Demografia do Maranhão

Ficha técnica
Área 329 651,496 km²[1]
População 6.776.699 hab. (2022)[2]
Densidade 20,56 hab/km² (2022)[2]
Crescimento demográfico 0,52% ao ano (2010-2022)[3]
População urbana 70,93% (2022)[4]
Domicílios 2.590.426 (2022)[5]
Carência habitacional 329.495 unidades (2021)[6]
Domicílios ligados Acesso à água 73,6% (2023)[7]
População com acesso à rede de esgoto 28,2% (2023)[7]
IDH 0,676 (2021)[8]
PIB per capita R$ 20.633 (2022)[9]
Número de Municípios 217.[1]

A demografia do Maranhão é o domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território maranhense.

O Maranhão possui 217 municípios distribuídos em uma área de 329 651,496 km². Segundo o Censo Demográfico de 2022 estado possui 6.775.152 habitantes e uma densidade populacional de 20,55 hab./km². Esse montante populacional representa 3,3% da população brasileira, sendo o 12º estado em população. [10]

Distribuição da população


Urbanização

De acordo com o Censo de 2022, 70,93% dos habitantes do estado vive em cidades, enquanto 29,07% da população vive no campo. A composição da população maranhense por sexo mostra que 50,87% são mulheres, enquanto que 49,13% são homens.[12][13]

Eleitorado

O Maranhão também possui o 11º maior colégio eleitoral brasileiro, com 5.180.738 eleitores (2024) em todo o estado.[4]

Composição étnica



Composição étnica do Maranhão (2022)[14]

  Brancos (20.1%)
  Pretos (12.6%)
  Pardos (66.4%)
  Indígenas (0.8%)
  Amarelos (0.09%)

O Maranhão é um dos estados mais miscigenados do Brasil, o que pode ser demonstrado pelo número de 66,4%[15][16] de pardos autodeclarados ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, resultado da grande concentração de escravizados indígenas e africanos nas lavouras de cana-de-açúcar, arroz e algodão.

Povos indígenas

Os grupos indígenas remanescentes e predominantes são dos grupos linguísticos macro-jê e do tronco tupi.

No tronco macro-Jê, destaca-se a família jê, com povos falantes da língua Timbira (Mehim)ː Kanela (Apanyekra e Ramkokamekra), Krikati, Gavião Pukobyê, Krepumkateyê e Krenyê.

No tronco tupi, a família tupi-guarani, com os povos falantes da língua tenetehara (Guajajara e Tembé),Urubu-Kaapor, além dos Awá-Guajá, concentrados principalmente no bioma da Amazônia, no Alto Mearim e na região de Barra do Corda e Grajaú.

Povos como os Akroá-Gamela e Tremembés ainda lutam por reconhecimento étnico e demarcação de terras.[17]

De acordo com John Hemming,[18] havia por volta de 1 milhão de indígenas no Maranhão em 1500.

Africanos

Houve forte tráfico negreiro entre os séculos XVIII e XIX, que trouxe milhares de negros da Costa da Mina e da Guiné, mais precisamente do Benim, antigo Daomé, Gana e Togo, mas também em levas não menos importantes de africanos do Congo, Cabinda e Angola.[19] Muitas tradições maranhenses têm a forte marca das culturas africanas: culinária (Arroz de Cuxá), religião (Tambor de Mina e Terecô), festas (Bumba-Meu-Boi e Tambor de Crioula) e músicas (Reggae no Maranhão). A população preta do estado é de 12,6% (2022).[16]Atualmente, o Maranhão conta muitas comunidades quilombolas em toda a região da Baixada, no rio Itapecuru e no rio Mearim.

Portugueses

A população branca, 20,1%, é quase exclusivamente composta de descendentes de portugueses, dada a pequena migração de outros europeus para a região. Ainda no início do século XX a maior parte dos imigrantes portugueses era oriunda dos Açores e da região de Trás-os-Montes. [20]

A região do Maranhão é considerada a primeira a receber colonos ilhéus (açorianos) de forma organizada. Em 1619, cerca de 300 casais chegaram ao Maranhão, sendo que o número total de pessoas girava em torno de mil pessoas, número significativo para a época. Além dos casais iniciais, vindos com Estácio da Silveira em 1619, outros se seguiram: em 1621 chegaram 40 casais com Antonio Ferreira de Bettencourt e Jorge de Lemos Bettencourt; em 1625 chegaram outros casais com Francisco Coelho de Carvalho; nos navios N. S. da Palma e São Rafael, tendo como capitão Manoel do Vale, chegaram 50 casais em 1676; e nos navios N. S. da Penha de França e São Francisco Xavier vieram mais colonos.[21]

Também no século XX, vieram contingentes significativos de sírios e libaneses, refugiados do desmonte do Império Otomano e que hoje têm grande e tradicional presença no estado.

