Encourados de Pedrão
| Encourados de Pedrão | |
|---|---|
![]() Fotografia de 1923 do gibão de couro utilizado pelos soldados da companhia durante a Guerra da Independência, no Museu do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. | |
| País | Império do Brasil |
| Estado | Província da Bahia |
| Corporação | exército |
| Criação | 1822 |
| Período de atividade | 1822–1823 |
| História | |
| Combates | Guerra da Independência do Brasil |
| Comando | |
| Comandante | Frei Brayner |
Encourados de Pedrão foi uma companhia militar independentista da Guerra da Independência do Brasil. Foi composta por vaqueiros e formada no atual município de Pedrão, na Bahia, sob a liderança de frei Brayner. Assim, foram figuras históricas na luta pela independência do Brasil na então província da Bahia e, por isso, a cada 2 de julho (data da Consolidação da Independência do Brasil e data magna da Bahia), celebram-se as festividades da independência do Brasil na Bahia, com representações dos Encourados de Pedrão em desfiles cívicos.[1][2][3]
Recebeu diversos nomes: Voluntários de Pedrão, Guerrilha Imperial dos Voluntários de Pedrão, Companhia de Cavalaria de Couraças e Encourados,[4][5] Os Encourados representam a diversidade da luta popular independentista, introduzindo a importância da figura sertaneja do vaqueiro na história da independência, muito embora não haja o correspondente reconhecimento em livros didáticos e na mídia.[4][5]
Encomendado pela Prefeitura de Irará (até então Pedrão pertencia a esse município), Oséas Santos pintou o quadro Encourados do Pedrão na década de 1930, porém, com a assunção de novo prefeito, a obra foi recusada e assim ele ofertou em 1948 ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), em cujo acervo se encontra desde então.[6] Em homenagem aos vaqueiros combatentes, foi criada a Associação dos Encourados da Bahia.[4]
História
O religioso carmelita José Maria do Sacramento Brayner, mais conhecido como Frei Brayner, participou da Revolução Pernambucana em 1817, foi derrotado, condenado e transferido para Salvador para cumprir pena, onde ficou pelo quatro anos da pena e então decidiu se mudar para a então localidade de Pedrão.[4] Nesse período, conflitos com o comando colonial português já se desenrolavam na província da Bahia, sobretudo sob o período de Inácio Luís Madeira de Melo como governador das armas na Bahia no início de 1822.[4]
No período colonial, são notórias as habilidades em engenharia militar e operações bélicas por parte de clérigos católicos, a exemplo do bispo Marcos Teixeira de Mendonça na expulsão de holandeses e de jesuítas no treinamento de indígenas para a defesa das missões cristãs, com Brayner não foi diferente.[7] Com a intensificação dos conflitos e a contratação do militar mercenário Pedro Labatut para organização das forças terrestres independentistas, Brayner direcionou um requerimento de oferta de seus serviços ao Conselho Interino de Cachoeira em 12 de outubro de 1822, o qual lhe respondeu em 4 de novembro de 1822 ordenando a organização e formação de um grupo de combatentes voluntários.[4] O grupo de 39 vaqueiros junto ao frei deixou Pedrão em 6 de dezembro de 1822 rumo às zonas de guerra.[4]
Ver também
- Batalhão dos Periquitos
- Povo sertanejo
- Indumentaria do vaqueiro
- Ciclo do Couro
- Exército Imperial Brasileiro
- História do Exército Brasileiro
Referências
- ↑ «Conheça os Encourados de Pedrão, vaqueiros que lutaram pela Independência do Brasil na Bahia». Rede Globo. 4 de julho de 2022. Consultado em 29 de julho de 2024
- ↑ «OS ENCOURADOS DE PEDRÃO – NOTAS E DOCUMENTOS DE ARISTEU NOGUEIRA». Bahia com História
- ↑ Madureira, Wellington de Souza (2013). «Memórias e narrativas: a representação dos encourados através dos vaqueiros de Pedrão/BA». Seminário Interlinhas (2): 115–119. ISSN 2596-2302. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ a b c d e f g Jesus, Elane Cruz Lima de (outubro de 2008). “Pedrão” símbolo de luta pela independência da Bahia. XI SEMOC - Semana de Mobilização Científica. Universidade Católica do Salvador. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ a b Redação (29 de junho de 2023). «2 de Julho: comandados por um frei, os 'Encourados de Pedrão' também são heróis». Bahia.Ba. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ Silva, Anderson Marinho da (22 de junho de 2023). A Escola de Belas Artes da Bahia: pintores esquecidos e consagrados 1889-1950 (Tese de doutorado em Artes Visuais). Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV) da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA. 292 páginas. Consultado em 31 de julho de 2025
- ↑ Oliveira, Mário Mendonça de (2013). «A Engenharia Militar de Batina». CONSTRUINDO. ISSN 2318-6127. Consultado em 31 de julho de 2025
