George Meany
George Meany
| |
|---|---|
![]() | |
| 1º presidente da AFL-CIO | |
| Período | 4 de dezembro de 1955 – 19 de novembro de 1979 |
| Antecessor | Cargo estabelecido |
| Sucessor | Lane Kirkland [en] |
| 5º presidente da Federação Estadunidense do Trabalho | |
| Período | 25 de novembro de 1952 – 4 de dezembro de 1955 |
| Antecessor | William Green [en] |
| Sucessor | Cargo extinto |
| 2º Secretário-Tesoureiro da Federação Estadunidense do Trabalho | |
| Período | 12 de outubro de 1939 – 25 de novembro de 1952 |
| Antecessor | Frank Morrison [en] |
| Sucessor | William F. Schnitzler [en] |
| Presidente da Federação Estadunidense do Trabalho do Estado de Nova Iorque | |
| Período | 29 de agosto de 1934 – 12 de outubro de 1939 |
| Antecessor | Emanuel Koveleski |
| Sucessor | Thomas J. Lyons |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | William George Meany |
| Nascimento | 16 de agosto de 1894 Nova Iorque, EUA |
| Morte | 10 de janeiro de 1980 (85 anos) Washington, D.C., EUA |
| Cônjuge | Eugenia McMahon Meany |
| Ocupação | Líder do movimento operário |
William George Meany (16 de agosto de 1894 – 10 de janeiro de 1980) foi um administrador sindical americano por 57 anos. Foi figura vital na criação da AFL-CIO e serviu como seu primeiro presidente, de 1955 a 1979.[1]
Meany, filho de um encanador sindicalizado, tornou-se encanador ainda jovem. Em uma década, já era funcionário sindical em tempo integral. Como oficial da Federação Estadunidense do Trabalho, representou a AFL no Conselho Nacional de Trabalho de Guerra [en] durante a Segunda Guerra Mundial. Ocupou o cargo de presidente da AFL de 1952 a 1955.[1]
Em 1952, Meany propôs a fusão da AFL com o Congresso de Organizações Industriais [en] (sigla em inglês: CIO). Geriu as negociações até a fusão completar-se em 1955, criando a maior federação de sindicatos nos Estados Unidos. Foi presidente da AFL-CIO pelos 24 anos seguintes.[1]
Meany tinha reputação de integridade e oposição consistente à corrupção no movimento operário,[1] e forte anticomunismo. Foi um dos líderes sindicais mais conhecidos nos Estados Unidos na metade do século XX.[2]
Primeiros anos
Meany nasceu numa família católica romana no Harlem,[3] Nova Iorque, em 16 de agosto de 1894, o segundo de dez filhos.[4] Seus pais eram Michael Meany e Anne Cullen Meany, ambos nascidos nos Estados Unidos e de ascendência irlandesa.[2] Seus ancestrais imigraram para os Estados Unidos na década de 1850. Seu pai era encanador e serviu como presidente da seção local de seu sindicato.[5] Michael Meany era também ativista de nível distrital no Partido Democrata.[6]
Meany cresceu no bairro de Port Morris [en], no Bronx, para onde seus pais se mudaram quando ele tinha cinco anos.[6] Sempre chamado de “George”, soube que seu verdadeiro primeiro nome era William só ao tirar carteira de trabalho na adolescência.[6] Abandonou o ensino médio aos 16 anos para tornar-se encanador como o pai,[7] começando como ajudante de encanador.[4] Fez então aprendizado de cinco anos como encanador e obteve certificado de oficial[5] em 1917, na Local 463 da Associação Unida [en].[2]
Seu pai morreu de infarto agudo do miocárdio em 1916 após contrair pneumonia. Quando o irmão mais velho de Meany ingressou no Exército dos Estados Unidos em 1917, George tornou-se a única fonte de renda para a mãe e seis irmãos mais novos.[6] Complementou a renda por algum tempo jogando beisebol semiprofissional.[6] Em 1919, casou-se com Eugenia McMahon, trabalhadora de confecções e membro de sindicato.[2] Tiveram três filhas.[4]
Início da carreira sindical em Nova Iorque
Em 1920, Meany foi eleito para o conselho executivo da Local 463 do Sindicato dos Encanadores. Em 1922, tornou-se agente de negócios em tempo integral da seção, que tinha então 3.600 membros.[6] Meany declarou mais tarde que nunca caminhara num piquete de greve durante seus dias no sindicato dos encanadores,[6][8] explicando que o sindicato original dos encanadores nunca precisara de piquetes, porque os empregadores nunca tentaram substituir os trabalhadores.[9]
