Ícolo e Bengo (província)

Ícolo e Bengo é uma província de Angola. Foi criada em 5 de setembro de 2024 a partir da província de Luanda. Sua capital é Catete.[1]

Etimologia

O termo Ícolo e Bengo provém do termo da língua quimbundo mu ikolo ya nbengo, que significa "vale largo e extenso", numa referência à grande planície fértil entre os rios Bengo (ao norte) e Cuanza (ao sul) em que está localizado o território provincial.[2][3]

História

Em 14 de agosto de 2024, a Assembleia Nacional de Angola aprovou uma lei para a criação de três novas províncias, incluindo a separação das porções menos urbanizadas da província de Luanda da cidade de Luanda para formar a nova província de Ícolo e Bengo. Esta lei entrou em vigor com a sua publicação no Diário Oficial de Angola em 5 de setembro de 2024.[4]

A província de Ícolo e Bengo herdou o nome de "Ícolo e Bengo", o município mais populoso que existia antes da fundação da nova entidade territorial-administrativa.

Geografia

As planícies alagadiças do Cacefo, localizadas na macrozona geográfica do rio Cuanza, em 2008.

Ícolo e Bengo faz fronteira com as províncias angolanas de Luanda a noroeste, Bengo a norte, Cuanza Norte a leste e Cuanza Sul a sul. Também faz fronteira com o oceano Atlântico a oeste. A fronteira entre Ícolo e Bengo e Luanda segue o rio Cuanza, o Canal do Quicuxi e as rodovias Via Expressa Fidel Castro e EN-100.[5]

Localizado numa grande planície fértil entre os rios Bengo (ao norte), Cuanza (ao centro) e Longa (ao sul),[3] a província de Ícolo e Bengo é particularmente abundante em fontes d'água, sendo banhado por muitos rios, lagos e lagoas, chegando a ser chamada de "mesopotâmia de Angola".[3] Dentre seus lagos e lagoas destacam-se: Andolo, Anzamba, Cambala, Camuele, Cauigia, Cabemba, Chambanze, Hengue, Quilunda, Quilôa, Quiminha, Quissungo e Tôa.[2][3] A província está localizada na eco-região de savana e bosques da Escarpa Angolana e contém o Parque Nacional da Quissama.[6]

Clima

Ícolo e Bengo apresenta um clima tropical com chuvas de verão. A interação entre a fria corrente de Benguela e as águas equatoriais quentes produz neblina, fazendo com que a umidade na área permaneça alta durante todo o ano, enquanto a precipitação anual é baixa, variando de 350 a 650 mm.[6][7]

Administração

Ícolo e Bengo está dividido nos sete municípios de Bom Jesus do Cuanza, Cabiri, Caboledo, Calumbo, Catete, Quissama e Sequele. O Catete subdivide-se ainda nas comunas de Caculo Cahango, Cassoneca, Catete, e Caxicane; Quissama está subdividida nas comunas de Demba Chio, Mumbondo, Muxima, e Quixinge; e Sequele está subdividida nas comunas de Funda, Quifangondo e Sequele. Todos os demais municípios possuem somente a comuna-sede.[4]

O primeiro governador de Ícolo e Bengo é Auzílio de Oliveira Jacob, nomeado em dezembro de 2024.[8]

Economia e infraestrutura

Ao contrário da economia de Luanda, que é mais orientada para o sector dos serviços, prevê-se que a economia de Ícolo e Bengo se concentre mais na agricultura e na indústria.[9]

O Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto está localizado em Ícolo e Bengo. A rodovia EN-230 e o Caminho de Ferro de Luanda também atravessam de leste a oeste a parte norte da província.[10]

Na altura da sua criação, o Ícolo e Bengo contava com três hospitais: um na capital Catete, e dois outros tinham sido recentemente construídos no Zango e no Sequele.[10]

Referências

  1. Victor Manuel (25 de dezembro de 2024). «Angola: Novo ano novo mapa». ANGOP. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  2. a b «Os Valores do Nacionalismo e Patriotismo para uma Angola Moderna». Ordem dos Engenheiros de Angola. 26 de agosto de 2019 
  3. a b c d «Ícolo e Bengo lança novos projectos para alavancar sector social». Jornal de Angola. 26 de janeiro de 2023 
  4. a b «Lei n.° 14/24 de 5 de Setembro» (PDF). Imprensa Nacional de Angola. Diário da República (171): 9800–10505. 5 de setembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  5. «Províncias de Luanda e Icolo e Bengo divididas pela EN-100 e Via Expressa». ANGOP. 16 de agosto de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  6. a b Emma Martin; Neil Burgess (23 de setembro de 2020). «Angolan Scarp Savanna and Woodlands». One Earth. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  7. Brian John Huntley (8 de março de 2023). «The Arid Savanna Biome». Ecology of Angola. [S.l.]: Springer. ISBN 978-3-031-18923-4 
  8. «Primeiro Governador do Ícolo e Bengo inicia funções». ANGOP. 27 de dezembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  9. Neusa Felipe (16 de agosto de 2024). «DPA: "Passaremos a ter Luanda como província mais voltada para os serviços e Icolo e Bengo mais para a indústria e a agricultura"». Jornal O País. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  10. a b «Icolo e Bengo reúne condições para elevação à província». ANGOP. 9 de novembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024