),[20] antes de serem contido pelas forcas de segurança no terceiro dia.[15]
Segundo dados oficiais, divulgados em 30 de julho de 2025, pelo menos 22 pessoas morreram, sendo 1 200 pessoas foram presas, e duas centenas ficaram feridas.[1] O Governo Nacional relatou a destruição de uma centena de lojas,[21] veículos e armazéns.[15]
Respostas oficiais
Em pronunciamento oficial ao país na Televisão Pública de Angola no dia 1 de agosto de 2025, o Presidente João Lourenço condenou os atos de violência e vandalismo, prometeu ajuda aos empresários que tiveram seus negócios saqueados ou vandalizados, e lamentou a morte de pessoas.[5]
Ver também
Referências
- ↑ a b c Francisco Paulo (1 de agosto de 2025). «Angola: mortes e detenções nas ruas após revolta popular colocam em questão acção da polícia». RFI
- ↑ a b c d e f g Francisco Paulo (2 de agosto de 2025). «SIC detém vice-líder dos taxistas angolanos por suspeitas de terrorismo e rebelião». RFI
- ↑ Redação (1 de agosto de 2025). «Taxistas suspendem greve». Correio da Kianda - Notícias de Angola
- ↑ Gimbi, Marcelino (22 de julho de 2025). «Taxistas Angolanos Anunciam Paralisação de Três Dias em Protesto Contra Aumento do Combustível». Jornal Diário Independente. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b «PR lamenta perda de vidas durante tumultos em Angola». ANGOP. 1 de agosto de 2025
- ↑ a b c Mbinza, Pedro (3 de julho de 2025). «Gasóleo passa a custar mais caro em Angola a partir desta Sexta-feira». Forbes África Lusofona. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b «Greve convocada pelos taxistas deixa Luanda em "estado de sítio"». UYELE – Associação Cívica. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ «Angola says death toll from fuel hike protests rises to 22» (em inglês). Reuters. 30 de julho de 2025. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ «Polícia angolana justifica disparos que mataram mãe nos tumultos em Luanda: "Integridade física dos agentes deve ser salvaguardada"». Expresso. 31 de julho de 2025. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ «João Lourenço diz que tumultos foram causados por "irresponsáveis manipulados por organizações antipatriotas"». Público. 1 de agosto de 2025
- ↑ «Mais de 100 detidos por atos de vandalismo em Luanda». Deutsche Welle. 29 de julho de 2025. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b Borralho Ndomba (20 de fevereiro de 2024). «Angola 'slavery' fuels first-ever general strike». Mail & Guardian
- ↑ «Governo avalia processo de retirada da subvenção aos combustíveis». Portal Oficial do Governo de Angola. 2023
- ↑ «"O Governo está com a 'corda no pescoço' porque contraiu dívidas a mais"». Expansão. 28 de agosto de 2024
- ↑ a b c «Angola protests: More than 1,000 people arrested over deadly fuel-price-rise demonstrations» (em inglês). BBC News. 29 de julho de 2025. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ «Protestos em Luanda: 22 mortos e mais de 1.200 detenções». Deutsche Welle. 30 de julho de 2025. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ «Preço dos transportes aumenta: bilhete de autocarro sobe para os 200 kz e tarifa do táxi passa a ser de 300 kz». Novo Jornal. 6 de julho de 2025
- ↑ a b c d Manuel Luamba (11 de julho de 2025). «Onda de protestos contra subida dos combustíveis em Angola?». Deutsche Welle
- ↑ Agência Lusa (28 de julho de 2025). «Tumultos em Luanda durante greve dos taxistas: há relato de mortos, saques, vandalismo e milhares de pessoas nas ruas». CNN Portugal
- ↑ «Balanço oficial: tumultos em Angola causaram 22 mortos e 197 feridos em dois dias». Euronews. 30 de julho de 2025. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ Lusa (31 de julho de 2025). «Relatório aponta para 91 lojas vandalizadas em Luanda e Malanje em três dias de tumultos». RTP Africa