Escândalo do Banco Master

Escândalo do Banco Master
Local do crime Brasil
Datanovembro de 2025 – presente
SituaçãoEm investigação

O escândalo do Banco Master[1][2] consiste por uma série de investigações em andamento sobre supostas fraudes financeiras no Banco Master e as relações políticas de seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso ganhou repercussão no Brasil no final de 2025 com a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal e a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, além da prisão de Vorcaro no mês de novembro.[3]

Histórico

As investigações sugerem que um esquema de fraudes teria sido arquitetado para encobrir um rombo financeiro no Banco Master. O controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, teria feito conexões com políticos e autoridades influentes para tentar impedir a liquidação extrajudicial.

Aquisição do banco e expansão

Daniel Vorcaro em 2024.

Em 2018, Daniel Vorcaro assumiu o controle do então chamado Banco Máxima, que anos antes esteve perto de decretar falência após uma crise de inadimplência.[4] Sob nova direção e já sob o nome de Banco Master, o banco ampliou a captação de recursos através da oferta de certificados de depósito bancário (CDBs) com rendimentos muito acima da média de mercado.

Essa estratégia fez com que a instituição crescesse de forma exponencial entre 2019 e 2024, onde o patrimônio líquido saltou de R$ 200 milhões para 4,7 bilhões de reais, além do crescimento das carteiras de crédito, que passaram de 1,4 bilhão para 40 bilhões de reais.[5] Os recursos captados pela emissão de CDBs eram frequentemente direcionados a fundos geridos pelo próprio banco, compostos por ativos de empresas em reestruturação financeira, como a Oi, Gafisa, Light, CVC e a Ambipar.[6]

Crise financeira

Esse modelo de negócio começou a apresentar problemas entre 2024 e 2025 conforme a instituição precisava pagar os rendimentos desses investimentos de alta rentabilidade.[7] Para capitalizar o negócio e cumprir com os pagamentos dos CDBs, o banco passou a vender parte de seus ativos em meados de 2024, como carteiras de crédito consignado que estavam sob seu controle e fundos geridos pela instituição.[8]

As carteiras de crédito consignado são uma espécie de empréstimo para servidores públicos estaduais e municipais onde as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento.[7][1] A investigação apurou que, no entanto, algumas dessas carteiras de crédito comercializadas pelo Banco Master teriam sido "fabricadas" ou lastreadas em ativos inexistentes ou de baixa qualidade.[9]

Como a qualidade das carteiras de crédito já era considerada suspeita à época,[5] as investigações também focaram sobre as entidades de previdência estaduais e municipais que aplicaram recursos em papéis do Master. Segundo apurações, ao menos 18 fundos de previdência de estados e municípios fizeram aplicações em letras financeiras e outros ativos do banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, com exposição total estimada em cerca de R$ 1,876 bilhão.[10] Entre os mais expostos, estavam a Rioprevidência do Estado do Rio de Janeiro (com R$ 970 milhões investidos) e a Amprev do Amapá (com R$ 400 milhões investidos).[10]

Outro ponto sendo investigado é uma operação envolvendo a venda de uma carteira de crédito ao Banco de Brasília (BRB).[11]

Após identificar indícios de deterioração financeira, o Banco Central intensificou a supervisão sobre a instituição.[7]

Conexões com políticos e autoridades

Nessa época, Daniel Vorcaro também esteve no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 encontrando-se com Lula e, segundo a imprensa, teria solicitado orientações relacionadas à possibilidade de liquidez.[12]

Liquidação extrajudicial e Operação Compliance Zero

Diante do agravamento do quadro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025, afastando seus administradores e nomeando um liquidante. Em comunicados oficiais repercutidos pela imprensa, a autoridade monetária afirmou que a medida visava preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e mitigar riscos sistêmicos.[3]

A Operação Compliance Zero é a investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar possíveis crimes financeiros relacionados às atividades do Banco Master. A apuração investiga suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de títulos sem lastro comprovado, manipulação de demonstrações financeiras e lavagem de dinheiro por meio de estruturas societárias complexas.[2][8]

No âmbito da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra executivos, investidores e empresas ligadas ao banco. Parte das investigações tramita sob sigilo judicial, inclusive em razão do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, o que levou alguns processos ao Supremo Tribunal Federal.[3]

As fases da operação foram a primeira em 17 de novembro de 2025 e a segunda em 14 de janeiro de 2026.[13][14]

Investigação no STF

O relator da ação no STF é o ministro Dias Toffoli.[15]

CPI do Banco Master

Em 2 de fevereiro de 2026, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) anunciou que protocolou um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar as fraudes financeiras bilionárias do Banco Master.[16]

Desdobramentos

O caso teve ampla repercussão institucional e política. Parlamentares passaram a defender a abertura de comissões parlamentares de inquérito, enquanto o Tribunal de Contas da União iniciou procedimentos para avaliar a atuação do Banco Central no processo de liquidação.[3]

