Helichrysum arenarium

Helichrysum arenarium
Helichrysum arenarium.
Helichrysum arenarium.
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Subfamília: Asteroideae
Tribo: Gnaphalieae
Género: Helichrysum
Espécie: H. arenarium
Nome binomial
Helichrysum arenarium
(L.) Moench, 1794
Sinónimos
Helichrysum arenarium numa ilustração botânica de Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz, 1885.
Pormenor da inflorescência composta
Hábito, folhagem e inflorescências.

Helichrysum arenarium é uma espécie de plantas com flor herbácea do género Helichrysum da família Asteraceae,[1] com distribuição natural nas regiões costeiras do centro-leste europeu e em algumas regiões do Usbequistão.[2]

Descrição

Morfologia

A espécie tem hábito típico de planta herbácea perene e atinge geralmente alturas de 10 a 30 cm, raramente até 50 cm, acima do solo.[2] O caule ascendente ou independentemente ereto apresenta tricomas tomentosos branco-acinzentados.[2] A planta apresenta uma fragrância aromática,[2] especialmente quando esmagada.

As folhas são planas, com margens inteiras. Os limbos foliares são lanosos e peludos em ambos os lados,[2] mas ao envelhecerem, no entanto, tornam-se tendencialmente glabras.[3] As folhas inferiores são oblongo-ovais com uma extremidade superior romba[2] e estreitam-se em forma de pedúnculo. As folhas superiores são mais estreitas, lineares, com uma ponta pontiaguda[2] ou com a extremidade superior romba e assente em meia haste.[3] As folhas inferiores têm cerca de 25 mm de comprimento e até 10 mm de largura. As folhas superiores não têm geralmente mais de 3 a 4 mm de largura.

As flores, com de 3 a 4 mm de largura e coloração amarelo-dourada brilhante, ocorrem em inflorescências terminais dispostas frouxamente, um cruzamento entre umbela e panícula, formando um denso rácemo corimboso contendo de três a vinte inflorescências parciais em forma de capítulo.[2] Estes rácemos têm 6 a 7 milímetros de diâmetro[2] e aproximadamente a mesma altura, com uma forma grosseiramente esférica.

As flores têm até 30 brácteas brilhantes, de consistência seca, semelhante a papel, e de cor dourada ou amarelo-limão. Os capítulos contêm numerosas flores individuais (flósculos) actinomórficas (com simetria radial), tubulares, de coloração amarelo-dourada a laranja. As flores marginais são femininas, as mais centrais são masculinas. Os ovários são ínferos. O período de floração é principalmente de julho a outubro.

O fruto é um aquénio de apenas 1 milímetro de comprimento, com um papus fino e rugoso de cerdas brancas.[3]

O número cromossómico básico é x = 7, mas a tetraploidia, com um número de cromossomas de 2n = 28, está frequentemente presente.[2][4]

Taxonomia

A primeira publicação ocorreu em 1753 com o binome (basiónimo) Gnaphalium arenarium atribuído por Carl von Linné na sua obra Species Plantarum, tomo II, p. 854. A nova combinação para Helichrysum arenarium (L.) Moench foi publicada em 1794 por Conrad Moench em Methodus plantas horti botanici et agri Marburgensis ..., p. 575.[5][3]

Distribuição

A espécie tem distribuição natural em campos arenosos e charnecas desde o sul da Escandinávia, passando pela Europa Central, até ao Sudeste da Europa, Europa de Leste, até à Ásia Central e Mongólia.[3] Sendo um elemento da flora temperado-continental, a espécie é mais frequente desde o leste da França à Suécia, bem como nas montanhas do Usbequistão. Também é amplamente difundida na costa da Dalmácia, na Croácia, onde os moradores a colhem e vendem regularmente durante o verão (o clima mediterrâneo local permite floração até mesmo em setembro e outubro).

A espécie prefere solos secos, soltos e, pelo menos superficialmente descalcificados por lixiviação, em geral solos arenosos. Ocorre em biótopos com solos arenosos, bem drenados e pobres em nutrientes, entre os quais, em prados arenosos, prados dominados por Festuca ovina, em pinhais e em prados secos, charnecas e dunas. Na Europa Central é usada em fitossociologia como espécie caraterística das associações da classe Sedo-Scleranthetea, mas também ocorre em comunidades vegetais da classe Festuco-Brometea ou Agropyretea.[4]

A espécie Helichrysum stoechas é similar a Helichrysum arenarium, mas as folhas são todas lineares, com bordos inferiores arredondados. É encontrada no oeste da França e na Península Ibérica, em dunas próximas ao mar.

Ecologia

A espécie Helichrysum arenarium é uma planta hemicriptófita de ciclo estival e uma planta em semi-roseta. Na região do Alto Reno, enraíza-se a uma profundidade de 25 a 40 cm, raramente até 70 cm. As partes da planta acima do solo têm tricomas brancos e lanosos (indumento) como proteção contra a radiação solar e a desidratação.[4][3]

As inflorescências são "flores capitulares". As brácteas são de cor amarela devido às abundantes flavonas que se encontram excecionalmente incorporadas na parede celular. Quando estão completamente desenvolvidas, as brácteas morrem, perdem o indumento e depois brilham, servindo de órgão de exposição e protegendo os frutos em maturação através de movimentos higroscópicos.

Vários insectos atuam como polinizadores. O período de floração estende-se de julho a outubro.

A dispersão de sementes ocorre principalmente por anemocoria (transporte pelo vento) já que os pequenos aquénios funcionam como pequenos paraquedas graças ao papus fino e rugoso de cerdas brancas que os encima. O papus também funciona como um velcro, permitindo a adesão a penas e pelagem de animais, propiciando assim a dispersão por zoocoria.