Em 1923, foi eleito secretário do Conselho de Construção Civil da Cidade de Nova Iorque, a federação municipal de sindicatos que representavam trabalhadores da construção. Obteve liminar judicial contra locaute patronal em 1927, tática então considerada inovadora para um sindicato e oposta por muitos administradores sindicais mais antigos.[6]
Em 1934, tornou-se presidente da Federação do Trabalho do Estado de Nova Iorque, a coalizão estadual de sindicatos. No primeiro ano de lobby em Albany, capital do estado, 72 projetos de lei que promoveu foram aprovados na legislatura estadual, e desenvolveu relação de trabalho próxima com o governador Herbert H. Lehman.[4]
Desenvolveu uma reputação de honestidade, diligência e capacidade de testemunhar efetivamente em audiências legislativas e falar bem à imprensa.[6] Em 1936, cofundou o Partido Trabalhista Americano [en], partido político pró-sindical ativo em Nova Iorque, junto com David Dubinsky [en] e Sidney Hillman [en], em parte para organizar apoio entre socialistas sindicais à reeleição naquele ano do presidente Franklin D. Roosevelt e do prefeito Fiorello La Guardia.[8]
Liderança nacional em Washington, D.C.
Três anos depois, mudou-se para Washington, D.C., para tornar-se secretário-tesoureiro nacional da Federação Estadunidense do Trabalho,[7] onde serviu ao presidente da AFL William Green [en].
Durante a Segunda Guerra Mundial, Meany foi um dos representantes permanentes da AFL no Conselho Nacional de Trabalho de Guerra.[6] Durante a guerra, estabeleceu relações próximas com anticomunistas proeminentes no movimento operário americano, incluindo David Dubinsky [en], Jay Lovestone [en] e Matthew Woll [en].[6] Em outubro de 1945, organizou o boicote da AFL à conferência de fundação da Federação Sindical Mundial, que acolhia a participação de sindicatos da União Soviética[6] e mais tarde foi chamada de frente comunista [en].[10]
A onda de greves de 1945-1946, organizada em grande parte por sindicatos do CIO, resultou na aprovação da Lei Taft-Hartley [en] em 1947, amplamente percebida como antissindical. Uma disposição exigia que oficiais sindicais assinassem juramentos de lealdade afirmando que não eram comunistas; isso teve efeito majoritário nos sindicatos do CIO. Meany, em oposição a John L. Lewis e outros líderes sindicais esquerdistas,[11] respondeu que “iria além e assinaria uma declaração de que nunca fui companheiro dos companheiros”, pois sempre ostracizara comunistas.[4] Em um ano, a maioria dos administradores sindicais americanos não afiliados ao Partido Comunista assinou o juramento, posteriormente confirmado pela Suprema Corte, que decidiu em 1949 que o Partido Comunista era único entre partidos políticos americanos por jurar lealdade a uma potência estrangeira.[12][13]
Fusão da AFL e do CIO
Quando a saúde de Green começou a piorar em 1951, Meany assumiu gradualmente operações cotidianas da AFL.[14] Tornou-se presidente da Federação Estadunidense do Trabalho em 1952 após a morte de Green.[7]
Assumiu rapidamente controle efetivo da AFL e propôs fusão com o CIO.[15] Levou mais tempo para Walter Reuther completar seu controle sobre o CIO,[8] mas quando o fez tornou-se um parceiro disposto a ajudar nas negociações de fusão.[8]
Meany levou três anos para negociar a fusão, e teve de superar uma oposição significativa. John L. Lewis do Sindicato dos Mineiros Unidos da América [en] chamou a fusão de “corda de areia”, e seu sindicato recusou-se a ingressar na AFL-CIO.[16] Jimmy Hoffa, segundo no comando do Sindicato dos Caminhoneiros, protestou: “O que há nisso para nós? Nada!”[16] Contudo, os caminhoneiros cumpriram inicialmente a fusão. Mike Quill [en], presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes da América [en] também combateu a fusão,[16] dizendo que equivalia a capitulação ao “racismo, corrupção e ataque sindical” da AFL.[8]
