Folclore nórdico

Folclore nórdico é o folclore da Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia, e Ilhas Faroé. O folclore Sápmi, embora do grupo linguístico fino-úgrico tem múltiplas semelhanças e ocupa o mesmo espaço territorial. Tem origens comuns e influências mútuas com o folclore da Inglaterra, Alemanha, Países Baixos, Países Bálticos, e Finlândia. Folclore é um conceito que abrange tradições expressivas duma cultura ou determinado grupo. Os povos da Escandinávia são heterogéneos, assim como são os diversos géneros orais e cultura material naqueles territórios. Existem no entanto vários pontos comuns entre as tradições folclóricas escandinavas, elementos da mitologia nórdica, e do mundo Cristão em geral.
Lendas
- Tróndur- foi um poderoso chefe viking que viveu nas Ilhas Faroé durante o século IX. Segundo a lenda, Tróndur foi morto por um missionário cristão chamado Sigmundur Brestisson, que tinha vindo às ilhas para espalhar o cristianismo. O legado de Tróndur perdura no folclore faroense, onde é frequentemente retratado como um herói trágico.
- Risin e Kellingin - são dois gigantes que supostamente vivem na ilha de Eysturoy. Diz a lenda que são enormes e fortes, e com frequência descritos como de mau humor e destrutivos. [1][2]
- Skógafoss - é uma cascata no sul da Islândia, na origem de diversos contos populares. Um desses contos fala dum tesouro escondido que foi enterrado na base da cascata por Þrasi Þórólfsson.[3]
- Reynisfjara - é uma praia de areia preta localizada no sul da Islândia. É conhecida pelas suas imponentes colunas de basalto e pilhas marinhas.[4] A praia alberga também uma série de contos populares, incluindo um sobre um par de trolls que foram transformados em pedra pelo sol.[5]
Dos muitos contos nas tradições orais escandinavas, alguns tornaram-se conhecidos além das fronteiras escandinavas – por exemplos, Os Três Bodes Rudes e O Gigante Que Não Tinha Coração no Corpo.
Personagens folclóricos
Um grande número de diferentes criaturas mitológicas do folclore escandinavo tornaram-se populares noutras partes do mundo, principalmente através da cultura popular e de géneros de fantasia. Alguns deles:
Trolls

Troll (norueguês e sueco), trolde (dinamarquês) é uma designação de vários tipos de seres sobrenaturais semelhantes aos humanos no folclore escandinavo.[6] Os Trolls são o mencionados na Edda (1220) como monstros de muitas cabeças.[7][8] Os Trolls ocupam papéis principais nas coleções de contos de fadas noruegueses, de Asbjørnsen e Moes (1844).[9] Os trolls podem ser comparados a muitos seres sobrenaturais doutras culturas, nomeadamente os ciclopes da Odisseia de Homero .Em sueco, os Trolls tendem a ser chamados jätte(gigante), um termo relacionado ao nórdico 'jotun'</nowiki>. As origens da palavra troll são incertas. [10]
Embora descritos de maneiras diferentes na literatura popular escandinava, os Trolls tendem a ser retratados como estúpidos, e lentos de ação. Em contos de fadas e lendas sobre trolls, o enredo geralmente é que um humano destemido e com presença de espírito pode enganar um troll. Às vezes, as estórias de santos incluem um homem de fé a ludibriar um troll enorme a construir uma igreja. Os trolls vêm em muitos formatos e com fisionomias diferentes, e grosso modo não são atraentes, pois podem ter até nove cabeças. Os Trolls vivem espalhados pela terra. Podem viver em montanhas, debaixo de pontes ou no fundo de lagos. Os trolls que vivem nas montanhas podem ser ricos e amontoar ouro e prata nos seus lares à beira das falésias. Dovregubben, um rei troll, vive nas entranhas das Montanhas Dovre com a sua corte, conforme a descrição detalhada em Peer Gynt, de Ibsen.
Elfas

