Tentativa de golpe de Estado em Xarja em 1972
| Tentativa de golpe de Estado em Xarja em 1972 | |||
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| Data | 24 de janeiro - 25 de janeiro de 1972 | ||
| Local | Emirado de Xarja | ||
| Desfecho | Golpe de Esdao fracassa
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| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| Unidades | |||
A tentativa de golpe de Estado no Emirado de Xarja em 1972 ocorreu pouco depois da formação dos Emirados Árabes Unidos quando o antigo xeique de Xarja, Saqr Al Qasimi, tentou retomar o controle do emirado de seu primo Khalid bin Muhammad Al Qasimi. Embora Saqr tenha conseguido tomar o palácio do emirado e matar Khalid, uma intervenção das Forças de Defesa da União dos Emirados Árabes Unidos sitiou Saqr e acabou forçando sua rendição.
Contexto
Saqr bin Sultan Al Qasimi foi o governante de Sharjah de 1951 a 1965, tendo sucedido seu pai, Sultan bin Saqr Al Qasimi II. Ele foi deposto pouco depois de abrir um escritório da Liga Árabe em Xarja e receber uma de suas delegações.[1][2][3] Os britânicos consideravam Saqr e seu apoio ao nacionalismo árabe como uma ameaça aos seus interesses nos Estados da Trégua, o que levou as autoridades britânicas, apoiadas pela família Al Qasimi e lideradas por Sir Terence Clark, a coordenar um golpe em 1965 para coroar o primo de Saqr, Khalid bin Muhammad Al Qasimi.[3][4] Saqr exilou-se no Bahrein e, posteriormente, no Cairo.[5] Xarja seria o último Emirado a ter presença britânica após a independência, sendo a base da Força Aérea Real em Xarja a última presença física do governo colonial britânico.[6]
Na época do golpe, Khalid havia se tornado cada vez mais impopular, especialmente entre os nacionalistas árabes de Xarja, devido à sua gestão, ou ausência da mesma, durante a tomada de Abu Musa e da Grande e Pequena Tunb pelo Irã.[7][8] As ilhas Grande e Pequena Tunb eram governadas pelos Qasemis desde antes de sua migração da costa persa para os atuais Emirados Árabes Unidos na década de 1720.[7] A motivação de Saqr para agir e tentar tomar o poder foi atribuída, pelo menos em parte, à insatisfação com o acordo do Xeique Khalid com um Memorando de Entendimento, assinado em 30 de novembro de 1971, que permitia ao Irã estacionar tropas na ilha de Abu Musa.[8]
Golpe
Em 2 de dezembro de 1971, os Estados da Trégua declararam independência e se tornaram os Emirados Árabes Unidos. Pouco depois, em janeiro de 1971, Saqr entrou clandestinamente em Xarja com um grupo de mercenários egípcios, buscando restaurar seu trono..[8][6] Saqr seria apoiado por nacionalistas árabes locais, como o Sultão Al Owais; no entanto, devido à retirada britânica alguns meses antes, ele não conseguiu mobilizar a população para sua causa anticolonial.[8]
Por volta das 14h30, Saqr e suas forças tomaram o controle do palácio do xeique, com relatos de tiros e explosões de granadas.[9] Durante os combates, Khalid foi morto, seja capturado e executado, seja como combatente ao lado de um de seus guarda-costas.[6] Contudo, uma hora após a tomada do palácio, Saqr foi cercado pela Força de Defesa da União, baseada na antiga base britânica de Xarja, que foi rapidamente reforçada por tropas a partir de Dubai.[8][6] Na madrugada de 25 de janeiro, Saqr se rendeu, juntamente com suas tropas, ao Ministro da Defesa dos Emirados Árabes Unidos e comandante da Força de Defesa da União, Mohammed bin Rashid Al Maktoum.[9]
Consequências
Saqr seria julgado e preso até 1979, depois disso, retornou ao exílio no Egito, onde passou o resto da vida.[8] O irmão mais novo de Khalid, Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, seria nomeado o novo xeique de Xarja, passando por cima do mais velho Abdelaziz, o que levaria Abdelaziz a tentar realizar seu próprio golpe em 1987, que também fracassou devido à intervenção emiradense.[10]
Mohammed bin Rashid Al Maktoum escreveu em sua autobiografia que, durante o golpe, a principal preocupação entre a liderança emiradense era que isso se transformasse em um conflito regional que "envolveria facções, apoiadores e partidários estrangeiros", principalmente devido ao apoio de Saqr aos ideais de Gamal Abdel Nasser.[6]
Nota
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «1972 Sharjawi coup d'état attempt».
Referências
- ↑ Graca, John V. Da (25 de Novembro de 1985). Heads of State and Government (em inglês). [S.l.]: Springer. ISBN 9781349079995
- ↑ Joyce, Miriam (2 de agosto de 2004). Ruling Shaikhs and Her Majesty's Government, 1960–1969: 1960–1969 (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781135772536
- ↑ a b Peck, Malcolm C. Historical Dictionary of the Gulf Arab States. [S.l.]: Scarecrow Press. p. 260
- ↑ Davidson, Christopher M. (2005). The United Arab Emirates: A Study in Survival. [S.l.]: Lynne Rienner Publishers. ISBN 158826274X
- ↑ De Butts, Freddie (1995). Now the Dust has Settled. [S.l.]: Tabb House. ISBN 1873951132
- ↑ a b c d e Langton, James. «How Sheikh Mohammed set up a military force and confronted the first crisis of the Union». The National
- ↑ a b Ghafoor, Ahisha; Mitchell, Paul (30 de agosto de 2022). «Secret deals ending Britain's control in Gulf revealed». BBC
- ↑ a b c d e f Razzaq Takriti, Abdel (Junho de 2019). «Colonial Coups and the War on Popular Sovereignty». The American Historical Review. 124 (3): xii–xiv
- ↑ a b Al Qasimi, Sultan bin Muhammad (2011). My Early Life. [S.l.]: Bloomsbury. pp. 285–287. ISBN 9781408814208
- ↑ Huxley, Christian (20 de setembro de 1987). «A Central American Situation in the Gulf». Middle East Research and Information Project
