Erythemis

Erythemis
Erythemis peruviana (Rambur, 1842)
Erythemis peruviana
(Rambur, 1842)
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Odonata
Subordem: Anisoptera
Superfamília: Libelluloidea
Família: Libellulidae
Subfamília: Sympetrinae
Gênero: Erythemis
(Hagen, 1861)

Erythemis é um gênero estabelecido por Hermann August Hagen, em 1861, dentro da ordem Odonata, família Libellulidae, composto por dez espécies distribuídas nas zonas Neártica e Neotropical.[1]

Etimologia

Erythemis – oriunda da junção do grego e̍rythrós, vermelho; e θέμις, Themis, deusa grega da ordem e da justiça. Presume-se que Hagen escolheu Themis, tanto para respeitar a moda vigente à época, que consistia em dar um nome relacionado à mitologia, quanto por ser particularmente bem adaptada à taxonomia, a ciência que visa descrever, ordenar e classificar famílias, gêneros e espécies. O qualificador vermelho, se explica pelo fato de Hagen ter incluído neste novo gênero três espécies cujos abdômens masculinos são vermelhos ou ferruginosos.[2]

Espécies

Distribuição geográfica

Erythemis (Hagen, 1861) está distribuído por toda a América. As espécies E. attala (Selys, 1857), E. mithroides (Brauer, 1900), E. peruviana (Rambur, 1842), E. plebeja (Burmeister, 1839) e E. vesiculosa (Fabricius, 1775) ocorrem em todos os continentes americanos, enquanto E. credula (Hagen, 1861) e E. haematogastra (Burmeister, 1839) são restritas à América do Sul e Central. E. carmelita (Williamson, 1923) é encontrada na Colômbia, Peru, Venezuela, Brasil e Panamá. E. simplicicollis (Say, 1839) distribui-se pelo México, América Central e América do Norte, enquanto E. collocata (Hagen, 1861) está restrita à América do Norte.[3][4][5][6]

Sistemática e taxonomia

Erythemis (Odonata: Anisoptera: Libellulidae) foi incluído em algumas análises filogenéticas de espécies de famílias e subfamílias que demonstraram sua relação com gêneros como Perithemis Hagen, 1861, Rhodopygia (Kirby, 1889) e Sympetrum (Newman, 1833).[7][8][9][10] Atualmente, a taxonomia do grupo baseia-se em características do tórax, fêmur posterior, genitália e asas. No entanto, é possível confundir grupos de espécies como E. attala, E. plebeja e E. credula, situação que se repete para E. haematogastra, E. carmelita e E. mithroides' , e para E. simplicicollis, E. collocata e E. vesiculosa. A complexidade e a ambiguidade de alguns dos caracteres propostos levaram à sua revisão cuidadosa, recodificando-os e avaliando seu valor taxonômico. As informações encontradas foram úteis na separação de espécies dentro do gênero. Vinte e cinco caracteres de venação alar, nove caracteres de genitália, 62 caracteres de coloração e 14 relacionados ao tórax, cercos e pernas foram analisados. O sinal filogenético desses sistemas de caracteres foi comparado por meio do rastreamento de caracteres e da comparação do índice de retenção das árvores de consenso obtidas nas análises particionadas e de evidência total. Dos 109 caracteres analisados, apenas nove são homólogos. O sistema de caracteres Tórax-Pernas-Abdome e o sistema de genitália apresentaram o maior sinal filogenético nas análises particionadas, enquanto na análise de evidência total, os sistemas com maior sinal filogenético foram os sistemas de venação alar e genitália. Esses achados sugerem que Erythemis não é um grupo natural, uma vez que uma recodificação do caráter relacionado à estrutura femoral posterior mostrou que ele é compartilhado por Erythemis e os gêneros Rhodopygia, Perithemis e Libellula e que os caracteres da genitália, diferentemente do que é proposto na literatura, fornecem um sinal filogenético maior do que outros sistemas.[11]

Etologia

Libélulas deste gênero são territoriais e toleram bem altas temperaturas.[12][13] Os machos exibem sinais constantes de agressão heteroespecífica enquanto procuram parceiros e alimento.[14][15]