Elfos ou Elfas (em sueco, Älva se for mulher e Alv se for homem, Alv em norueguês e Elver em dinamarquês) são, nalgumas regiões, descritos principalmente como mulheres (em contraste com os elfos claros e escuros da Edda), habitantes doutro mundo, belos e sedutores, nativos de florestas, prados, e pântanos. São peritos em magia e na criação de ilusões. Às vezes, as elfas são descritas como fadas pequeninas, outras como mulheres de tamanho normal, e às vezes como espíritos semi-transparentes, ou uma combinação de tudo. Os Elfos são associados ao nevoeiro, e é comum na Suécia dizer-se que "os elfos andam a dançar na bruma". É provável que variante feminina dos elfos, tenha originado nas divindades femininas chamadas Dís (singular) e Díser (plural) das religiões Pagãs escandinavas, anteriores ao Cristianismo. Eles eram espíritos muito poderosos, intimamente ligados à magia seid. Ainda hoje, a palavra "dis" é sinónimo de névoa ou chuvisco muito leve, em sueco, norueguês e dinamarquês. Particularmente na Dinamarca, houve uma fusão das elfas com a sedutora huldra, skogsfrun ou "guardiã da floresta", chamada hylde. Nalgumas partes da Suécia, os elfos também partilham características com os Skogsfrun, "Huldra" ou "Hylda", e podem seduzir e enfeitiçar homens distraídos e sugar-lhes a vida, ou fazê-los afundar no lodo e afogarem-se. Mas ao mesmo tempo, o Skogsrå existe como um ser próprio, com características distintas que o separam claramente dos elfos. Em estórias mais modernas, não é raro que um Tomte, Troll, Vätte, ou um Anão muito feio se apaixone por uma bela Elfa, como o início duma história de amor impossível ou proibido. [11]
Huldra
A Huldra, Hylda, Skogsrå ou Skogfru (mulher da floresta) é uma sedutora perigosa que vive na floresta.[12] Dizem que a Huldra atrai os homens com o seu charme e erotismo irresistíveis. A Huldra no entanto tem rabo de vaca, ou de acordo com algumas tradições, de raposa, que ela ata e esconde sob a saia para enganar os homens. Se se casar numa igreja, o rabo cai e a Huldra torna-se humana.
Huldufólk

Os Huldufólk (o povo Huldu) é uma raça de fadas ou elfos que se diz viverem nas montanhas, colinas e rochas das Ilhas Faroé. Diz-se que têm uma aparência semelhante à dos humanos, mas são muito menores e têm pele clara e cabelos longos e escuros. Os huldufólk são geralmente criaturas benevolentes, mas podem ser travessos os irritam. [13]
Mara