Temendo um processo de negociação prolongado, Meany decidiu pela “rota curta” à reconciliação. Isso significava que todos os sindicatos da AFL e do CIO seriam aceitos na nova organização “como estavam”, com todos os conflitos e sobreposições resolvidos após a fusão.[17] Meany confiou ainda em um pequeno grupo seleto de assessores para elaborar os acordos necessários. O esboço da constituição foi escrito principalmente pelo vice-presidente da AFL Matthew Woll e pelo conselheiro geral do CIO Arthur Goldberg, enquanto as declarações de política conjuntas foram escritas por Woll, secretário-tesoureiro do CIO James Carey, vice-presidentes do CIO David McDonald e Joseph Curran [en], presidente da Irmandade dos Funcionários Ferroviários George McGregor Harrison [en] e presidente da AFL-CIO de Illinois Reuben G. Soderstrom [en].[18]
Os esforços de Meany frutificaram em dezembro de 1955 com uma convenção conjunta em Nova Iorque que fundiu as duas federações, criando a AFL-CIO, com Meany eleito presidente.[19] Chamada de “maior conquista” de Meany pela revista Time,[20] a nova federação tinha 15 milhões de membros. Apenas dois milhões de trabalhadores americanos eram membros de sindicatos fora da AFL-CIO.[16]
Campanhas contra sindicatos corruptos
Meany combateu também a corrupção no afiliado à AFL Sindicato dos Trabalhadores Têxteis da América [en] a partir de 1952. Em 1957, relatou que o presidente daquele sindicato roubara mais de 250.000 dólares. Meany nomeou também um monitor independente para supervisionar reforma do sindicato.[1]
Preocupações com corrupção e influência do crime organizado no Irmandade Internacional dos Caminhoneiros, gerido por Dave Beck [en], levaram Meany a iniciar uma campanha para reformar aquele sindicato em 1956. Em 1957, em meio a luta pelo controle do sindicato com Jimmy Hoffa, Beck foi chamado perante o Comitê Especial do Senado dos Estados Unidos sobre Atividades Indevidas no Trabalho e na Gestão [en], comumente conhecido como “Comitê McClellan” em homenagem ao presidente John L. McClellan, do Arkansas.[1]
Audiências televisionadas no início de 1957 expuseram má conduta tanto da facção de Beck quanto da de Hoffa no Sindicato dos Caminhoneiros. Ambos Hoffa e Beck foram indiciados, mas Hoffa ganhou o controle do sindicato. Em resposta, a AFL–CIO instituiu uma política de que nenhum oficial sindical que invocasse a Quinta Emenda numa investigação de corrupção poderia continuar em cargo de liderança. Meany disse aos caminhoneiros que poderiam continuar membros da AFL–CIO se Hoffa renunciasse à presidência. Hoffa recusou, e os caminhoneiros foram expulsos da AFL–CIO[1][7] em 6 de dezembro de 1957. Meany endossou a adoção pela AFL–CIO de um código de ética após o escândalo.[21]
Meany organizou também campanhas contra crime organizado e corrupção no Sindicato Internacional dos Joalheiros [en], no Sindicato Internacional dos Trabalhadores de Lavanderias [en], no Sindicato Internacional dos Trabalhadores de Destilarias, Vinhos e Afins [en] e no United Auto Workers da AFL.[1] Exigiu a demissão de oficiais sindicais corruptos e a reorganização interna dos sindicatos. Quando alguns sindicatos resistiram, organizou sua expulsão da AFL e depois da AFL-CIO, e até criou sindicatos rivais.[1] Estabeleceu o Comitê da AFL-CIO sobre Práticas Éticas para investigar má conduta e insistiu que sindicatos investigados cooperassem com inquéritos. Segundo John Hutchinson, professor na UCLA, “poucos líderes sindicais americanos têm registro público tão repetido e explícito de oposição à corrupção”.[1]
Guerra do Vietnã
