Golpe de Estado em Xarja em 1965

Golpe de Estado em Xarja em 1965

Data24 de junho de 1965
LocalEmirado de Xarja
DesfechoGolpe de Estado bem-sucedido
  • Xeique Saqr Al Qasimi deposto
  • Xeique Khalid Al Qasimi instalado
Saqr tenta retomar o trono em 1972
Beligerantes
Xarja Emirado de Xarja Xarja conselho Al Qasimi
Reino Unido Reino Unido
Comandantes
Xarja Saqr Al Qasimi Xarja Khalid Al Qasimi
Reino Unido Terence Clark
Reino Unido Glencairn Balfour Paul
Unidades
Xarja partidários de Saqr Estados Truciais Trucial Oman Scouts

O golpe de Estado no Emirado de Xarja ocorreu em 1965 quando, em coordenação com autoridades britânicas, Khalid Al Qasimi, primo do xeique de Xarja, Saqr Al Qasimi, orquestrou um golpe palaciano sem derramamento de sangue, usurpando o trono para garantir os interesses britânicos no Golfo Pérsico.

Contexto

Saqr, que era xeique desde 1951, desenvolveu uma reputação como o mais progressista politicamente, socialmente e educacionalmente dos xeiques governantes nos Estados da Trégua.[1] As autoridades britânicas começaram a se preocupar com continuidade da sua lealdade ao Império devido às suas opiniões positivas sobre o líder egípcio Gamal Abdel Nasser e suas simpatias pela causa pan-árabe.[1] Com a eclosão da Guerra de Dófar no vizinho Omã em 1963, os britânicos ficaram temerosos que, se Omã caísse nas mãos da Frente Popular para a Libertação do Golfo Arábico Ocupado, o grupo marxista-leninista cumpriria suas promessas e tentaria fomentar levantes comunistas nos países do Golfo.[2] Os britânicos estavam tão receosos de que o Golfo Pérsico caísse em uma revolução comunista que buscaram depor líderes árabes que se recusavam a seguir seus conselhos sobre boa governança e expansão militar.[3] No caso da acolhida entusiástica de Saqr a uma missão da Liga Árabe aos Estados da Trégua, as autoridades britânicas estavam preocupadas com o fato de a missão poder dar a Nasser uma oportunidade para minar a presença britânica nos Estados da Trégua.[4]

Golpe

Com o forte apoio e respaldo da família Al Qasimi para sua remoção,[5] Saqr foi convidado para uma reunião em Dubai, que na verdade era uma armadilha organizada por Terence Clark, com os Trucial Oman Scouts emboscando e desarmando os guarda-costas do xeique.[1][6] Saqr foi escoltado até o aeroporto sob guarda armada composta pelos Scouts e dois oficiais britânicos, e foi enviado para o exílio no Egito.[2] O conselho da família Al Qasimi então nomeou Khalid como o novo governante.[2]

Legado

Um dos três golpes britânicos em rápida sucessão no Golfo Pérsico, os britânicos também derrubaram o Xeique de Abu Dhabi em 1966 e o ​​Sultão de Omã em 1970, a fim de manter seus interesses contínuos na região.[3] Saqr tentaria recuperar seu trono após a formação dos Emirados Árabes Unidos em dezembro de 1971, tentando sem sucesso um golpe em 1972.[1]

Referências

  1. a b c d Ghafoor, Ahisha; Mitchell, Paul. «Secret deals ending Britain's control in Gulf revealed». BBC 
  2. a b c Ardemagni, Eleonora (27 de outubro de 2020). «Arab Gulf States: Expanding Roles for the Military». Oxford Research Encyclopedia of Politics (em inglês). ISBN 978-0-19-022863-7. doi:10.1093/acrefore/9780190228637.013.1792 
  3. a b Bradshaw, Tancred; Curtis, Michael (4 de março de 2023). «Persian Gulf coups misrepresented». Middle Eastern Studies. 59 (2): 237–255. doi:10.1080/00263206.2022.2080196 
  4. Razzaq Takriti, Abdel (1 de Junho de 2019). «Colonial Coups and the War on Popular Sovereignty». The American Historical Review. 124 (3): 878–909. doi:10.1093/ahr/rhz459 
  5. Balfour-Paul, Glen (2006). Bagpipes in Babylon: a lifetime in the Arab world and beyond. London: Tauris. 198 páginas. ISBN 978-1-84511-151-9 
  6. Ulrichsen, Kristian (Dezembro de 2016). The United Arab Emirates: Power, Politics and Policy-Making. [S.l.]: Taylor & Francis. p. 47. ISBN 978-1317603108