Apistogramma piauiensis
Apistogramma piauiensis
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Dados deficientes (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Apistogramma piauiensis (Kullander, 1980) | |||||||||||||||||||
Apistogramma piauiensis, popularmente conhecida como carazinho,[2] é um peixe da família dos ciclídeos (Cichlidae).[3] Foi descrito por Sven O. Kullander em 1980.[4][5]
Nome
O nome popular "carazinho" é o diminutivo de cará ou acará, uma designação comum a diversos peixes da família dos ciclídeos. O termo deriva do tupi aka'ra, no sentido de "escamoso, cascudo", e foi registrado pela primeira vez em 1587.[6]
Descrição
Apistogramma piauiensis alcança até 2,3 centímetros de comprimento padrão em machos ou espécimes não sexados. O corpo é alongado e levemente comprimido lateralmente, com escamas pequenas e coloração amarelo-acinzentada, frequentemente apresentando listras longitudinais discretas em adultos.[7]
Distribuição e habitat
Apistogramma piauiensis é endêmica do Brasil[7] e foi descrita em 1980 com base em três exemplares coletados na lagoa Seca, na bacia do rio Parnaíba, no estado do Piauí, cerca de um quilômetro da margem do Parnaíba em Barra do Longá, próximo a Buriti dos Lopes.[8][9] Há um registro mais recente, ainda por confirmar, na bacia costeira do Maranhão. Esforços de coleta recentes na bacia do Parnaíba não registraram-na e há espécimes identificados como A. piauiensis no mercado aquarista, cuja procedência é desconhecida.[1] A considerar sua área de registro, coloca-se que ocorra nas sub-bacias do Gurupi, do Itapecuru e do Mearim.[10] A. piauiensis vive em ambientes lênticos e lóticos, em substratos de areia e argila, em água doce com pH entre 5,5 e 6,5, dureza de 2 a 10 °dH e temperatura de 20-29 °C,[7] nos biomas do Cerrado e da Amazônia.[10]
Biologia e ecologia
Apistogramma piauiensis é bentófaga e insetívora, se alimentando de microcrustáceos e larvas de insetos.[1] É ovípara e desova em cavidades submersas onde a fêmea fixa os ovos no teto e os protege até a eclosão.[7]
Estado de conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Apistogramma piauiensis com a rubrica de dados insuficientes (DD), em decorrência da falta de informações a respeito da biologia, distribuição geográfica, tendências populacionais e possíveis ameaças da espécie.[1] Em 2018, foi classificada com a rubrica de dados insuficientes (DD) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[2][11] Sabe-se que a espécie é utilizada no mercado ornamental, mas a prática não aparenta ser um risco à conservação da espécie. Em sua área de distribuição, ocorre em algumas áreas de conservação: a Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (APA Delta do Parnaíba), a Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba (APA Serra da Ibiapaba), o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PARNA Lençóis Maranhenses), a Reserva Extrativista da Chapada Limpa (Resex Chapada Limpa), a Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio das Preguiças (APA da Foz do Rio das Preguiças), a Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (APA das Reentrâncias Maranhenses) e a Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças (APA Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças).[10]
Referências
- ↑ a b c d Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (2022). «Carazinho, Apistogramma piauiensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2022: e.T134662302A134662324. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T134662302A134662324.en
. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Lista de espécies de peixes marinhos» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2019. Consultado em 9 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 4 de abril de 2025
- ↑ Froeser, R.; Pauly, D. «Apistogramma piauiensis Kullander, 1980». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025
- ↑ Kullander, S. O. (1980). A taxonomical study of the genus Apistogramma Regan, with a revision of Brazilian and Peruvian species. 14. [S.l.]: Bonner Zoologische Monographien. pp. 1–152. Cópia arquivada em 11 de maio de 2025
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete acará
- ↑ a b c d «Apistogramma piauiensis». FishBase. Consultado em 2 de maio de 2025. Cópia arquivada em 11 de maio de 2025
- ↑ «MCZ: Ichthyology specimen record for Apistogramma piauiensis paratype MCZ 46830». Consultado em 2 de maio de 2025. Cópia arquivada em 2 de maio de 2025
- ↑ Eschmeyer, W. N. (2025). «Catalog of Fishes: Apistogramma piauiensis». Academia de Ciências da Califórnia. Consultado em 2 de maio de 2025. Cópia arquivada em 21 de junho de 2021
- ↑ a b c da Silva, André Teixeira; Zanata, Angela Maria; Silva, Augusto Luís Bentinho; de Freitas Terra, Bianca; Pavanelli, Carla Simone; da Silva Junior, Dário Ernesto; de Melo, Filipe Augusto Gonçalves; Ferreira, Frederico Fernandes; Deprá, Gabriel de Carvalho; Galvão, Giancarlo Arrais; Salvador, Gilberto Nepomuceno; Penido, Iago de Souza; Birindelli, Jose Luis Olivan; Corrêa Gomes, João Pedro; Silva, Leonardo Oliveira; Barros Neto, Luciano de Freitas; Soares Filho, Luisa Maria Sarmento; Tencatt, Luiz Fernando Caserta; da Silva, Luiz Fernando Duboc; de Brito, Marcelo Fulgêncio Guedes; de Assis Cardoso, Priscila Camelier; dos Reis, Roberto Esser; Maia Queiroz Lima, Sergio; Lustosa Costa, Silvia Yasmin; Anselmo Ramos, Telton Pedro; de Assis Volpi, Thais; Pessali, Tiago Casarim; de Barros Slobodian Motta, Veronica; Guimarães, Érick Cristófore (2023). «Apistogramma piauiensis Kullander, 1980». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.34310.2. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025
- ↑ «Apistogramma piauiensis Kullander, 1980». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 11 de maio de 2025