Meany defendeu consistentemente as políticas da Guerra do Vietnã do presidente Lyndon B. Johnson. Em 1966, Meany insistiu que sindicatos da AFL-CIO dessem “apoio incondicional” à política de guerra de Johnson. Entre os oficiais sindicais da época que se opuseram à posição de Meany sobre a guerra estavam Ralph Helstein [en], George Burdon [en] e Patrick E. Gorman [en].[22]
Charles Cogen, presidente da Federação Americana de Professores [en], juntou-se à oposição quando a convenção da AFL-CIO de 1967 adotou uma resolução prometendo apoio à guerra. Reuther declarou que estava ocupado com negociações com a General Motors em Detroit e não poderia comparecer à convenção. Em discurso à convenção, Meany disse sobre o Vietnã que a AFL-CIO era “nem falcão nem pomba nem galinha”,[23][24] mas apoiava “irmãos sindicalistas” lutando contra o comunismo.[23]

Como anticomunista que se identificava com a classe trabalhadora, Meany expressava desprezo pela Nova Esquerda. Aquela filosofia frequentemente criticara ativistas sindicais por conservadorismo, racismo e anticomunismo, e nos finais dos anos 1960 e início dos 1970 incluía muitos promotores do comunismo, como a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã.[25][26] Após os atos de violência na Convenção Nacional Democrata de 1968, Meany solidarizou-se com a polícia ao chamar os manifestantes de “grupo de kooks sujos e de boca suja”.[20]
Meany opôs-se à candidatura presidencial antiguerra do senador George McGovern em 1972 contra o incumbente Richard Nixon, apesar do registro geralmente pró-trabalhista de McGovern no Congresso. Contudo, Meany também recusou endossar Nixon. No programa semanal Face the Nation em setembro de 1972, Meany criticou posição de política externa de McGovern — que os Estados Unidos deveriam respeitar o direito de outros povos escolherem o comunismo — dizendo que nunca houvera país que votara livremente pelo comunismo. Meany acusou McGovern de ser “um apologista do mundo comunista”.[27]
Após vitória esmagadora de Nixon sobre McGovern, Meany disse que o povo americano “repudiara esmagadoramente o neo-isolacionismo” na política externa. Meany acrescentou que eleitores americanos dividiram votos ao endossar democratas no Congresso.[28]
O apoio de Meany ao esforço de guerra continuou até os dias finais antes da captura da Cidade de Ho Chi Minh pelos norte-vietnamitas em abril de 1975. Pediu que o presidente Gerald Ford fornecesse uma “flotilha” da Marinha dos Estados Unidos se necessário para garantir que centenas de milhares de “amigos dos Estados Unidos” pudessem escapar antes de um regime comunista se estabelecer.[29]
Apelou também pela admissão do maior número possível de refugiados vietnamitas nos Estados Unidos. Meany culpou o Congresso por “lavar as mãos” sobre a guerra e por enfraquecer as forças armadas do Vietnã do Sul, danificando sua “vontade de lutar”.[29] Em particular, Meany acusou o Congresso de falhar em fornecer o financiamento adequado para tropas americanas realizarem uma retirada ordenada.[29]
Conflito com Reuther
Apesar da cooperação durante a fusão da AFL-CIO, Meany e Reuther tiveram uma relação contenciosa por muitos anos.[30] Em 1963, Meany e Reuther discordaram sobre a Marcha sobre Washington, um grande evento na história do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Meany opôs-se ao endosso da AFL-CIO à marcha. Numa reunião do conselho executivo da AFL-CIO em 12 de agosto de 1963, a moção de Reuther por endosso forte à marcha foi apoiada apenas por A. Philip Randolph [en], líder titular da marcha. Como compromisso, a AFL-CIO apoiou a lei de direitos civis e permitiu que sindicatos individuais endossassem a marcha.[8] Depois disso, apoiou criação do Instituto A. Philip Randolph [en] para fortalecer sindicatos entre afro-americanos e reforçar laços com a comunidade afro-americana. Randolph disse estar certo de que Meany era moralmente oposto ao racismo.[4]
Na época da convenção da AFL-CIO de 1967, Reuther exigiu que Meany tornasse a AFL-CIO mais democrática.[31]