Etnobotânica

A espécie, entre vários nomes comuns, é conhecida como "flor-da-areia". Foi conhecida na Idade Média, tal como outras espécies do género Helichrysum e géneros próximos, pelos nomes latinos de sticados citrinum[6][7] ou de Stoechas citrina.[8] A espécie é rica em óleos essenciais e flavonoides.[9][10]

O Comité dos Medicamentos à Base de Plantas (HMPC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) atribui a Helichrysum arenarium, na sua monografia sobre plantas medicinais, uma utilização tradicional para problemas digestivos com inchaço e flatulência.[11]

Referências

  1. Rose, Francis (1981). The Wild Flower Key. [S.l.]: Frederick Warne & Co. pp. 377–380. ISBN 0-7232-2419-6 
  2. a b c d e f g h i j Helichrysum arenarium (L.) Moench, Sand-Strohblume. em FloraWeb.de
  3. a b c d e f Gerhard Wagenitz: Helichrysum arenarium. In: Gerhard Wagenitz (editor): Illustrierte Flora von Mitteleuropa. Pteridophyta, Spermatophyta. Begründet von Gustav Hegi. 2.ª edição revista, vol. VI. Teil 3: Angiospermae, Dicotyledones 4 (Compositae 1, Allgemeiner Teil, Eupatorium – Achillea). Paul Parey, Berlin / Hamburg 1979, ISBN 3-489-84020-8, pp. 156–158 (publicado 1964–1979).
  4. a b c Erich Oberdorfer: Pflanzensoziologische Exkursionsflora für Deutschland und angrenzende Gebiete. Unter Mitarbeit von Angelika Schwabe und Theo Müller (8.ª edição, profundamente revista e completada). Eugen Ulmer, Stuttgart (Hohenheim) 2001, ISBN 3-8001-3131-5, p. 920.
  5. «Helichrysum arenarium». Tropicos. Missouri Botanical Garden. 2700865. Consultado em 1 de maio de 2021 
  6. Volker Zimmermann: Die Heidelberger Arzneibücher Ysack Leujs. Beiträge jüdischer Ärzte zur Heilkunde des Mittelalters. Franz Steiner, Stuttgart 2018, ISBN 978-3-515-12174-3, S. 62.
  7. Cf. também Otto Beßler: Prinzipien der Drogenkunde im Mittelalter. Aussage und Inhalt des Circa instans und Mainzer Gart. Mathematisch-naturwissenschaftliche Habilitationsschrift, Halle an der Saale 1959, p. 229 („Sticados citrinum – rynblumen oder motten krut“ […]).
  8. Otto Zekert (editor): Dispensatorium pro pharmacopoeis Viennensibus in Austria 1570. Hrsg. vom österreichischen Apothekerverein und der Gesellschaft für Geschichte der Pharmazie. Deutscher Apotheker-Verlag Hans Hösel, Berlin 1938, p. 156.
  9. E. Lemberkovics, E. Czinner, A. Balázs, E. Bihátsi-Karsai, G. Vitányi, L. Lelik, J. Bernáth, E. Szóke: New data on composition of esssential oil from inflorescence of everlasting (Helichrysum arenarium(L.) Moench.). In: Acta pharmaceutica Hungarica. Band 71, Nummer 2, August 2001, S. 187–191. PMID 11862667.
  10. E. Czinner, A. Kéry, K. Hagymási, A. Blázovics, A. Lugasi, E. Szöke, E. Lemberkovics: Biologically active compounds of Helichrysum arenarium (L.) Moench. In: European journal of drug metabolism and pharmacokinetics. Band 24, Nummer 4, 1999 Okt-Dez, S. 309–313. PMID 10892893.
  11. European Union herbal monograph on Helichrysum arenarium (L.) Moench, flos. PDF.

Bibliografia

  • Christian August Friedrich Garcke: Illustrierte Flora. Verlag Paul Parey, 1972, ISBN 3-489-68034-0.
  • Wolfgang Adler, Karl Oswald, Raimund Fischer: Exkursionsflora von Österreich. Hrsg.: Manfred A. Fischer. Ulmer, Stuttgart/Wien 1994, ISBN 3-8001-3461-6.
  • August Binz, Christian Heitz: Schul- und Exkursionsflora für die Schweiz. Schwabe & Co. AG, Basel 1986, ISBN 3-7965-0832-4.
  • Erich Oberdorfer: Pflanzensoziologische Exkursionsflora. Ulmer Verlag, Stuttgart 1990, ISBN 3-8001-3454-3.
  • Henning Haeupler, Thomas Muer: Bildatlas der Farn- und Blütenpflanzen Deutschlands (= Die Farn- und Blütenpflanzen Deutschlands. Band 2). Herausgegeben vom Bundesamt für Naturschutz. Ulmer, Stuttgart 2000, ISBN 3-8001-3364-4.
  • Peter und Ingrid Schönfelder: Der Kosmos-Heilpflanzenführer. Franckh’sche Verlagshandlung, Stuttgart 1982, ISBN 3-440-04811-X.
  • Ruprecht Düll, Herfried Kutzelnigg: Taschenlexikon der Pflanzen Deutschlands und angrenzender Länder. Die häufigsten mitteleuropäischen Arten im Portrait. 7., korrigierte und erweiterte Auflage. Quelle & Meyer, Wiebelsheim 2011, ISBN 978-3-494-01424-1.

Ligações externas