Especialistas entrevistados pelo Valor Econômico e pelo Estadão afirmaram que o episódio pode levar a mudanças estruturais na regulação do sistema financeiro brasileiro, com maior rigor na supervisão bancária e na governança de instituições de médio porte.[17]

Impacto sobre investidores

Com a liquidação do Banco Master, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir correntistas e investidores elegíveis, respeitando os limites legais por CPF ou CNPJ, o volume de recursos mobilizado no caso representa o maior acionamento da história do fundo.[18]

Os pagamentos tiveram início de forma escalonada em 2026 e passaram a ser acompanhados de perto por órgãos reguladores e entidades de defesa do consumidor, em razão do elevado impacto econômico e social do episódio.[17]

Manifestações

O Movimento Brasil Livre (MBL) convocou e realizou uma manifestação em 22 de janeiro de 2026, em frente à sede do Banco Master, na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo. O ato foi divulgado pelo grupo nas redes sociais e reuniu centenas de manifestantes, que exigiram maior transparência nas investigações e responsabilização dos envolvidos. Também foram ouvidas palavras de ordem contra o proprietário do banco e contra o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF.[15]

Outras operações da Polícia Federal

Em 3 de fevereiro de 2026, os agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal prenderam o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, que foi interceptado em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro após retornar de viagem ao exterior. A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF. As investigações envolvem investimentos no Banco Master.[19] A prisão do ex-presidente foi motivada pela descoberta de segundo apartamento alugado no mesmo prédio em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, onde a PF fez uma operação de busca e apreensão no dia 23 de janeiro do mesmo ano. Deivis negou todas as acusações.[20]

Referências

  1. a b Leandro Prazeres (27 de janeiro de 2026). «Banco Master: o que se sabe até agora sobre crise e o que falta descobrir». BBC News Brasil. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  2. a b Lais Godinho (22 de janeiro de 2026). «Quem são as pessoas e empresas no centro do escândalo do Master?». Valor Econômico. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  3. a b c d Vitória Queiroz (12 de janeiro de 2026). «Caso Master: relembre a liquidação do banco que envolve BC, STF e TCU». CNN Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  4. Bianca Alvarenga (18 de dezembro de 2022). Metrópoles, ed. «Após repaginar o Máxima, banqueiro revoluciona a Le Lis e a Dudalina». Consultado em 3 de março de 2023 
  5. a b «A derrocada de um banqueiro: os bastidores da prisão de Vorcaro e do escândalo do Banco Master». VEJA. 21 de novembro de 2025. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  6. Janize Colaço e Micaela Santos (18 de novembro de 2025). «CDBs irreais e carteiras de crédito falsas: entenda o que está por trás da liquidação do Banco Master». G1. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  7. a b c Aith, Marcio (23 de dezembro de 2025). «BC desconhece fábrica de créditos falsos no sistema financeiro». Poder360. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  8. a b Daniel Gallas (14 de janeiro de 2026). «As conexões de Daniel Vorcaro e do Banco Master na política e na Justiça». BBC News Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  9. Janize Colaço e Micaela Santos (18 de novembro de 2025). «Entenda o que está por trás da liquidação do Banco Master». G1. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  10. a b «Banco Master recebeu investimentos de 18 fundos previdenciários, confira a lista». InfoMoney. 19 de novembro de 2025. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  11. «BRB injetou R$16,7 bi no Banco Master; MP investiga fraude». G1. 18 de novembro de 2025. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  12. «Lula inaugurou fábrica de Vorcaro em Minas Gerais em 2024». Poder360. 28 de janeiro de 2026. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  13. «Relembre o que é a operação Compliance Zero, que investiga dono do Master». CNN Brasil. 14 de janeiro de 2026. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  14. «Compliance Zero: PF vai ouvir 8 investigados do caso Master-BRB; saiba quem depõe». InfoMoney. 25 de janeiro de 2026. Consultado em 28 de janeiro de 2026 
  15. a b Boscato, Victor (23 de janeiro de 2026). «Contra o Master, manifestantes pedem novo relator no STF». Poder360. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  16. «Deputado do DF protocola pedido de criação de CPI para investigar fraudes financeiras do Master». G1. 2 de fevereiro de 2026. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  17. a b Juliana Garçon (23 de janeiro de 2026). «CVM, alvo de debate no caso Master, tem só 379 inspetores para fiscalizar R$ 42 trilhões em ativos». Estadão. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  18. Carolina Calin (17 de janeiro de 2026). «FGC anuncia que clientes do Master já podem pedir dinheiro de volta. Saiba como». O Globo. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  19. Marco Antônio Martins e Márcia Brasil (3 de fevereiro de 2026). «PF e PRF prendem ex-presidente do Rioprevidência». G1. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  20. Marcelo Gomes (4 de fevereiro de 2026). «Descoberta de segundo apartamento foi motivo para prisão de ex-presidente do Rioprevidência». G1. Consultado em 6 de fevereiro de 2026