Na Escandinávia em geral, acredita-se na Mara. Mara (ou, em português, " pesadelo ") aparece em muitas formas diferentes, mas aterroriza os que dormem "cavalgando" no seu peito, causando-lhes sonhos terríveis.
(Isto parece descrever "aparições" comumente vistas e/ou sentidas durante episódios de paralisia do sono.) Os Mara tradicionalmente podiam montar no gado, que ficava sem energia e com o pêlo emaranhados pelo toque deles. As árvores também se encarquilhavam e murchavam ao toque do Mara. Nalguns contos, como o da Banshee, os Mara eram presságios de morte. Se alguém deixasse uma boneca suja na sala duma família, um dos membros ficaria doente e morreria de tuberculose em pouco tempo. (“Fuligem pulmonar”, outro nome para tuberculose, referia-se ao efeito de chaminés que não escoavam o fumo devidamente e foram muito usadas em casas nos séculos XVIII a XIX. Devido à falta de absorção do fumo pelas chaminés, os ocupantes contraíam doenças pulmonares resultantes da inalação diária de fumos e fuligens.)[14]
Existem discrepâncias quanto à forma como a(o)s Mara surgiram. Algumas histórias contam que os Maras são crianças irrequietas, cujas almas deixam os seus corpos à noite para assombrar os vivos. Outro conto diz que só se uma mulher grávida colocasse a placenta duma égua sobre a cabeça antes de dar à luz, a criança nasceria em segurança. Caso contrário se fosse um menino, tornar-se-ia num Lobisomem e se fosse uma menina, numa Mara.
2.jpg)
Nøkken
Nøkken, näcken ou strömkarlen, é uma criatura perigosa que vive em água doce.
O nøkk toca o violino para atrair as suas vítimas ao gelo quebradiço a pé ou para a água em barcos furados e, em seguida, puxa-as para o fundo da água, onde as espera.
O nøkk é um metamorfo, que geralmente se transforma num cavalo ou homem para se apoderar das suas vítimas.
Referências
- ↑ Hammershaimb, V. U.; Jakobsen, Jakob (1891). Antologias Faerosk. [S.l.]: S.L. Mollers bogtrykkeri. OCLC 954234796
- ↑ «O gigante e a bruxa». visitfaroeislands.com (em inglês). Consultado em 30 de Abril de 2023
- ↑ «A espectacular queda d'água de Skógafoss no Sul da Islândia, e a Lenda do Baú do Tesouro» (em inglês). Consultado em 1 de maio de 2023
- ↑ Gudmundsson, August (2017). A gloriosa geologia do círculo dourado da Islândia. [S.l.: s.n.] Bibcode:2017ggig.book.....G. ISBN 978-3-319-55151-7. ISSN 2364-6497. doi:10.1007/978-3-319-55152-4. Cópia arquivada em 6 de setembro de 2023
- ↑ «Os contos populares assustadores por detrás das maravilhas naturais da Islândia». Viagem (em inglês). 8 de agosto de 2017. Consultado em 1 de maio de 2023. Cópia arquivada em 1 de maio de 2023
- ↑ Guðmundsdóttir, Aðalheiður (1 de outubro de 2017). «Behind the cloak, between the lines: Trolls and the symbolism of their clothing in Old Norse tradition». European Journal of Scandinavian Studies. pp. 327–350. ISSN 2191-9402. doi:10.1515/ejss-2017-0022. Consultado em 25 Janeiro de 2024
- ↑ Jakobsson, Ármann (2018). «Horror in the Medieval North: The Troll». The Palgrave Handbook to Horror Literature. pp. 33–43. Consultado em 26 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ Primiano, Leonard Norman; Narvaez, Peter (1996). «The Good People: New Fairylore Essays». The Journal of American Folklore. 105 páginas. ISSN 0021-8715. JSTOR 541728. doi:10.2307/541728
- ↑ {{Citation|last=Esborg|first1=Line|title=Treue und Wahrheit: Asbjørnsen and Moe and the Scientification of Folklore in Norway|date=28 March 2022|journal=Grimm Ripples: The Legacy of the Grimms’ Deutsche Sagen in Northern Europe|pages=185–221|}
- ↑ Lindow, John (28 April 2023). «Swedish Legends and Folktales» (em inglês). University of California Press. ISBN 978-0-520-31777-2. doi:10.2307/jj.2430675 Verifique data em:
|data=(ajuda) - ↑ Taylor, Lynda. The cultural significance of elves in northern European balladry (Phd) (em inglês)
- ↑ Syndergaard, Larry E. (1972). «The Skogsrå of Folklore and Strindberg's The Crown Bride». Comparative Drama (em inglês). pp. 310–322. ISSN 1936-1637. doi:10.1353/cdr.1972.0023. Consultado em 26 de janeiro de 2024
- ↑ Maurer, Konrad (1860). Isländische Volkssagen der Gegenwart... (em alemão). [S.l.]: J. C. Hinrichs. Consultado em 28 April 2023. Cópia arquivada em 28 April 2023 Verifique data em:
|acessodata=, |arquivodata=(ajuda) - ↑ Kooistra, Lorraine (15 Maio de 2018). «Scandinavian Myths and Grimm's Tales in Clemence Housman's The Were-Wolf». editions.covecollective.org (em inglês). Consultado em 25 Janeiro 2024