Fonte do Ribeirão

Fonte do Ribeirão
Fonte do Ribeirão
Tipo fontanário, património histórico
Geografia
Coordenadas 2° 31' 40.969" S 44° 18' 7.229" O
Localização São Luís - Brasil
Patrimônio bem tombado pelo IPHAN, Património de Influência Portuguesa (base de dados)

A Fonte do Ribeirão está situada num pequeno largo entre as ruas do Ribeirão, das Barrocas e dos Afogados, no Centro Histórico de São Luís e é considerada um dos pontos turísticos mais importantes da cidade.[1][2][3][4]

História e características

Sua construção foi feita em 1796, durante o mandato do governador do Maranhão, Fernando António Soares de Noronha. Este fato é conhecido através de dois ofícios. Em um deles, datado de 13 de fevereiro de 1796, o capitão José Luiz da Rocha, encarregado da inspeção para a construção de uma nova fonte, pede que o governador ordene a compra do quintal da casa de José Gomes Viana e mande entulhá-lo, uma vez que o mesmo era responsável pela poluição da nascente da fonte. Em outro, datado de 13 de agosto do mesmo ano, o capitão solicita uma quantia de Rs. 1:200$000 que ainda faltava para a conclusão da obra, sendo essa quantia usada na aquisição de cantaria para os canos, carrancas para as biqueiras, pedras, cal, tijolos, jornais, etc.[5]

Possui piso em cantaria e um grande frontispício, no topo do qual fica uma estátua do deus romano Netuno. Na parte central da fachada, encontram-se três janelas que dão acesso a galerias subterrâneas. Na parte inferior, existem cinco carrancas esculpidas em cantaria com biqueiras em bronze pelas quais a água escorre.[6]

Em 1950, a área da fonte foi tombada pelo SPHAN, do Governo Federal, devido às características coloniais das fachadas das construções, que caracterizam uma área do século XVIII.[7]

A fonte também recebe alguns espetáculos culturais de dança e apresentações musicais, sendo um importante ponto de encontro na cidade.[8]

Lendas

Carranca da Fonte do Ribeirão

A fonte do Ribeirão é tema de lendas populares em São Luís.

A mais conhecida trata de uma enorme serpente adormecida que cresce aos poucos no subsolo, cuja cabeça se encontra na fonte do Ribeirão e a cauda, abaixo da igreja de São Pantaleão; segundo a lenda, no dia em que a cabeça da criatura encontrar a cauda, o animal acordará e destruirá a ilha de São Luís.

Embora essa lenda tenha semelhanças com outras lendas da região amazônica que também falam de cobras grandes, como o Boitatá; tem-se que a mesma apresenta forte ligação com as construções subterrâneas que existem por toda a região do Centro Histórico da cidade de São Luís.[9]

Essas galerias foram construídas no final do Século XVIII e ligavam poços e nascentes para facilitar o acesso de água potável à população. Também há histórias que afirmam que os túneis da fonte teriam sido construídos para que os padres se locomovessem em segredo entre as igrejas da cidade, ou que tinham função estratégica de permitir a fuga no caso de uma invasão estrangeira ou revolta popular.[10][9]

Para além das características míticas de sua origem, a lenda é tão forte e encontra-se presente no imaginário dos habitantes da capital maranhense, que a história da serpente encantada é representada em diversas manifestações culturais. [9]

Serpente, Lagoa da Jansen

O artista maranhense José Ribamar Coelho Santos, mais conhecido como Zeca Baleiro, em seu álbum Pet Shop Mundo Cão, quarto do cantor, traz a música A Serpente (Outra Lenda) baseado em expressões e mitos da Grande Ilha do Maranhão, Upaon-açu. A música se inicia com o Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, do Padre António Vieira:

“Resolvi-me a vos dizer uma só verdade. Mas que verdade será esta? Não gastemos tempo. A verdade que vos digo é que no Maranhão não há verdade.”[11]

Em seguido, os versos exaltam os monumentos e expressões culturais do estado do Maranhão, dando-se ênfase a Lenda da Serpente Encantada.[12]

Por fim, tal obra de arte musical traz alguns versos do poema A Noiva do Cometa, de Sousândrade, poeta maranhense:

"E de repente, na terra. Salta o fantasma formoso! Como donzela de cera. Fez-se ao clarão! Luminoso. A torna; no peito a encerra. Voa com ela. Para o céu." [13] 

Tem-se que em algumas localidades da cidade de São Luís podem ser observadas réplicas da Serpente Encantada. Dentro da Lagoa da Jansen pode ser encontrada uma escultura do artista plástico Jesus Santos. Outra escultura inspirada na lenda está localizada na Avenida Litorânea, sendo esculpida por Ítalo Fonsecada. [9]

Referências

  1. Luís, Prefeitura de São. «Turismo São Luís». turismosaoluis.com.br (em inglês). Consultado em 27 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2018 
  2. Semana, Redação Guia da. «Pontos Turísticos Fonte do Ribeirão - São Luis». Guia da Semana. Consultado em 27 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 19 de abril de 2021 
  3. Informática, DPI Desenvolvimento de Projetos em. «Portal Turismo Brasil - O maior portal de turismo do Brasil». Portal Turismo Brasil. Consultado em 27 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2011 
  4. «Fonte do Ribeirão – São Luís – PICOSMA». Consultado em 27 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2023 
  5. Marques, César Augusto (1864). Apontamentos para o diccionario historico, geographico, topographico e estatistico da provincia do Maranhão. São Luís: Typographia do Frias. p. 151  - Google Livros
  6. «Universo poético das ruas e praças de São Luís». Guesa Errante. 19 de abril de 2006. Consultado em 29 de junho de 2013. Cópia arquivada em 3 de junho de 2008 
  7. «Fonte do Ribeirão». IPHAN. Consultado em 29 de junho de 2013 
  8. «São Luís.». turismosaoluis.com.br. Consultado em 13 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2018 
  9. a b c d «A Lenda da Serpente Encantada de São Luís e outras histórias». 12 de abril de 2023. Consultado em 6 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de maio de 2023 
  10. Coelho, Carlos Alberto Lima (2010). Testemunha do Medo. São Paulo: Biblioteca24horas. p. 25-26. ISBN 978-85-7893-542-9  - Google Livros
  11. «Biblioteca Virtual - Literatura». www.biblio.com.br. Consultado em 6 de maio de 2025. Cópia arquivada em 18 de junho de 2025 
  12. «Lendas e mitos brasileiros: A serpente encantada – São Luís, Maranhão». 2011. Cópia arquivada em 3 de junho de 2011 
  13. Sousândrade. «Poesia e prosa reunidas de Sousândrade». literaturabrasileira.ufsc.br. Consultado em 6 de maio de 2025 

Ligações externas

Ver também