Geraldo Bezerra de Menezes

Geraldo Bezerra de Menezes
Nome completoGeraldo Montedônio Bezerra de Menezes
Nascimento
Morte
9 de fevereiro de 2002 (86 anos)

Nacionalidadebrasileira
ProgenitoresMãe: Lucinda Montedônio Bezerra de Menezes
Pai: José Geraldo Bezerra de Menezes
CônjugeOdette Bezerra de Menezes
Filho(a)(s)15
Alma materUniversidade Federal Fluminense
OcupaçãoProfessor universitário, magistrado
Principais trabalhosDoutrina Social e Direito do Trabalho (1954) e O Direito do trabalho na constituição brasileira de 1946 (1956).
CargoProfessor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (1946-1968).
ReligiãoCatolicismo

Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes GOMM (Niterói, 11 de julho de 1915Niterói, RJ, 9 de fevereiro de 2002) foi um magistrado e professor universitário brasileiro, que, em 1946, tornou-se o primeiro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ele foi o redator do Decreto-Lei que criou o Tribunal Superior do Trabalho e os Tribunais Regionais do Trabalho, organização judiciária que consolidou a magistratura trabalhista no Brasil, por este motivo ele foi apelidado na época de "Pai da Justiça do Trabalho".[1][2][3]

Biografia

Filho de José Geraldo Bezerra de Menezes, descendente do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e do Coronel João Bezerra Monteiro e integrante de uma família tradicional da elite do Ceará latifundiária que exerceu seu poder na região do Vale do Cariri, especialmente nos municípios de Crato e Juazeiro do Norte, e de Lucinda Montedônio Bezerra de Menezes, nascida em Lisboa e filha de imigrantes portugueses, que se mudaram para o Rio de Janeiro no início do século XX, Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes nasceu no bairro niteroiense do Gragoatá e ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito de Niterói.[2][3][4]

Nesta instituição universitária que hoje integra a Universidade Federal Fluminense (UFF), ele se tornou presidente do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, além de participar da criação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade, até a sua graduação em 1936.[2]

Desde o início da criação da Justiça do Trabalho no final da década de 1930, Geraldo Bezerra de Menezes este presente, tendo ocupado o cargo de Juiz-Presidente da 2ª Junta de Conciliação e Julgamento do Distrito Federal em 1938. Em seguida, foi Procurador e Presidente do antigo Conselho Nacional do Trabalho (CNT), órgão corporativo com funções judicantes nas áreas trabalhista e previdenciária subordinado ao Poder Executivo criado durante a Era Vargas, que seria o embrião do atual Tribunal Superior do Trabalho (TST).[1][2][4]

Na condição de Presidente do CNT, Geraldo Bezerra de Menezes foi o redator do Decreto-lei nº 9.797, de 9 de setembro de 1946, ato normativo presidencial que extinguiu o CNT e, em seu lugar, criou o Tribunal Superior do Trabalho (TST), bem como os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT's).[1][1][4]

Com a promulgação da Constituição Federal de 1946, que conferiu autonomia para a Justiça do Trabalho e a criação do TST, a convite do então presidente Eurico Gaspar Dutra, Geraldo Bezerra de Menezes foi nomeado para o cargo de Ministro do TST, sendo designado para ser o seu primeiro Presidente ainda naquele ano.[2][4]

Além de ministro do Tribunal Superior do Trabalho, ele exerceu o cargo de professor Catedrático de Direito do Trabalho na Faculdade de Direito de Niterói (atual UFF), além de ter sido Diretor da Faculdade de Direito de Niterói por dois mandatos.[1][2][4]

Fortemente influenciado pela doutrina social da Igreja, Geraldo Menezes foi um dos fundadores da Escola de Serviço Social da UFF as décadas de 30 e 40 do século XX. Após a sua morte, a UFF o homenageou em caráter postmortem ao denominar a Biblioteca setorial dessa unidade universitária com o seu nome.[2]

Homenagens

Em vida, Gregório Bezerra de Menezes foi agraciado com o título de comendador da Ordem de São Gregório Magno, comenda outorgada diretamente pelo Papa Paulo VI. Além disso, ele chegou a ser eleito como imortal da Academia Fluminense de Letras, além de participar de diversos institutos, academias e associações culturais, como a sua eleição em 1979 para a Academia Nacional de Direito do Trabalho.[1][2][3]

Em 1962, ele foi galardoado com a Grã-Cruz do Mérito Judiciário, além de ter recebido posteriormente a Grã-Cruz do Mérito do Trabalho, a Grã-Cruz do Mérito da Educação Moral e Cívica e o Colar do Mérito judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.[3]

Ele ainda recebeu a Ordem de Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores e ingressou na Ordem do Mérito Militar, no Grau de Grande Oficial.[3]

Obras

Jurídicas

Os principais livros jurídicos produzidos por Geraldo Menezes foram na área do Direito do Trabalho e do Direito sindical, destacando-se[2]:

  • Política Sindical Brasileira (1943);
  • Doutrina Social e Direito do Trabalho (1954);
  • O Direito do trabalho na constituição brasileira de 1946 (1956);[5]
  • A Segurança Social no Brasil (1961).

Em outras áreas

Geraldo Bezerra de Menezes foi também um ensaísta na área da Religião com escritos teológicos e sociais orientados por sua fé, com destaque para os seguintes livros[2]:

  • Homens e Idéias à Luz da Fé (1942);
  • O Comunismo: Crítica Doutrinária (1962);
  • Temas e Soluções (1963);
  • Educação Moral e Cívica (1974);
  • A Vida Substancial do Espírito (1980);
  • Intérpretes do Brasil (1997).

Referências

  1. a b c d e f «Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes». ANDT. Consultado em 14 de setembro de 2025 
  2. a b c d e f g h i j Alencar, Flávio Lemos (2011). «GERALDO BEZERRA DE MENEZES (1915-2002)» (PDF). AQUINATE:Revista Eletrônica de Estudos Tomistas (15): 190–193. ISSN 1808-5733. Consultado em 14 de setembro de 2025 
  3. a b c d e «Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes». CBG. Consultado em 14 de setembro de 2025 
  4. a b c d e Ferreira, Ivan da Costa Alemão (1997). «ANTES E DEPOIS DE GERALDO BEZERRA DE MENEZES (As fases da Justiça do Trabalho)» (PDF). Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. Consultado em 14 de setembro de 2025 
  5. «O Direito do trabalho na constituição brasileira de 1946». LEXML. Consultado em 14 de setembro de 2025