Geophagus parnaibae

Geophagus parnaibae
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Perciformes
Família: Cichlidae
Gênero: Geophagus
Espécie: G. parnaibae
Nome binomial
Geophagus parnaibae
Staeck & Schindler, 2006

Geophagus parnaibae, popularmente referido como acará, é uma espécie da família dos ciclídeos (Cichlidae) e do gênero Geophagus.[2][3]

Etimologia

O nome genérico Geophagus do grego (γῆ), que significa "terra", e phagein (φαγεῖν), que significa "comer". Seu epíteto específico parnaibae alude à bacia do rio Parnaíba.[4] O nome popular cará ou acará é uma designação comum a diversos peixes da família dos ciclídeos. O termo deriva do tupi aka'ra, no sentido de "escamoso, cascudo", e foi registrado pela primeira vez em 1587.[5]

Taxonomia

A espécie foi descrita em 2006 na revista Zoologische Abhandlungen des Staatlichen Museums für Tierkunde pela dupla de pesquisadores Wolfgang Staeck e Ingo Schindler. A localidade-tipo de seu holótipo e o riacho Ponti, próximo ao município de Timon, no Maranhão.[6]

Descrição

Geophagus parnaibae possui 17 espinhos dorsais, entre nove e 11 raios dorsais, três espinhos anais e de sete a oito raios anais. Distingue-se de todos os seus congêneres pela combinação única de características morfológicas: ausência de faixa escura infraorbital ou de manchas negras na região pré-opercular; nadadeira caudal com faixas longitudinais bem definidas; presença de apenas 30 a 31 escamas na linha E1; e pequeno porte, com comprimento total máximo de cerca de 16 centímetros.[4]

Distribuição e habitat

Geophagus parnaibae é endêmica do Brasil e está restrita à drenagem do rio Alto, Médio e Baixo Parnaíba, do Gurupi, do Itapecuru e do Mearim dos estados do Piauí, Maranhão e Ceará, nos biomas da Amazônia, Cerrado e Caatinga. É conhecido das seguintes localidades: tributário do rio das Balsas entre Riachão e Balsas, pequenos tributários do rio Longá próximo à Esperantina e próximo à Barras; Richão Ponti, próximo a Timon e um pequeno tributário do rio Poti próximo à Monsenhor Gil. Habita córregos e pequenos riachos com fundo arenoso, os quais podem apresentar correnteza bastante intensa durante a estação chuvosa. No entanto, durante a estação seca e os períodos de águas baixas, a espécie é frequentemente encontrada também em poças e lagoas isoladas.[1][7]

Ecologia

Geophagus parnaibae é bentopelágica.[4] Sua dieta é composta por aproximadamente 80% de matéria vegetal (principalmente sementes), além de larvas de insetos aquáticos, detritos e grãos de areia. Entre as espécies que compartilham o habitat com G. parnaibae estão Crenicichla menezesi, Apistogramma piauiensis, Hoplias malabaricus, Micropoecilia branneri, Aspidoras raimundi, Otocinclus hasemani, Pimelodus sp. e diversas espécies da família dos ciclídeos. Geophagus parnaibae apresenta cuidado parental bucal, utilizando a boca para proteger suas larvas — um comportamento considerado uma forma primitiva de cuidado com ovos e alevinos. Assim como ocorre com vários de seus congêneres, a reprodução se inicia com a desova sobre o substrato, mas, logo após a eclosão, as larvas são transferidas para a boca dos genitores.[1][7]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Geophagus parnaibae como pouco preocupante (LC), pois é amplamente distribuída e comum em toda a sua área de distribuição, e não há indicação de qualquer declínio populacional.[1] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[8][9] A espécie está presente em algumas áreas de conservação: A Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba (APA Delta do Parnaíba), a Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba (APA Serra da Ibiapaba), o Parque Nacional Nascentes do Rio Parnaíba (PARNA Nascentes do Rio Parnaíba), a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (APA Baixada Maranhense) e a Área de Proteção Ambiental dos Morros Garapenses (APA Morros Garapenses).[7]

Referências

  1. a b c d Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (2022). «Acará, Geophagus parnaibae». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2022: e.T134711444A134711460. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T134711444A134711460.enAcessível livremente. Consultado em 10 de junho de 2025 
  2. «Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 14 de abril de 2025 
  3. Froeser, R.; Pauly, D. «Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2024 
  4. a b c «Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006». FishBase. Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 13 de julho de 2025 
  5. Grande Dicionário Houaiss, verbete acará
  6. Staeck, Wolfgang; Schindler, Ingo (2006). «Geophagus parnaibae sp. n.—a new species of cichlid fish (Teleostei; Perciformes; Cichlidae) from the rio Parnaíba basin, Brazi basin, Brazil». Zoologische Abhandlungen des Staatlichen Museums für Tierkunde. Dresda. pp. 69–75 
  7. a b c da Silva, André Teixeira; Zanata, Angela Maria; Silva, Augusto Luís Bentinho; Terra, Bianca de Freitas; Pavanelli, Carla Simone; da Silva Junior, Dário Ernesto; de Melo, Filipe Augusto Gonçalves; Ferreira, Frederico Fernandes; Deprá, Gabriel de Carvalho; Galvão, Giancarlo Arrais; Salvador, Gilberto Nepomuceno; Penido, Iago de Souza; Birindelli, Jose Luis Olivan; Gomes, João Pedro Corrêa; Silva, Leonardo Oliveira; Barros Neto, Luciano de Freitas; Soares Filho, Luisa Maria Sarmento; Tencatt, Luiz Fernando Caserta; da Silva, Luiz Fernando Duboc; Guedes de Brito, Marcelo Fulgêncio; Cardoso, Priscila Camelier de Assis; dos Reis, Roberto Esser; Lima, Sergio Maia Queiroz; Costa, Silvia Yasmin Lustosa; Ramos, Telton Pedro Anselmo; Volpi, Thais de Assis; Pessali, Tiago Casarim; Motta, Veronica de Barros Slobodian; Guimarães, Érick Cristófore (2023). «Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.34480.2. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  8. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  9. «Geophagus parnaibae Staeck & Schindler, 2006». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 13 de julho de 2025 

Ligações externas