Erythemis plebeja
Erythemis plebeja
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![]() Erythemis plebeja (Burmeister, 1839) | |||||||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Erythemis plebeja (Burmeister, 1839) | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||
| Libellula plebeja (Burmeisteir, 1839) [2] Basinômio | |||||||||||||||||||
Erithemis plebeja (Burmeister, 1839) é uma Odonata neotropical pertencente a subordem Anisoptera, família Libellulidae. A espécie é conhecida popularmente por libélula cauda-de-alfinete. As libélulas também são conhecidas pelos nomes lava-bunda, lavadeira, cavalo-de-judeu, zig-zag, jacinta e donzelinha, entre outros.[3][4][5]
Etimologia
Erythemis – (Hagen, 1861), do grego e̍rythrós, vermelho, e Themis, deusa grega da ordem e da justiça. Presume-se que Hagen escolheu Themis, tanto para respeitar a m oda vigente à época, que consistia em dar um nome relacionado à mitologia, quanto por ser particularmente bem adaptada à taxonomia, a ciência que visa descrever, ordenar e classificar famílias, gêneros e espécies. O qualificador vermelho, se explica pelo fato de Hagen ter incluído neste novo gênero três espécies cujos abdômens masculinos são vermelhos ou ferruginosos.[6]
Plebeja – do latim plēbs ou plēbes, a classe do povo da Roma Antiga, os plebeus (por oposição aos patrícios, a classe nobre). No sentido figurado: ordinário, comum.[7]
Distribuição geográfica
Erithemis plebeja é uma Libellulidae de ampla distribuição geográfica que ocorre na América do Norte (Texas e Flórida nos EUA e México), América Central, incluindo as Antilhas, e América do Sul, com exceção do Chile. No Brasil, ocorre em todos os biomas e em todas as bacias hidrográficas.[1][8]
Morfologia
Macho – labium preto ou marrom, com ou sem uma faixa longitudinal escura ao longo da região mediana. Testa e partes superiores marrons ou pretas com reflexos violáceos. Tórax marrom com manchas amarelas ou completamente preto com ou sem uma faixa mais clara na região dorsal. Fêmur marrom, parte anterior marrom e parte posterior preta ou completamente preta. Tíbia completamente marrom. Abdômen marrom, preto com manchas amarelas ou marrons, ou completamente preto com pruiniscência. Apêndice abdominal superior marrom, preto com marrom, ou completamente preto. Asas com uma mancha basal marrom ou preta e pontas esfumaçadas.[9]
Fêmea – labium amarelo ou preto com manchas amarelas, amarelo com manchas marrons ou completamente marrom, com áreas marrons mais escuras e uma faixa preta longitudinal na seção média. Testa marrom, verde, amarela, amarela com manchas marrons com ou sem reflexos violetas. Vertex amarelo com reflexos verdes e uma borda anterior preta, completamente marrom ou pret, amarelo ou verde com manchas marrons ou marrom com marcas pretas. Tórax marrom, amarelo com reflexos verdes ou marrom com marcas amarelas. Alguns espécimes têm um tórax marrom com áreas mais escuras. Uma faixa de cor clara aparece na região dorsal do tórax. Tíbia e fêmur são completamente marrons ou pretos ou marrons com áreas pretas. Alguns espécimes têm sombras na tíbia. Abdômen: marrom ou preto com manchas amarelas, marrom com manchas pretas ou marrom com manchas amarelas e pretas. Os apêndices abdominais são marrons, amarelos com um ápice marrom ou marrons com quartos traseiros pretos. Asas com uma mancha basal amarela, marrom ou preta, com ápice esfumaçado. O dorso é amarelo com margem costal marrom ou preta.[10]
Larva – uma característica que diferencia a larva de E. plebeja de outras larvas do gênero é a presença de oito cerdas palpais.[11][12]
Ecologia
E. plebeja habita lagos e águas represadas e apresenta um padrão comportamental que a classifica como uma espécie de poleiro. A postura mais comum observada é a de poleiro de asas caídas. É uma espécie agressiva e territorialista. Os machos se encontram empoleirados em galhos secos de vegetação próximos ao solo ou, usualmente, no próprio solo, em áreas adjacentes a corpos d'água, constantemente praticando agressões heteroespecíficas. A atividade dos machos de E. plebeja restringe-se ao período entre 10:00 e 16:00 horas, com pico de abundância às 14:00 horas, horário de maior temperatura do ar. Após o período de pico das atividades territoriais e reprodutivas (cópula e oviposição) diminui acentuadamente. A grande quantidade de tempo que os machos passam defendendo seu território pode ser atribuida, em parte, à sua alta capacidade de termorregulação por irradiação.[13][14] Os machos são comumente observados simulando atividade de oviposição, um comportamento aparentemente altruísta provavelmente destinado a atrair organismos predadores, como sapos, para se alimentarem deles, o que levaria ao aumento da sobrevivência de fêmeas e filhotes.[15][16]