Após anos de desacordo com Meany, Reuther renunciou ao conselho executivo da AFL-CIO em fevereiro de 1967.[8] Em 1968, o United Auto Workers de Reuther retirou-se da AFL-CIO,[32] e não se reafiliou à AFL-CIO até 1981,[33] muito após morte de Reuther num acidente de avião em 1970.[34]
Objetivos políticos
Em meio às reformas da Grande Sociedade defendidas pelo presidente Johnson, Meany e a AFL-CIO em 1965 endossaram uma resolução pedindo “audiências congressuais obrigatórias sobre preços para corporações, central de compensação tecnológica e agência nacional de planejamento”.[35] O socialista americano Michael Harrington [en] comentou que a AFL-CIO “iniciara uma redefinição programática que tinha muito mais em comum com a derrotada proposta socialista de 1894 que com o voluntarismo de Gompers”,[35] referindo-se ao fundador da AFL, que se opusera abertamente ao socialismo por décadas. A resolução de 1965 era parte do endosso contínuo da AFL-CIO à democracia industrial. Apesar do apoio de Meany a políticas de reforma por vezes chamadas “socialistas”, enfatizou também que “concordo muito com o sistema de mercado livre”.[4] No início dos anos 1970, falou sobre mudanças nos trabalhadores sindicais desde os anos 1930:
Não marchamos mais nas ruas, não temos mais greves de ocupação, e o trabalho em certa medida tornou-se da classe média. Em outras palavras, quando não se tem propriedade, não se tem nada, não se tem nada a perder com essas ações radicais. Mas quando se torna uma pessoa que tem casa e propriedade, em certa medida torna-se conservador.[4]
Como presidente da AFL-CIO, Meany apoiou o aumento do salário mínimo, o aumento de gastos em obras públicas e a proteção aos direitos de organização sindical. Endossou também a saúde universal. Enquanto presidente, a AFL-CIO fez lobby vigoroso por seus objetivos.[11] Ele apoiou o sistema bipartidário e acreditava em “apoiar seus amigos e punir seus inimigos”.[4]
Últimos anos e morte
Na metade dos anos 1970, Meany passava dos 80 anos e havia crescentes apelos para que se aposentasse e passasse a presidência da AFL-CIO a um homem mais jovem.[36] Nos anos finais, Meany adotou a fotografia amadora e a pintura como passatempos.[5]
Em junho de 1975, Meany recebeu Alexander Soljenítsin em sua turnê pelos Estados Unidos e organizou um jantar em honra do escritor russo, onde Soljenítsin deu um de seus discursos mais conhecidos. O próprio Meany fez o discurso de apresentação de Soljenítsin.[37]
Eugenia, esposa de Meany por 59 anos, morreu em março de 1979, e ele ficou deprimido após perdê-la.[7] Machucou o joelho num acidente de golfe alguns meses antes da morte e dependia de cadeira de rodas.[7] Em novembro de 1979, aposentou-se da AFL-CIO após uma carreira de 57 anos. Foi sucedido por Lane Kirkland [en], que serviu como presidente da AFL-CIO pelos 16 anos seguintes.[38]
Meany morreu no Hospital Universitário George Washington [en] em 10 de janeiro de 1980, de parada cardíaca.[4] A AFL-CIO tinha 14 milhões de membros na época de sua morte. O presidente Jimmy Carter chamou-o de “instituição americana” e “patriota”.[7] Foi sepultado no cemitério Gate of Heaven [en] em Silver Spring, Maryland.[39]
Prêmios, tributos e legado

O presidente John F. Kennedy estabeleceu a Medalha Presidencial da Liberdade em 22 de fevereiro de 1963, mas morreu antes de concedê-la. Duas semanas após assassinato de Kennedy, o presidente Lyndon B. Johnson concedeu-a a Meany e outros trinta em 6 de dezembro de 1963.[40] Johnson disse que o prêmio era pelo serviço de Meany ao sindicalismo e pelo avanço da liberdade no mundo.[41]