Referências

  1. «Erythemis Hagen, 1861». GBIF Secretariat. GBIF Backbone Taxonomy. Checklist dataset. 2023. doi:10.15468/39omeivia=GBIF.org. Consultado em 16 de julho de 2025 
  2. Heinrich Fliedner & Ian Endersby (2019). The Scientific Names of North American Dragonflies (PDF) (em inglês). Montmorency, Vic., Australia: Busybird Publishing. ISBN 978-1-925949-08-7 
  3. Paulson, D. R. (2025). «South American Odonata. List of the Odonata of South America, by country». pugetsound.edu. Tacoma, WA: Puget Sound Museum of Natural History. University of Puget Sound. Consultado em 16 de julho de 2025 
  4. Paulson, D. R. (2025). «Middle American Odonata By Country». pugetsound.edu. Tacoma, WA: Puget Sound Museum of Natural History. University of Puget Sound. Consultado em 16 de julho de 2025 
  5. Paulson, D. R. (2024). «West Indian Odonata». pugetsound.edu. Tacoma, WA: Puget Sound Museum of Natural History. University of Puget Sound. Consultado em 16 de julho de 2025 
  6. Paulson, D. R. (2025). «The Odonata of North America». pugetsound.edu. Tacoma, WA: Puget Sound Museum of Natural History. University of Puget Sound. Consultado em 16 de julho de 2025 
  7. Saux, C.; Simon, C.; Spicer, G.; (2003). «Phylogeny of the dragonfly and damselfly order Odonata as inferred by mitochondrial 12S ribosomal RNA sequences». Annals of the Entomological Society of America. 96 (6): 693–699. doi:10.1603/0013-8746(2003)096[0693:POTDAD]2.0.CO;2 
  8. Carle, F. L.; Kjer, K. M. (2002). «Phylogeny of Libellula Linnaeus (Odonata: Insecta)». Zootaxa. 87 (1): 1–18. doi:10.11646/zootaxa.87.1 
  9. Hasegawa, E.; Kasuya, E. (2006). «Phylogenetic analysis of the insect order Odonata using 28S and 16S rDNA sequences: a comparison between data sets with different evolutionary rates». Entomolical Science. 9 (1): 55–66. ISSN 1479-8298. doi:10.1111/j.1479-8298.2006.00154.x 
  10. Bybee, S. M.; Ogden, T. H.; Branham, M.A.; Whiting, M. F. (2008). «Molecules, morphology and fossils: a comprehensive approach to Odonate phylogeny and the evolution of the Odonate wing». Cladistics. 24 (4): 477–514. PMID 34879634. doi:10.1111/j.1096-0031.2007.00191.x 
  11. Palacino Rodríguez, Fredy; Sarmiento, Carlos; Gonzalez-Soriano, Enrique (2015). «Morphological variability and evaluation of taxonomic characters in the genus Erythemis Hagen, 1861 (Odonata: Libellulidae: Sympetrinae)». Insecta Mundi (0428): 1–68 
  12. May, M. L. (1976). «Thermoregulation and adaptation to temperature in dragonflies (Odonata: Anisoptera)». Ecological Monographs. 46 (1): 1–32. doi:10.2307/1942392 
  13. McVey, M. E. (1981). Lifetime reproductive tactics in a territorial dragonfly, Erythemis simplicicollis (Odonata, Libellulidae). thesis (Tese de PhD). New York: The Rockefeller University 
  14. Baird, J. M.; May, M. L. (2003). «Fights at the dinner table: agonistic behavior in Pachydiplax longipennis (Odonata: Libellulidae) at feeding sites». Journal of Insect Behavior. 16: 189–216. doi:10.1023/A:1023963717997 
  15. De Marco Jr., P.; Latini, A. O.; Resende, D. C. (2005). «Thermoregulatory constraints on behavior: patterns in a neotropical dragonfly assemblage». Neotropical Entomology. 34 (2): 155–162. doi:10.1590/S1519-566X2005000200002