Crenicichla brasiliensis
Crenicichla brasiliensis
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Crenicichla brasiliensis (Bloch, 1792) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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Crenicichla brasiliensis, conhecido popularmente como joana-guenza, peixe-sabão jacundá e joaninha,[1] é uma espécie da família dos ciclídeos (Cichlidae) e do gênero Crenicichla.
Etimologia
O nome popular guenza tem origem obscura, mas Nei Lopes propôs que se originou do quicongo ngenza, no sentido de "vagina", talvez pela forma do peixe.[4] Jacundá deriva do tupi yaku'nda, que é empregado como nome genérico aos membros da família dos ciclídeos. Foi registrado em 1618 como jacundâ, em 1631 como iacunda e em 1895 como jacundá.[5] Joaninha deriva do antropônimo Joana junto do diminutivo -inha. Foi registrado pela primeira vez em 1899.[6] O nome genérico Crenicichla deriva do latim crenulatus (recortado) e do grego kíchlē (κιχλη), "bodião". O epíteto específico menezesi homenageia o professor Dr. Naércio Aquino Menezes (1937–2021), do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.[7]
Taxonomia e sistemática
Crenicichla brasiliensis foi classificada por Marcus Elieser Bloch em 1792 sob o nome de Perca brasiliensis. Mais tarde a espécie foi transferida ao gênero Crenicichla, que faz parte da família dos ciclídeos (Cichlidae) e da subfamília dos ciclíneos (Cichlinae).[8][3] Trata-se do segundo maior gênero dentro da família dos ciclídeos, com ampla distribuição na América do Sul.[9] Em 1991, Alex Ploeg descreveu a espécie Crenicichla menezesi.[10] Atualmente, C. menezesi está a ser considerada como sinônimo de C. brasiliensis.[2] Algumas classificações taxonômicas ainda reconhecem a validade de ambas,[11][12] e assume-se que serão necessárias novos estudos para validar o diagnóstico.[13]
Descrição
Os machos de Crenicichla brasiliensis apresentam comprimento total entre 12,64 e 17,2 centímetros, com média de 16,2 centímetros (±2,69), enquanto as fêmeas variaram de 11,38 a 19,5 centímetros, com média de 14,8 centímetros (±2,70). Observa-se maior frequência de machos nas classes de 16 a 18 centímetros, e de fêmeas entre 12 e 14 centímetros. A massa corporal varia de 32,4 a 79,22 gramas nos machos (média de 54,14 ±13,64 gramas) e de 24,8 a 92,5 gramas nas fêmeas (média de 39,72 ±2,53 gramas), com maior ocorrência em ambos os sexos na classe de 20 a 40 gramas. A relação entre peso (P) e comprimento (C) é positiva para machos e fêmeas, indicando que o aumento no comprimento corporal está associado ao ganho de massa.[9]
Distribuição e habitat
Crenicichla brasiliensis é endêmica do Brasil e está presente nos rios de vários estados do Nordeste (Maranhão, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte) até a porção leste do Pará, no Norte, na margem direita do rio Amazonas, nos biomas da Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica. Especificamente, está presente nas sub-bacias do Gurupi, do Itapecuru, do Jaguaribe, do litoral de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará, do Mearim, do Munim, do Alto, Médio e Baixo Parnaíba e do Piranhas.[2][14] Há registros da espécie para o estado da Bahia, mas essa identificação aparenta ser errônea. Habita uma grande variedade de ambientes, incluindo rios e riachos sazonais.[1]
Ecologia
A razão sexual observada para Crenicichla brasiliensis é de 1,3 macho para cada fêmea, com ligeira predominância de machos (57,93%). No estudo promovido por Araújo et al. (2012), notou-se que a proporção de sexos varia ao longo do tempo, com mais machos tendo sido registrados entre março, julho e dezembro de 2009, e de janeiro a fevereiro de 2010, enquanto as fêmeas foram mais frequentes entre abril e junho de 2010. A segregação espacial entre os sexos pode explicar a razão sexual observada , uma vez que machos e fêmeas podem ocupar áreas distintas no ambiente. As fêmeas atingem a maturidade sexual mais precocemente, direcionando suas reservas energéticas à reprodução antes dos machos. Os ovários e testículos seguem um padrão de desenvolvimento regular ao longo dos estágios de maturidade - imaturo, em maturação, maduro e parcialmente esgotado.[9]
