Erythemis mithroides
Erythemis mithroides
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![]() Erythemis mithroides (Brauer, 1900) | |||||||||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||||
| Erythemis mithroides (Brauer, 1900) | |||||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||||
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Erythemis mithroides é uma Odonata neotropical pertencente a subordem Anisoptera, família Libellulidae. As espécies dessa ordem são conhecidas popularmente por libélulas, e também conhecidas pelos nomes lava-bunda, lavadeira, cavalo-de-judeu, zig-zag, jacinta e donzelinha, entre outros.[3][4]
As libélulas desempenham um importante papel ecológico: são predadores eficientes de uma enorme variedade de insetos, consumidos em grandes quantidades, tanto na fase adulta como na larval; são presas de animais maiores, alimentando pássaros, peixes, répteis, anfíbios e outros artrópodes; e são importantes bioindicadores para avaliação da qualidade da água doce e monitoramento da conservação de zonas úmidas.[5]
Etimologia
Erythemis – (Hagen, 1861), do grego e̍rythrós, vermelho, e Themis, deusa grega da ordem e da justiça. Presume-se que Hagen escolheu Themis, tanto para respeitar a moda vigente à época, que consistia em dar um nome relacionado à mitologia, quanto por ser particularmente bem adaptado à taxonomia, a ciência que visa descrever, ordenar e classificar famílias, gêneros e espécies. O qualificador vermelho, se explica pelo fato de Hagen ter incluído neste novo gênero três espécies cujos abdômens masculinos são vermelhos ou ferruginosos.
Mithroides – junção de Mithra , divindade indo-iraniana com o sufixo grego _ειδής, que significa similar, parecido com. Brauer menciona na página 262 de Berliner Entomologische Zeitschrift que Libellula mithra (Selys - em Sagra, 1857, p. 446),[6] sinônimo júnior de Erythemis attala (Selys em Sagra, 1857) se parece com a espécie.[7]
Distribuição geográfica
Erythemis mithroides é uma Odonata: Anisoptera: Libellulidae de ampla distribuição geográfica que ocorre na América do Norte (Sudeste do Texas nos EUA e México), América Central, incluindo as Antilhas, e América do Sul, exceto o Chile. No Brasil, ocorre em todos os biomas e em todas as bacias hidrográficas.[1][4]
Morfologia
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Macho: – lábio amarelo ou marrom com ou sem faixa longitudinal escura na região média. Frente e vértice vermelhos. Tórax vermelho ou marrom com reflexos vermelhos, sem listras claras na região dorsal. Fêmur marrom ou com a região anterior marrom e a região posterior preta. Tíbia marrom, marrom e preta ou completamente preta. Abdômen completamente vermelho. Apêndices abdominais vermelhos. Asas com mancha basal marrom e ápices inflamados ou hialinos.
Fêmea: – lábio amarelo com reflexos verdes e uma faixa preta longitudinal na região central. Frente preta, verde ou amarela, vértice marrom. Tórax marrom com reflexos verdes. Tíbia e fêmur completamente pretos. Abdômen vermelho com reflexos amarelos ou de cor marrom. Apêndices abdominais vermelhos. Asas com mancha basal marrom e ápice inflamado. Pterostigma amarelo com borda costal marrom.[8][9]
Larva – pequena, de coloração ocreácea, com a cabeça mais larga que comprida. A margem occipital é retilínea e cercada de cerdas; as antenas possuem sete segmentos; os olhos são compostos, globulares e estão em posição ântero-Iateral e projetados para frente; os incisivos e molares da mandíbula são obtusos; fórmula mandibular L/R 1234/123+4 y/xy abb'/abd ;[10] o lábio é largo e apresenta pequenas manchas escuras; O pré-mento possui 13 setas e a margem lateral possui 11 setas grandes e espiniformes de cada lado. O palpo labial é longo, com pequenas manchas escuras e oito setas de cada lado. Garra móvel com o comprimento aproximadamente igual ao da seta adjacente; Margem externa do palpo com 13 pequenas setas espiniformes que estendem-se até a quinta cerda do palpo, margem interna suavemente crenulada apresentando 24 setas espiniformes grandes que se alternam com grupos de duas a nove setas pequenas. Tórax com apófises supracoxais protorácicas arredondadas, rodeadas por espinhos de tamanho variáveis; superfície dorsal do protórax guarnecida por uma fileira de pequenas cerdas, margem posterior com duas fileiras de cerdas curtas sobre a sutura entre o protórax e o sintórax, este último com duas fileiras curvas de cerdas pequenas anteriores ao espiráculo. As tecas alares atingem o sexto segmento abdominal e apresentam cerdas dispersas em sua borda superior. As pernas possuem cerdas espiniformes de tamanho variável; O fêmur do segundo par de pernas apresenta uma faixa circular marrom escura na extremidade. O terceiro par de pernas é muito maior que os dois anteriores. O abdômen é curto, cilíndrico e tem a extremidade distal voltada para cima. Os apêndices caudais apresentam um grande número de cerdas. O epiprocto tem forma triangular, lanceolada em vista dorsal; Os cercos são cônicos e divergentes, ultrapassando a metade do comprimento do epiprocto. Os paraproctos são piramidais e fortemente divergentes.[11][12][13]
