Huldra

Huldra, pelo escritor Theodor Kittelsen
Ninfas Huldras na margem dum ribeiro (Bernard Evans Ward, 1909)

A huldra é uma criatura sedutora da floresta encontrada no folclore escandinavo. O seu nome deriva dum termo que significa "coberto" ou "secreto".[1] No folclore norueguês, é chamada huldra ("a [arquetípica] huldra", embora o folclore sugira que existe uma raça inteira de Huldras ou Hulders, e não um único indivíduo). No folclore sueco, é conhecida como skogsrå "espírito da floresta" ou Tallemaja "Maria-pinheiro",[2][3][4] e no folclore Sámi, surge por sua vez como ulda. O nome sugere que tanto a Huldra, a figura divina da völva Huld, e a Holda alemã, têm uma origem comum.[5]

A palavra "huldra" é usada para mulheres; um "hulder" masculino, é chamado huldrekall um personagem também existente no folclore norueguês. Este ser mítico é relacionado a outros seres do mundo das trevas subterrâneas, geralmente chamados tusser (tusse, no singular).

Embora descrita como uma mulher bela, a huldra é facilmente detectável através duma característica inumana distinta — pernas e cauda peludas de animal (geralmente vaca ou raposa) e/ou costas que lembram um tronco de árvore oca — disfarçadas com cautela sob um manto ou roupão muito comprido.

A personagem com poderes sobrenaturais, é ambivalente. Pode surgir na forma duma mulher irresistível mas malévola, de longos cabelos pretos, que se banha nua à beira da água e seduz os homens com o seu erotismo e beleza exterior. Ou pode revelar-se num espírito benevolente que salva os humanos de situações perigosas, por exemplo quando perdidos na floresta, ou prestes a cair de falésias potencialmente mortais.[6]

Topónimos

Vários locais da Escandinávia herdaram o nome dos Hulders, com frequência associados, segundo lendas populares, à presença do "povo oculto" nessas áreas. Eis alguns exemplos que mostram a ampla distribuição de topónimos relacionados com os Hulders entre as regiões norte e sul da Escandinávia, e o uso dos termos em topónimos de diferentes grupos linguísticos.[7]

Dinamarquês

  • Huldremose (Pântano das Huldras) é um pântano em Djursland, Dinamarca, famoso pela descoberta da Mulher de Huldremose, um corpo feminino datando aproximadamente de 55 a.C. e preservado graças ao pântano.

Norueguês

  • Hulderheim fica a sudeste da ilha de Karlsøya no condado de Troms, Noruega. O nome significa "Lar dos Hulders".
  • Hulderhusan é uma área na parte sudoeste da maior ilha da Noruega, Hinnøya, cujo nome significa "Casas dos Hulders".

Sámi

  • Ulddaidvárri é uma cidade no município de Kvænangen no condado de Troms (Noruega). O nome significa "Montanha dos Hulders" em Sámi do Norte.
  • Ulddašvággi é um vale a sudoeste de Alta no condado de Finnmark (Noruega). O nome significa "Vale das Huldras" em Sámi do Norte. O pico que guarda a passagem do vale para as montanhas mais altas tem um nome semelhante, Ruollačohkka, que significa "Montanha dos Trolls" — e a grande montanha que preside ao vale na encosta norte desse local é chamada Háldi, um termo semelhante ao já mencionado 'rå' sueco e norueguês, que significa um espírito ou divindade local que governa uma área específica.

Referências

  1. Hellström, AnneMarie. Jag vill så gärna berätta (em norueguês). [S.l.: s.n.] ISBN 9179080022 
  2. Granberg, Gunnar (1935). Skogsrået i yngre nordisk folktradition. Col: Skrifter / utg. av Kungl. Gustav Adolfs akademien för folklivsforskning, 99-0440828-9; 3 (em sueco). Uppsala: Lundequistska bokh. 
  3. Hultkrantz, Åke (1961). The supernatural owners of nature: Nordic symposion on the religious conceptions of ruling spirits (genii loci, genii speciei) and allied concepts. Col: Stockholm studies in comparative religion, 0562-1070; 1 (em inglês). Estocolmo: Almqvist & Wiksell 
  4. Häll, Mikael (2013). Skogsrået, näcken och djävulen: erotiska naturväsen och demonisk sexualitet i 1600- och 1700-talens Sverige (em sueco). Estocolmo: Malört 
  5. «Nordisk familjebok». runeberg.org (em sueco). 1 de janeiro de 1909 
  6. Soderquist, Jehan (2020). «Huldrekall a Collection of Tall Tales about Trolls» (em inglês). academia.edu 
  7. Smith, Edward (2011). «Heathen and Mythological Elements in Scandinavian Placenames». germanic studies.org