Em 6 de novembro de 1974, Meany dedicou o Centro George Meany para Estudos Trabalhistas (fundado em 1969), renomeado National Labor College [en] em 1997.[42] De 1993 a 2013, a instituição abrigou arquivos em memória de George Meany. Em 2013, acervos arquivísticos e bibliográficos foram transferidos para as bibliotecas da Universidade de Maryland [en], tornando a universidade o repositório oficial.[43][44] Os acervos datam da fundação da AFL (1881) e oferecem registros quase completos da fundação da AFL-CIO (1955). Entre os estimados 40 milhões de documentos estão registros de departamentos da AFL-CIO, registros de departamentos comerciais, registros de sindicatos internacionais, programas sindicais, organizações sindicais com relações aliadas ou afiliadas à AFL-CIO e papéis pessoais de líderes sindicais. A extensa documentação fotográfica de atividades sindicais dos anos 1940 até o presente está nas coleções de negativos fotográficos e digitais. Além disso, coleções de imagens gráficas, mais de 10.000 fitas de áudio, várias centenas de filmes e fitas de vídeo e mais de 2.000 artefatos estão disponíveis para pesquisa e estudo públicos.[45]
O Prêmio George Meany foi estabelecido pela Boy Scouts of America em 1974.[46]
Livros publicados sobre Meany incluem Meany: The Unchallenged Strong Man of American Labor (1972)[47] e George Meany and His Times: A Biography (1981).[48] A entrada de Meany na enciclopédia biográfica American National Biography [en] foi publicada em 2000, escrita pelo historiador David Brody [en].[49]
Meany era conhecido como fumante de charutos, e fotos dele frequentemente apareciam em jornais e revistas fumando charuto.[8][50][51][52][53]
No centenário de seu nascimento em 1994,[54] Meany apareceu num selo comemorativo dos Estados Unidos.[55]
Ver também
- Federação Estadunidense do Trabalho
- Argo (apresenta uma cena sobre sua morte)
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j Hutchinson, John (inverno de 1971). «George Meany and the Wayward». University of California, Berkeley. California Management Review. 14 (2): 51–60. JSTOR 41164335. doi:10.2307/41164335. Consultado em 13 de maio de 2015. Arquivado do original em 18 de maio de 2015
- ↑ a b c d Meagher, Timothy J. (2005). The Columbia Guide to Irish American History. [S.l.]: Columbia University Press. ISBN 978-0-231-12070-8
- ↑ Earl g. Graves, Ltd (junho de 1975). «An Interview with George Meany». Black Enterprise. New York City. p. 106. Consultado em 17 de novembro de 2011
- ↑ a b c d e f g h i j Flint, Jerry (11 de janeiro de 1980). «George Meany Is Dead; Pioneer in Labor Was 85». New York Times. Consultado em 19 de abril de 2015
- ↑ a b c Stetson, Damon (1971). A Blunt Labor Leader: William George Meany. Col: The New York Times Biographical Service. 2. [S.l.]: New York Times and Arno Press. p. 3637
- ↑ a b c d e f g h i j k l Zieger, Robert (1987). «George Meany: Labor's organization man». In: Dubofsky, Melvyn; Van Tine, Warren R. Labor Leaders in America. [S.l.]: University of Illinois Press. pp. 324–332. ISBN 978-0-252-01343-0
- ↑ a b c d e f g Ullmann, Owen (11 de janeiro de 1980). «George Meany, Labor's 'Giant' Is Dead at 85». Nashua Telegraph. Nashua, New Hampshire. p. 1. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ a b c d e f g h Lichtenstein, Nelson (1997). Walter Reuther: the most dangerous man in Detroit. [S.l.]: University of Illinois Press. pp. 88, 323. ISBN 978-0-252-06626-9.
George Meany Walter Reuther.
- ↑ Robinson, Archie (1981). George Meany and His Times: A Biography. [S.l.]: Simon & Schuster. p. 54. ISBN 978-0-671-42163-2
- ↑ Richelson, Jefferey T. (1997). A Century of Spies: Intelligence in the Twentieth Century. [S.l.]: Oxford University Press. 252 páginas. ISBN 978-0-19-511390-7
- ↑ a b Smith, J.Y.; Crawford, Kenneth (11 de janeiro de 1980). «George Meany, 85, Giant of U.S. Labor Movement». Washington Post. Consultado em 12 de julho de 2015
- ↑ Luff, Jennifer (2012). Commonsense Anticommunism: Labor and Civil Liberties between the World Wars. [S.l.]: University of North Carolina Press. ISBN 978-0-8078-6989-5
- ↑ Gerald Pomper, "Labor and congress: The repeal of Taft‐Hartley." Labor History 2.3 (1961): 323-343.