C. menezesi libera apenas uma fração dos ovócitos em cada evento reprodutivo. A presença de ovócitos em diferentes estágios de desenvolvimento nos ovários indica um padrão de maturação assíncrona. A ocorrência e a duração dos estágios ovarianos sugerem padrão de desova múltipla, em que ovócitos maduros são liberados em lotes. Entre os ciclídeos, a fecundidade é altamente variável; em C. menezesi, ela é relativamente baixa, o que é típico de espécies com cuidado parental prolongado. A fecundidade aumenta com o tamanho corporal, o que reflete a maior disponibilidade energética à produção de ovócitos, reforçada pela correlação positiva entre massa corporal e número de ovócitos produzidos.[9]
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Crenicichla brasiliensis (sob o nome Crenicichla menezesi) como pouco preocupante (LC), pois é frequente, mas pouco abundante. Não é uma espécie de interesse da aquariofilia, mas permite-se sua comercialização ornamental, pela Instrução Normativa N.º 01 de 03 de janeiro de 2012. Conhecem-se algumas ameaças difusas associadas à degradação de habitats tanto por agropecuária quanto por urbanização.[1] Em 2018, foi classificada (sob o nome Crenicichla menezesi) como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[15][16] A espécie está presente em algumas áreas de conservação: a Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba (APA Serra da Ibiapaba), o Parque Nacional Nascentes do Rio Parnaíba (PARNA Nascentes do Rio Parnaíba), a Área de Proteção Ambiental Bonfim/Guaraíra (APA Bonfim/Guaraíra), a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (APA Baixada Maranhense), a Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio das Preguiças (APA Foz do Rio das Preguiças), a Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças (APA Upaon-Açu / Miritiba / Alto Preguiças), a Área de Proteção Ambiental dos Morros Garapenses (APA Morros Garapenses), a Reserva Particular de Patrimônio Natural Serra das Almas (RPPN Serra das Almas) e a Reserva Particular de Patrimônio Natural Ser Nativo (RPPN Ser Nativo).[2]
Referências
- ↑ a b c d Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (2022). «Joana-gensa, Crenicichla menezesi». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2022: e.T186736A1817609. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T186736A1817609.en
. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ a b c d Akama, Alberto; Cox, Cristina; Bastos, Douglas; Dutra, Guilherme; Gomes, José; Rapp Py-Daniel, Lucia Helena; Peixoto, Luiz Antônio; Campos da Paz, Ricardo; Carvalho, Tiago; Tagliocollo, Victor; Wosiack, Wolmar (2025). «Crenicichla brasiliensis (Bloch, 1792)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- ↑ a b «Crenicichla brasiliensis (Bloch, 1792)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de abril de 2025
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete guenza
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete jacundá
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete joaninha
- ↑ «Crenicichla menezesi Ploeg, 1991». FishBase. Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2025
- ↑ Froeser, R.; Pauly, D. «Crenicichla brasiliensis (Bloch, 1792)». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 19 de novembro de 2025
- ↑ a b c d de Araújo, Andréa Soares; do Nascimento, Wallace Silva; Yamamoto, Maria Emília; Chellappa, Sathyabama (2012). «Temporal dynamics of reproduction of the neotropical fish, Crenicichla menezesi (Perciformes: Cichlidae)» (PDF). The Scientific World Journal. 2012. 579051 páginas. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ Ploeg, Alex (1991). Revision of the South American cichlid genus Crenicichla Heckel, 1840, with description of fifteen new species and consideration on species groups, phylogeny and biogeography (Pisces, Perciformes, Cichlidae). Amesterdã: Universidade de Amesterdã
- ↑ Froeser, R.; Pauly, D. «Crenicichla menezesi Ploeg, 1991». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2021
- ↑ «Crenicichla menezesi Ploeg, 1991». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2025
- ↑ «Crenicichla brasiliensis (Bloch, 1792)». FishBase. Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 6 de abril de 2022
- ↑ Vieira, Lucas O.; Campos, Diego S.; Oliveira, Rafael F.; South, Josie; Coelho, Marcony S.P.; Paiva, Maurício J.S.; Bragança, Pedro H.N.; Guimarães, Erick C.; Katz, Axel M.; Brito, Pâmella S.; Santos, Jadson P.; Ottoni, Felipe P. (2023). «Checklist of the fish fauna of the Munim River Basin, Maranhão, north-eastern Brazil» (PDF). Biodiversity Data Journal. 11: e98632. doi:10.3897/BDJ.11.e98632
- ↑ «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Crenicichla menezesi Ploeg, 1991». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 13 de julho de 2025

