Família Burlamacchi

Casa Burlamaqui
Casa di Burlamacchi
Família Burlamacchi
Status Ativa
Estado Itália, Sacro Império Romano Germânico, França, Portugal, Brasil.
Título Patrício;

• Senhor Feudal;
• Senhor das Torres;
Gonfalonier de Lucca;
•Postmaster General da Inglaterra;
•Barão de Fonte Boa;
•Visconde de Fonte Boa;
•Governador de Guadalupe;
•Governador do Piauí;
•Governador de Sergipe;
•Governador do Paraná;
•Governador de Rondônia;
•Intendente de Teresina;
•Cavaleiro da Ordem de Malta;
•Cavaleiro da Ordem de Cristo;
•Oficial da Imperial Ordem de Cristo;
•Oficial da Imperial Ordem da Rosa;
•Comendador da Ordem Real de São Luís;
•Provedor da Irmandade da Santa Cruz dos Militares.

Origem
Fundador Buglione Burlamacchi
Fundação Século XIII
Etnia Caucasiana
Atual soberano
Linhagem secundária

A Casa de Burlamacchi, também conhecida pela grafia aportuguesada Familia Burlamaqui (em italiano: Casa di Burlamacchi), é uma família nobre da Itália, originada da República de Lucca foi uma das mais importantes deste país e da península italiana antes da unificação, sendo uma família Nobre Feudal, Patricia e Senhores de Torres. Se destacando particularmente no comércio e na política nos séculos XIV-XIX na Itália e no Brasil.[1][2]

Historia

O fundador da família se chamava Buglione; o sobrenome, porém, não era Burlamacchi, mas Ansenesi.

No tempo em que os pisanos tiranizavam Lucca, Buglione incitou o povo contra a dominação pisana. Então, com uma espada, à frente dos revoltosos, dirigiu-se ao palácio onde se alojava o cônsul de Pisa e, sem muitas cerimônias, matou-o. Desde então, não foi mais conhecido por outro nome senão o de Burlamatto, o qual, ligeiramente alterado, seus descendentes conservaram em memória do acontecimento, abandonando por completo o antigo sobrenome dos Ansenesi.[3]

Sendo assim a tradição erudita de Lucca remonta o nome Burlamacco ao início do século XIII, quando viveu Buglione Burlamacchi. De seu filho Brunetto, nasceu Baldinotto Burlamacchi, de quem descende Pietro Burlamacchi, pai de Niccolò Burlamacchi de quem descendem todos os Burlamacchi.

Desde 1278, a família Burlamacchi estava entre os guelfos e em 1308 "omnes et singuli filii Burlamacchi." Já no final do século XIII é dado pela sede da "camera lucani comunis" "in domo filiorum Burlamacchi", naquela paróquia de S. Alessandro Maggiore que permaneceu como residência da família durante séculos e onde uma "domus magna" dos Burlamacchi é atestada, já no século XIV.

Em 1308 houve uma revolta popular, e os Burlamacchi foram processados ​​juntamente com outras famílias nobres, os Potentadas e Casatici — esses eram os nomes dados aos senhores dos castelos.

Brasão da familia Burlamacchi

A riqueza da família pode ser atribuída acima de tudo à florescente produção e comércio de tecidos de seda fina, pelos quais Lucca se destacou até meados do século XVII. E a rede comercial dos Burlamacchi se estendia de Portugal à França, Suíça e Flandres.

No século XVI, vários membros da família abraçaram a Reforma Luterana e foram forçados a se refugiar na França, onde alguns escaparam na Noite de São Bartolomeu em Paris e mais tarde foram para o reduto protestante de Genebra.[4][5][1]

Período de Decadência

Francesco Burlamacchi

Em 1549, Francesco Burlamacchi, sendo Gonfalonier e líder do exercito da República de Lucca, idealizou a libertação de Pisa do domínio florentino e, posteriormente, a criação de uma confederação de estados na Itália, onde os povos poderiam viver em paz, sem medos e, portanto, livres. No entanto, esse movimento não foi bem aceito por Cosimo de Médici nem pelo povo de Lucca, que temia o poder opressor e a ganância dos florentinos. Francesco foi traído por seus concidadãos e entregue aos tribunais do Imperador Carlos V, que o torturou e decapitou.

Quatro séculos depois, Francesco foi proclamado o “primeiro mártir” da unificação da Itália, e o povo de Lucca ergueu um imponente monumento de mármore em sua homenagem, atualmente situado na central Piazza San Michele.[6][7]

Portugal e Brasil

No século XVIII, Ippolito Burlamacchi e seu irmão Carlo Burlamacchi foram até Portugal representar os interesses comerciais e políticos da família Burlamacchi em Portugal.

Ippolito Burlamacchi se casou com a nobre portuguesa Matilde Valentina Pedegache Brandão e teve como filho Carlos César Burlamaqui. Juntando assim a nobreza italiana com a nobreza lusitana e criando os Burlamaqui brasileiros de onde descendem todos os Burlamaqui do Brasil.

Carlos César Burlamaqui trocou o comercio pelas armas vindo a se tornar militar, sendo designado capitão de infantaria da Legião de Tropas Ligeiras e depois enviado ao Brasil para assumir o governo do Piauí.

Em 1805 se tornou cavaleiro da Ordem de Cristo. E no ano seguinte entrou na politica sendo em 1806 nomeado governador da Capitania do Piauí, vindo a sair do governo em 1810. No ano de 1821 foi nomeado por carta régia de Dom João VI Capitão-Geral da Capitania de Sergipe del Rey, sendo o primeiro governador daquela província até os acontecimentos da Revolução do Porto no mesmo ano.

