Cartel das Esquerdas (França)

Cartel das Esquerdas
Cartel des gauches
Charge criticando as políticas do "Cartel das Esquerdas" sob a administração de Édouard Herriot
Fundação1924
Dissolução1926

O Cartel das Esquerdas foi uma coalizão eleitoral formada para as eleições legislativas francesas de 1924. Reunindo vários partidos e grupos de centro e de centro-esquerda, o Cartel permaneceu no poder até 1926. O “Partido Radical (PR)”, liderado por Édouard Herriot, dominou a coalizão durante toda a sua existência.[1]

Histórico

O “Cartel das Esquerdas” foi formado a partir da coalizão de cinco grupos:

A coalizão também foi apoiada por uma minoria dissidente do “Partido Republicano Democrático e Social (PRDS)”. Os primeiros deputados comunistas eleitos em 1924, por outro lado, formaram a oposição. A vitória de 1924 foi, portanto, um simples acordo eleitoral iniciado no final de 1923 e não uma colaboração, ditada essencialmente pelo desejo comum de derrotar o “Bloco Nacional” de direita. Seu programa de governo teve uma dimensão muito geral: anticlericalismo, pacifismo e a denúncia do exercício do poder do Presidente da República, Alexandre Millerand, acusado de fortalecer seu poder pessoal e ser parcial.[2]

A primeira ação do Cartel no poder foi exigir a renúncia de Millerand, acusado de ter falhado em seu papel de simples árbitro e em suas obrigações de neutralidade, contrariando a tradição da Constituição Francesa de 1875. Em junho, Édouard Herriot formou um governo que rapidamente tomou medidas importantes: a transferência das cinzas do socialista Jean Jaurès para o Panteão, a anistia para grevistas e a autorização para a sindicalização de funcionários públicos. Ele também liderou uma contraofensiva secular na educação. O ensino secundário moderno (sem latim) foi restabelecido, assim como o princípio do ensino médio gratuito.[3]

O Cartel das Esquerdas, no entanto, fracassou em sua política financeira. De fato, os socialistas queriam sanar a dívida adotando um imposto sobre o capital, em particular sobre os lucros obtidos durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto a direita e alguns radicais, bem como os círculos financeiros, eram muito hostis a isso. Uma verdadeira crise no setor financeiro causou o colapso final do grupo, que não conseguiu resolvê-la. A partir de então, os socialistas passaram à oposição, pondo fim à coalizão.[4]

Referências

  1. Rudelle, Odile (1981). «Berstein (Serge) - Histoire du Parti radical. T.1 : La recherche de l'âge d'or, 1919-1926.». Revue française de science politique (2): 486. Consultado em 18 de julho de 2025 
  2. Rudelle, Odile (1984). «Mayeur (Jean-Marie) - La vie politique sous la Troisième République, 1870-1940.». Revue française de science politique (6): 445. Consultado em 18 de julho de 2025 
  3. «HISTOIRE POLITIQUE DE LA TROISIÈME RÉPUBLIQUE ------ Tome 4, Cartel des gauches et Union Nationale ( 1924-1929 ) by BONNEFOUS ( Georges ): Très bon Couverture souple Edition originale | Okmhistoire». www.abebooks.com (em inglês). p. 412. Consultado em 18 de julho de 2025 
  4. Jeanneney, Jean Noël (2003). Leçon d'histoire pour une Gauche au pouvoir: la faillite du Cartel, 1924-1928 (em francês). [S.l.]: Seuil. p. 176. Consultado em 18 de julho de 2025