Referências
- ↑ a b Paulson, D. R. (2017). «Erythemis plebeja». The IUCN Red List of Threatened Species. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017 (2017): e.T164992A80693073. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T164992A80693073.en
. Consultado em 30 de junho de 2025
- ↑ Burmeister, Hermann (1839). Handbuch der Entomologie. 2. Berlim: Theod. Chr. Friedr. Enslin. p. 836
- ↑ Rafael, J. A.; Melo, G. A. R.; De Carvalho, C. J. B.; Casari, S.; Constantino, R., ed. (2012). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. [S.l.]: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. ISBN 978-65-5633-046-4. doi:10.61818/56330464
- ↑ «Erythemis plebeja (Burmeister, 1839)». in GBIF Secretariat (2023). GBIF Backbone Taxonomy. Checklist dataset https://doi.org/10.15468/39omei. Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2025 – via GBIF.org
- ↑ Aguilera, V. de A.; Silva, H. C. da (2021). «As denominações para libélula, no Atlas Linguístico do Brasil: um estudo sobre a motivação dos signos». São José do Rio Preto. Alfa: Revista de Linguística. 65: e13455. doi:10.1590/1981-5794-13455
- ↑ Heinrich Fliedner & Ian Endersby (2019). The Scientific Names of North American Dragonflies (PDF) (em inglês). Montmorency, Vic., Australia: Busybird Publishing. ISBN 978-1-925949-08-7
- ↑ Fliedner, H. (2006). «The scientific names of the Odonata in Burmeister's 'Handbuch der Entomologie'» (PDF). Virgo - Mitteilungsblatt des Entomologischen Vereins Mecklenburg (em inglês). 9: 1–28
- ↑ De Marco Jr., P.; Juen, L.; Carvalho, A. L.; Brant, A.; Santos, D. S. V.; Santos, D. A.; Vilela, D. S.; Lacerda, D. S. S.; Lencioni, F. A. A.; Santos, J. C.; De Oliveira Jr., J. M. B.; Furieri, K. S.; Brasil, L. S.; Rodrigues, M. E.; Dalzochio, M. S.; Ferreira, R. G. N.; Koroiva, R.; Neiss, U. G.; De Ávila Jr., W. F.; Pinto, Â. P. (2023). «Erythemis plebeja». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade - SALVE. doi:10.37002/salve.ficha.30686.2
- ↑ Palacino Rodríguez, Fredy; Sarmiento, Carlos; Gonzalez-Soriano, Enrique (2015). «Morphological variability and evaluation of taxonomic characters in the genus Erythemis Hagen, 1861 (Odonata: Libellulidae: Sympetrinae)». Insecta Mundi (0428): 1–68
- ↑ Rodríguez, Felix Palacino (2011). Taxonomía y filogenia del género Erythemis Hagen, 1861 (Odonata: Libellulidae) (PDF). Postgrado (Tese de Magister en Ciencias) (em espanhol). Bogotá: Universidad Nacional de Colombia. Faculdad de Ciencias. Departamento de Biologia
- ↑ Costa, J. M.; Pujol-Luz, J. R. (1993). «Descrição da larva de Erythemis mithroides (Brauer) e notas sobre outras larvas conhecidas do gênero (Odonata, Libellulidae)». Revista Brasileira de Zoologia. 10 (3): 443–448. doi:10.1590/S0101-81751993000300011
- ↑ Calvert, Philip P. (1927). «Report on Odonata, including notes on some internal organs of the Larvae, collected by the Barbados-Antigua expedition from the University of Iowa in 1918». Iowa City: University of Iowa. University of Iowa Studies: Studies in Natural History. 12 (3): 1–55
- ↑ May, Michael L. (1979). «Insect Thermoregulation». Ann. Rev. Entomol. 24: 313-349. doi:10.1146/annurev.en.24.010179.001525
- ↑ May, Michael L. (1977). «Thermoregulation and Reproductive Activity in Tropical Dragonflies of the Genus Micrathyria». Ecology. 58 (4): 787–798. doi:10.2307/1936214
- ↑ De Marco Júnior, Paulo; Latini, A.; Ribeiro, P. H. E. (2002). «Behavioural ecology of Erythemis plebeja (Burmeister) at a small pond in Southeastern Brazil (Anisoptera : Libellulidae)» (PDF). Odonatologica. 31 (3): 305–312
- ↑ De Marco Jr., P.; Latini, A. O.; Resende, D. C. (2005). «Thermoregulatory constraints on behavior: patterns in a neotropical dragonfly assemblage». Neotropical Entomology (em inglês). 34 (2): 155–162. doi:10.1590/S1519-566X2005000200002