Nota: Assim como ocorre em outros táxons de odonatas, Erythemis não é um grupo monofilético devido à extensa homoplasia e variabilidade estrutural observadas em seus caracteres diagnósticos. Além da alta variação intra e interespecífica que a maioria dos caracteres apresenta no gênero, um grande número de estados de caracteres é compartilhado com outros gêneros também.[14]
Ecologia
Erythemis mithroides (Brauer, 1900) é uma libélula ativa e de cores brilhantes, associada aos ambientes lênticos naturais e artificiais – pântanos, brejos, manguezais, remansos de rios, lagos, tanques de piscicultura, reservatórios e represas – cercados de vegetação secundária, matas ripárias degradadas, culturas agrícolas, gramíneas ou arbustos e áreas antropogênicas.[15] A espécie pode ser vista, normalmente em números consideráveis, empoleirada nas hastes de capim e ramos, à beira ou próxima da água, ou voando, geralmente mais baixo do que as outras espécies, como E. haematogastra e E. plebeja, maiores do que ela. Os machos adultos são territorialistas, pousam e voam alternadamente, exibindo continuamente sinais de agressão heteroespecífica durante as atividades de busca por parceiros e caça por alimento.[16][17][18]
Referências
- ↑ a b Paulson, D. R. (2018). «Erythemis mithroides». The IUCN Red List of Threatened Species. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2018 (2018): e.T164969A80692207. doi:10.2305/IUCN.UK.2018-1.RLTS.T164969A80692207.en
. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ Brauer, F. M. (1900). «Von ihrer Königl. Hoheit der Prinzessin Therese von Bayern auf einer Reise in Südamerika gesammelte Insekten. II. Orthopteren». In: Brunner von Wattenwyl, Karl. Berliner entomologische Zeitschrift: Herausgegeben von dem Entomologischen Verein in Berlin (em alemão). 45. Berlim: R. Friedländer & Sohn. pp. 253–268
- ↑ Rafael, J. A.; Melo, G. A. R.; De Carvalho, C. J. B.; Casari, S.; Constantino, R., ed. (2012). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. [S.l.]: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. ISBN 978-65-5633-046-4. doi:10.61818/56330464
- ↑ a b «Erythemis mithroides (Brauer, 1900)». in GBIF Secretariat (2023). GBIF Backbone Taxonomy. Checklist dataset https://doi.org/10.15468/39omei. Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2025 – via GBIF.org
- ↑ Lorenzo-Carballa, M. O.; Koroiva, R. (2024). «A Special Issue on Diversity, Ecology and Evolution of Odonata» (PDF). MDPI Books. Diversity. 16 (117). 402 páginas. ISBN 978-3-7258-0709-3. doi:10.3390/books978-3-7258-0710-9
- ↑ Hämäläinen, M. (2020). «The etymology of ten eponymous species names of Odonata introduced by Selys in his 'Odonates de Cuba' (1857), honouring prominent people or religious movements from classical antiquity and the middle ages» (PDF). Notulae Odonatologicae. 9 (5): 178–184. doi:10.5281/zenodo.3823255
- ↑ Heinrich Fliedner & Ian Endersby (2019). The Scientific Names of North American Dragonflies (PDF) (em inglês). Montmorency, Vic., Australia: Busybird Publishing. ISBN 978-1-925949-08-7
- ↑ Lt-Col. F. C. Fraser, I M S (1956). Handbooks for the Identification of British Insects: Odonata. 1. [S.l.]: Royal Entomological Society of London. 52 páginas
- ↑ Palacino Rodríguez, F. (2011). Taxonomía y filogenia del género Erythemis Hagen, 1861 (Odonata: Libellulidae). Dissertação (Tese de Mestrado em Ciências Biológicas: Sistemática) (em espanhol). Bogotá: Universidad Nacional de Colombia. Facultad de Ciencias
- ↑ Watson, M. C. (1955). «The Utilization of Mandibular Armature in Taxonomic Studies of Anisopterous Nymphs». Transactions of the American Entomological Society. 81 (3/4): 155–202
- ↑ Costa, J. M.; Pujol-Luz, J. R. (1993). «Descrição da larva de Erythemis mithroides (Brauer) e notas sobre outras larvas conhecidas do gênero (Odonata, Libellulidae)». Revista Brasileira de Zoologia. 10 (3): 443–448. doi:10.1590/S0101-81751993000300011
- ↑ Rehn, A. C. (2003). «Phylogenetic analysis of higher-level relationships of Odonata. Systematic Entomology». 28 (2): 181–240. doi:10.1046/j.1365-3113.2003.00210.x
- ↑ Galvão, C., org (2014). «Glossário» (PDF). Vetores da doença de chagas no Brasil [online]. Curitiba: Sociedade Brasileira de Zoologia. p. 261–265. ISBN 978-85-98203-09-6
- ↑ Palacino-Rodriguez, F.; Gonzalez-Soriano, E.; Sarmiento, C. E. (2014). «Phylogenetic signal of subsets of morphological characters: A case study in the genus Erythemis (Anisoptera: Libellulidae) / Señal filogenética de subgrupos de caracteres morfológicos: un estudio de caso en el género Ertyhemis (Anisoptera: Libellulidae)». Caldasia [online]. 36 (1): 85–106. doi:10.15446/caldasia.v36n1.43893
- ↑ Rochas, P.; Minot, M.; Mézière, N.; Renoult, J.; Uriot, Q.; Uriot, S.; Foxonet, H.; Cerdan, A.; Juillerat, L. (2022). «Check-list of Odonata from French Guiana with notes on their distribution, ecology, and new state records». Odonatologica. 51 (3/4): 175–224. doi:10.60024/odon.v51i3-4.a1
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- ↑ Palacino Rodríguez, Fredy; Sarmiento, Carlos; Gonzalez-Soriano, Enrique (2015). «Morphological variability and evaluation of taxonomic characters in the genus Erythemis Hagen, 1861 (Odonata: Libellulidae: Sympetrinae)». Insecta Mundi (0428): 1–68
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