- ↑ «Murray, Green Deaths Likely To Bring New Era: Top Union Official Sights Possibility Of CIO-AFL Unification». Toledo Blade. Toledo, Ohio. 22 de novembro de 1952. p. 3. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ «Mr. Meany And Merger». Toledo Blade. 28 de novembro de 1952. Consultado em 6 de novembro de 2011
- ↑ a b c d «New Affluence, Unity for Labor». LIFE magazine. 12 de dezembro de 1955. Consultado em 6 de novembro de 2011
- ↑ Goldberg, Arthur (1956). AFL-CIO Labor United. New York, New York: McGraw Hill. pp. 85–86
- ↑ Soderstrom, Carl; Soderstrom, Robert; Stevens, Chris; Burt, Andrew (2018). http://www.fortygavels.com/ Forty Gavels: The Life of Reuben Soderstrom and the Illinois AFL-CIO. 3. Peoria, IL: CWS Publishing. pp. 95-96. ISBN 978-0-9982575-3-2
- ↑ Walker, Norman (28 de novembro de 1955). «Meany And AFL-CIO Merger: A Plumber's Dream». Meriden Journal. Meriden, Connecticut. Consultado em 6 de novembro de 2011
- ↑ a b «Labor's Voice is Stilled, George Meany: 1894-1980». Time. 21 de janeiro de 1980. Consultado em 13 de maio de 2015
- ↑ Cherny, Robert W; Issel, William; Taylor, Kieran Walsh, eds. (2004). American Labor and the Cold War: Grassroots Politics and Postwar Political Culture. [S.l.]: Rutgers University Press. p. 3. ISBN 978-0-8135-3403-9
- ↑ «End the War in Vietnam!» (PDF). New World Review. Junho de 1966 – via [cia.gov](http://cia.gov)
- ↑ a b «Meany Backs Viet, Slaps at Reuther: Neither 'Hawk, Dove—Nor Chicken' AFL-Boss Says In Convention Keynote». Pittsburgh Press. Pittsburgh, Pennsylvania. 7 de dezembro de 1967. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ Dumbrell, John (1990). The making of US foreign policy: American democracy and American foreign policy. [S.l.]: Manchester University Press. p. 199. ISBN 978-0-7190-3188-5
- ↑ Levy, Peter B. (1994). The New Left and Labor in the 1960s. [S.l.]: University of Illinois Press. ISBN 978-0-252-06367-1
- ↑ Lewy, Guenter (1990). The Cause That Failed: Communism in American Political Life. [S.l.]: Oxford University Press. 268 páginas. ISBN 978-0-19-987898-7
- ↑ «Woodcock Parries Meany Blast At McGovern Record». Buffalo Courier-Express. Buffalo, New York. 4 de setembro de 1972 – via New York State Historic Newspapers
- ↑ «Meany's observations». Boca Raton News. Boca Raton, Florida. 9 de novembro de 1972. pp. 4a. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ a b c Sperling Jr., Godfrey (14 de abril de 1975). «Meany urges massive U.S. effort to rescue endangered Vietnam». The Beaver County Times. Beaver, Pennsylvania. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ Carew, Anthony (1993). Walter Reuther. Col: Lives of the Left. [S.l.]: Manchester University Press. p. 77
- ↑ «AFL-CIO Backs LBJ on Vietnam». Pittsburgh Post-Gazette. Pittsburgh, Pennsylvania. 12 de dezembro de 1967. Consultado em 23 de outubro de 2011
- ↑ Weir, Robert E. (2013). Workers in America: A Historical Encyclopedia. [S.l.]: ABC-CLIO. pp. 187, 455, 680. ISBN 978-1-59884-719-2
- ↑ Lardner, George (10 de junho de 1981). «Leaders of Auto Workers Vote to Rejoin AFL-CIO». Washington Post
- ↑ Hamilton, Neil A. (2002). American Social Leaders and Activists. [S.l.]: Infobase Publishing. 319 páginas. ISBN 978-1-4381-0808-7
- ↑ a b Boyle, Kevin (1999). The UAW and the Heyday of American Liberalism, 1945–1968. [S.l.]: Cornell University Press. p. 201. ISBN 978-0-8014-8538-1
- ↑ Dobkin, Robert A. (8 de setembro de 1977). «Union power passing to young, better educated generation». Deseret News. Salt Lake City. Consultado em 15 de junho de 2013
- ↑ Solzhenitsyn, Alexander (2019). Warning to the West. London: Vintage. pp. 3–5. ISBN 978-1-784-87566-4
- ↑ Lichtenstein, Nelson (2013). State of the Union: A Century of American Labor. [S.l.]: Princeton University Press. 247 páginas. ISBN 978-1-4008-4814-0
- ↑ Bredemeier, Kenneth (16 de janeiro de 1980). «Labor, Politicians Eulogize Meany». The Washington Post
- ↑ «President Kennedy's Executive Order 11085: Presidential Medal of Freedom». John F. Kennedy Presidential Library and Museum, Boston. Consultado em 19 de novembro de 2011
- ↑ «Lyndon B. Johnson: Remarks With Under Secretary of State George W. Ball at the Presentation of the Medal of Freedom Awards, December 6, 1963». The American Presidency Project, University of California, Santa Barbara. Consultado em 19 de novembro de 2011
