Gabinete Herriot I

Gabinete Herriot I
França
Terceira República Francesa
1924-1925
Início14 de junho de 1924
Fim10 de abril de 1925
Duração9 meses e 27 dias
Organização e Composição
TipoGoverno de coalizão
Presidente do Conselho de MinistrosÉdouard Herriot
Presidente da RepúblicaGaston Doumergue
ColigaçãoCartel das Esquerdas - Partido Radical (PR), Partido Republicano-Socialista (PRS), Radicais Independentes (RI) e apoio da Seção Francesa da Internacional Operária (SFIO); dissidentes do Partido Republicano Democrático e Social (PRDS)

O Gabinete Herriot I foi o ministério formado por Édouard Herriot em 14 de junho de 1924 e dissolvido em 10 de abril de 1925. Foi o 72º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete François-Marsal e sucedido pelo Gabinete Painlevé II.

Contexto

Após a eleição do novo Presidente da República, Gaston Doumergue, Édouard Herriot, líder do "Cartel das Esquerdas", foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros em meio a uma crise econômica decorrente dos efeitos da Primeira Guerra Mundial. Fervoroso defensor da laicidade, ele queria introduzir leis seculares na Alsácia-Lorena e romper relações diplomáticas com o Vaticano, mas encontrou forte oposição no Senado Francês e o risco de movimentos de independência locais, sendo rejeitado pelo Conselho de Estado francês.[1]

Herriot também foi criticado por suas escolhas em questões financeiras, hesitando sobre a solução a dar à crise (ele oscilou entre um empréstimo, desejado pela direita, e um imposto sobre o capital exigido pelos socialistas), tendo o mercado de ações sofrido muitas flutuações, principalmente de baixa, durante seu governo. Herriot, então, renunciou em 10 de abril de 1925, depois que o Senado se recusou a lhe dar um voto de confiança. O chefe de governo acusava o "muro de dinheiro", ou seja, as grandes elites financeiras do país, de causarem a sua queda.[2] Essa acusação tem a sua parte de verdade, tendo em conta que o Banco da França foi muito menos flexível com o primeiro Gabinete Herriot do que com outros gabinetes de direita.[3]

Perante o risco de falência das contas públicas e a queda cada vez maior da taxa de câmbio do franco, Herriot foi colocado em minoria pela Assembleia Nacional Francesa a 21 de julho, marcando também o fim do "Cartel de Esquerda". Após uma série de tentativas fracassadas, Doumergue acabou por nomear Paul Painlevé como sucessor de Édouard Herriot, em 17 de abril de 1925.[3]

Composição

O 1º Gabinete Herriot em fotografia de 1924.
  • Presidente da República: Gaston Doumergue
  • Presidente do Conselho de Ministros: Édouard Herriot
  • Ministro dos Estrangeiros: Édouard Herriot
  • Ministro da Justiça: René Renoult
  • Ministro do Interior: Camille Chautemps
  • Ministro da Guerra: Charles Nollet
  • Ministro das Finanças: Étienne Clémentel (1924-1925); Anatole de Monzie (1925)
  • Ministro da Marinha: Jacques-Louis Dumesnil
  • Ministro da Instrução Pública e Belas Artes: François Albert
  • Ministro das Obras Públicas: Victor Peytral
  • Ministro da Agricultura: Henri Queuille
  • Ministro do Comércio e Indústria: Eugène Raynaldy
  • Ministro das Colônias: Édouard Daladier
  • Ministro do Trabalho, Higiene, Assistência e Segurança Social: Justin Godart
  • Ministro das Pensões: Édouard Bovier-Lapierre
  • Ministro das Regiões Libertadas: Victor Dalbiez

Bibliografia

  • BERSTEIN, Serge. Édouard Herriot ou la République en personne. Paris: Presses de la Fondation nationale des sciences politiques, 1985.

Referências

  1. L'Alsace et la Moselle, des exceptions à la laïcité | Lumni Enseignement (em francês), consultado em 10 de maio de 2025 
  2. Le Béguec, Gilles (1986). «Berstein Serge, Edouard Herriot ou la République en personne». Vingtième Siècle. Revue d'histoire (1): 327. Consultado em 10 de maio de 2025 
  3. a b «Les Grandes Guerres (1914-1945): Version brochée - Beaupré, Nicolas: 9782701133874 - AbeBooks». www.abebooks.com (em inglês). p. 10. Consultado em 10 de maio de 2025