Com o Independência do Brasil em 1822, Burlamaqui apoiou o movimento já se considerando brasileiro e em agradecimento ao apoio o recém criado Império do Brasil o elevou a condição de Coronel.

Passaria seus últimos dias entre Oeiras no Piauí e o Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 23 de Maio de 1844 e foi sepultado envolto em vestes militares na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

Entre seus descendentes famosos está o seu filho o diretor do Museu Nacional e mineralogista Frederico Leopoldo César Burlamaqui, e seu outro filho o político e jornalista Tiberio César Burlamaqui e o seu neto desembargador e politico Polidoro César Burlamaqui, que foi governador do Piauí e Paraná.[8][9][2][10][3]

França

Salvatore Burlamacchi, banqueiro em Lucca, Amsterdã e Lyon, nasceu em 9 de novembro de 1602, em Lucca, e casou-se com Marguerite de Lumagne, filha do banqueiro Jean André Lumague e irmã de Marie Lumague. Em 1633, Salvatore recebeu cartas de naturalização. Seu filho, François Burlamacchi foi pajem de Luís XIV e, em 1673, casou-se com Marie Picot, filha de Jacques, senhor de Vivier e Motte de Coutevroult, mordomo comum do rei.

Seu bisneto, Jean François, capitão do regimento Dauphin, faleceu em junho de 1734 durante a Batalha de Parma e a esposa dele Claude Gatian, era filha de um conselheiro e mestre de pedidos do Parlamento de Paris. E a irmã de Jean François, Catherine Isidore de Bourlamaque, foi abadessa da abadia de Pont-aux-Dames de 1727 até sua morte em 1752.

Dessa união entre Jean e Claude nasceria François Charles de Bourlamaque que foi um general francês do século XVIII. E teve uma carreira militar distinta, começando como engenheiro militar, passando por capitão assistente, coronel de infantaria, comandante de infantaria, general de brigada, major-general, comendador da Ordem Real e Militar de São Luís, e, finalmente, governou Guadalupe.[11][12]

Personalidades

A Familia Burlamacchi e seus ramos Burlamaqui, Bourlamaque teve como seus membros ilustres:

Referências

  1. a b c «Burlamacchi - Enciclopedia». Treccani (em italiano). Consultado em 8 de fevereiro de 2025 
  2. a b Cenni, Franco (2003). Italianos no Brasil: "andiamo in 'Merica..." 3. ed ed. São Paulo: EDUSP, Ed. da Univ. de Saõ Paulo
  3. a b «Ascendência pela família Burlamaqui - MARCOS FILGUEIRA». marcosfilgueira.wikidot.com. Consultado em 8 de fevereiro de 2025 
  4. Gherardo Burlamacchi, Diario (sec. XVI)
  5. Baroni, G.V (1108). Notizie genealogiche delle famiglie lucchesi (sec. XVIII). Lucca: Bibl. govern. pp. Pp. 230,237,241 s., 253,276,302,304,333,457,459 ss
  6. Francesco Burlamacchi, Costituti (28 ag-19 ott. 1546), editi, con molte lacune, da C. Minutoli in appendice a G. Tommasi, Sommario della storia di Lucca, in Arch. stor. ital., X (1847), pp. 146–162
  7. «BURLAMACCHI, Francesco - Enciclopedia». Treccani (em italiano). Consultado em 8 de fevereiro de 2025 
  8. M.S.Sampaio, Mauro (2016). «A Verdadeira Equipa do Marquês de Pombal, os Mercadores-Banqueiros e a Arte da Seda». 2016: [s.n.] ISBN 978-989-20-6964-7 
  9. Andrade, Manuel Correia de Oliveira (1992). A Itália no Nordeste: contribuição italiana ao Nordeste do Brasil. [S.l.]: Editora Massangana. p. 173 
  10. Seguro), Francisco Adolfo de Varnhagen (Visconde de Porto (1957). História da independência do Brasil até ao reconhecimento pela antiga metrópole: comreendendo, separadamente, a dos sucessos ocorridos em algumas províncias até essa data. [S.l.]: Edições Melhoramentos 
  11. «IREL, visualisation d'images». anom.archivesnationales.culture.gouv.fr. Consultado em 14 de fevereiro de 2025 
  12. «BOURLAMAQUE, FRANÇOIS-CHARLES DE». Dictionnaire biographique du Canada. Consultado em 8 de fevereiro de 2025 
  13. Judges, A. V. (1926). «Philip Burlamachi: A Financier of the Thirty Years' War». Economica (18): 285–300. ISSN 0013-0427. doi:10.2307/2547816. Consultado em 18 de abril de 2025 
  14. «sobreProvedoria». iscm.com.br. Consultado em 5 de dezembro de 2025 
  15. «Polidoro César Burlamaqui | Tribunal de Justiça do Piauí». www.tjpi.jus.br. Consultado em 8 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2025 
  16. Varzeano, José (domingo, 15 de dezembro de 2013). «Correio das Lembranças: Joaquim Augusto Burlamaqui Marecos». Correio das Lembranças. Consultado em 24 de maio de 2025  Verifique data em: |data= (ajuda)
  17. Rondônia, Governo do Estado de; Munhoz, Célio Montezuma Caldieri (7 de dezembro de 2018). «História de Rondônia: Jesus Bulamarqui Hosannah, 6º governador, "homem forte" de Aluízio Ferreira, abriu estradas vicinais». Governo do Estado de Rondônia. Consultado em 17 de abril de 2025