- ↑ «History of the National Labor College». George Meany Legacy Website. Consultado em 12 de agosto de 2016. Arquivado do original em 24 de junho de 2016
- ↑ «George Meany Memorial Archives». National Labor College. 26 de dezembro de 2013. Consultado em 12 de agosto de 2016. Arquivado do original em 17 de agosto de 2016
- ↑ «Archival Collections»
- ↑ «Labor History and Workplace Studies - Special Collections | UMD Libraries». www.lib.umd.edu. Consultado em 26 de julho de 2021
- ↑ «The George Meany Award». Boy Scouts of America. Consultado em 12 de agosto de 2016
- ↑ Godson, Roy (primavera de 1973). «Meany: The Unchallenged Strong Man of American Labor by Joseph C. Goulden». World Affairs. 135 (4): 353–356. JSTOR 20671397
- ↑ Kheel, Theodore W. (inverno de 1983–1984). «George Meany and His Times: A Biography by Archie Robinson». Political Science Quarterly. 98 (4): 712–714. JSTOR 2149744. doi:10.2307/2149744
- ↑ Brody, David (fevereiro de 2000). «Meany, George». American National Biography Online. Oxford University Press and American Council of Learned Societies. Consultado em 12 de agosto de 2016
- ↑ Freeman, Joshua B. (2008). A Companion to Post-1945 America. [S.l.]: John Wiley and Sons. 201 páginas. ISBN 978-1-4051-2319-8
- ↑ Sidey, Hugh (19 de novembro de 1971). «For George Meany, life begins at 77». LIFE magazine. New York City. Consultado em 15 de novembro de 2011
- ↑ «A.F.L.'s George Meany». TIME. New York City. 21 de março de 1955. Consultado em 15 de novembro de 2011. Arquivado do original em 7 de dezembro de 2006
- ↑ «Labor in the Freeze: George Meany». TIME. New York City. 6 de setembro de 1971. Consultado em 15 de novembro de 2011. Arquivado do original em 17 de outubro de 2007
- ↑ Kronish, Syd (29 de agosto de 1994). «Stamp Honors Labor Leader Meany on 100th Birthday». Deseret News. Salt Lake City. Consultado em 15 de novembro de 2011. Arquivado do original em 12 de janeiro de 2015
- ↑ Sine, Richard L.; Galpin, Jonathan. «Commemorative issue: George Meany». U.S. Stamp Gallery. Consultado em 15 de novembro de 2011
Leitura complementar
- Brody, David (1999). "Meany, George". American National Biography. doi:10.1093/anb/9780198606697.article.1501098.
- Buhle, Paul (1999). Taking Care of Business: Samuel Gompers, George Meany, Lane Kirkland, and the Tragedy of American Labor.
- Carew, Anthony (2018). American Labour's Cold War Abroad: From Deep Freeze to Détente, 1945–1970.
- Goulden, Joseph C. (1972). Meany: The Unchallenged Strong Man of American Labor.
- Kersten, Andrew E. (2006). Labor's Home Front: The American Federation of Labor During World War II. NYU Press.
- Liazos, Theodore Christos (1998). Big Labor: George Meany and the Making of the AFL-CIO, 1894–1955. PhD dissertation. New Haven, CT: Yale University. ProQuest ID 9929617.
- Robinson, Archie (1982). George Meany and His Times: A Biography.
- Sinyai, Clayton (2006). Schools of Democracy: A Political History of the American Labor Movement. ILR Press.
- Taft, Philip (1959). The AFL from the Death of Gompers to the Merger.
- Wehrle, Edmund F. (August 2008). "'Partisan for the Hard Hats': Charles Colson, George Meany, and the Failed Blue-Collar Strategy". Labor: Studies in Working-Class History of the Americas. Volume 5, Edição 3. 45–66. doi:10.1215/15476715-2008-005.
- Zieger, Robert H. (1987). "George Meany: Labor's Organization Man" in Labor Leaders in America, ed. Melvyn Dubofsky and Warren Van Tine.
- Zieger, Robert H. (2002). American Workers, American Unions, 1920–1985, 3ª ed.
Ligações externas
- George Meany (1894–1980) AFL-CIO
- George Meany Memorial AFL-CIO Archives - Universidade de Maryland - Biblioteca Hornbake
- Virginia Tehas Oral History interview - Bibliotecas da Universidade de Maryland.
| Precedido por Frank Morrison [en] |
Secretário-Tesoureiro da Federação Estadunidense do Trabalho 1939–1952 |
Sucedido por William F. Schnitzler [en] |
| Precedido por: William Green [en] |
Presidente da Federação Estadunidense do Trabalho 1952–1955 |
Fundida na AFL-CIO |
| Novo título AFL-CIO fundada
|
Presidente da AFL-CIO 1955–1979 |
Sucedido por: Lane Kirkland [en] |