Religião

A religião no Maranhão é marcada pela diversidade e sincretismo, refletindo a rica mistura de influências indígenas, africanas e europeias que compõem a história e a cultura do estado. O catolicismo continua sendo a fé predominante, fortemente presente nas festas religiosas tradicionais como o Festejo de São José de Ribamar (padroeiro do estado), Festa de São Raimundo Nonato dos Mulundus, Festejo de Nossa Senhora da Conceição e o Círio de Nazaré, que mobilizam milhares de fiéis todos os anos. A Província Eclesiástica de São Luís do Maranhão encabeçada pela Arquidiocese de São Luís, lidera oito dioceses: Caxias, Zé Doca, Viana, Bacabal, Brejo, Coroatá, Pinheiro, Carolina, Balsas, Grajaú e Imperatriz.[22][23][24]

O Maranhão também é um dos estados brasileiros onde o tambor de mina, uma religião afro-brasileira derivada das tradições dos povos africanos trazidos durante o período escravocrata, tem forte presença e reconhecimento cultural. Essa manifestação religiosa, que incorpora elementos do vodum africano e práticas católicas, é considerada um patrimônio cultural do estado e está profundamente enraizada nas comunidades locais, especialmente em São Luís e cidades do interior. Além disso, religiões evangélicas vêm crescendo nas últimas décadas, conquistando espaço entre as camadas populares e promovendo uma dinâmica de transformação social e cultural.[25]

Segundo o Censo do IBGE de 2022, a população do estado é assim dividida de acordo com a religião[26][27]:

Religião Proporção
Católicos 64,36%
Evangélicos/ protestantes 25,37%
Afro-brasileira 0,34%
Espíritas 0,19%
Outras 2,33%
Sem religião 7,1%

Indicadores sociais

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua do IBGE em 2021, no Maranhão o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é de 0,676, ocupando a última posição entre os estados.[12][28]

De acordo com o Índice de Gini, que avalia a distribuição das riquezas de um determinado lugar, o Maranhão ocupava a 14ª posição no país, com índice de 0,492 no ano de 2023.[12][29]

Moradia

De acordo com um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, Maranhão e Roraima eram os estados com o maior déficit habitacional relativo do país em 2019. O Maranhão apresenta um déficit de 15,2 por cento (em relação ao total de domicílios particulares permanentes e improvisados). Em termos absolutos, o déficit no estado chega a 329.495 unidades, o sexto maior do país. O déficit maranhense representa 5,6 por cento do déficit absoluto total brasileiro, estimado em 5.876.699. A média maranhense é quase duas vezes maior do que a nacional, de 8,0 por cento[30].

Há um déficit de 164.486 moradias urbanas e 165.008 moradias rurais (2019).[30]

Entre os componentes apontados na composição do déficit de moradia do Maranhão (2019), estavam: habitação precária (64,0%), coabitação (24,4%) e ônus excessivo com aluguel (11,5).[30]

Educação

A taxa de analfabetismo, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Educação 2019, era de 15,6% da população do estado com 25 anos ou mais de idade, a 4ª maior taxa de analfabetismo dentre as unidades da federação, associado principalmente com a idade. [31]O Maranhão também tinha o maior percentual de pessoas sem instrução em 2019: 16,6% da população do estado com 25 anos ou mais de idade. [31]De acordo com a mesma pesquisa, a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, em 2019, era de 7,6 anos. [31]A proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que terminaram a educação básica obrigatória (ensino médio completo) foi de 36,8%. O percentual de pessoas com o ensino superior completo foi de 9,1%, em 2019, o menor do país.[31]Dentre os que não completaram a educação básica, além dos 16,6% sem instrução, 34,3% tinham o ensino fundamental incompleto, 7,4% tinham o ensino fundamental completo e 4,9%, o ensino médio incompleto. [31]

Conforme dados do Censo de 2022, 9,9% dos maranhenses tinham ensino superior completo, 33,8% tinham ensino médio completo e superior incompleto, 16,1% tinham ensino fundamental completo e médio incompleto e 40,2% não tinham instrução ou tinham o ensino fundamental incompleto. A taxa de analfabetismo era de 15,1%.[32]

Saúde

Saneamento básico

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), o índice de domicílios atendidos por esgotamento sanitário ligados à rede coletora era de 28,2% em 2023. Com relação ao percentual de domicílios que possuem abastecimento de água por rede geral, a cobertura era de 73,6%, em 2023. [7]

Saúde suplementar

Em 2018, o Maranhão tinha 471.770 beneficiários de planos privados de saúde, de acordo com dados da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que representa uma taxa de cobertura de 7,03%.[12]

Estabelecimentos de saúde e leitos

Em 2019, o Maranhão tinha 5.791 estabelecimentos de saúde, sendo 65,5% públicos e 34,5% privados. 1.356 dos estabelecimentos de saúde disponíveis estavam localizados na Região de Saúde de São Luís.[12]

Em 2019, havia 14.938 leitos existentes nas redes de saúde pública e privada, dos quais 1.232 são leitos complementares.[12]

Em 2019, o Maranhão possuía 81 médicos por 100 mil habitantes, o menor índice do país.[12]

Mortalidade infantil

A taxa de mortalidade infantil no Maranhão era de 13,96 em 2024.[33][34]

Esperança de vida

Em 2024, a expectativa de vida do maranhense era 75,6 anos, 21º no ranking nacional, segundo estimativas do IBGE.[35]

Renda

Com relação ao rendimento domiciliar per capita, o maranhense apresentava rendimento médio de R$ 969,00 em 2023, o menor entre os estados brasileiros. [36]

O Maranhão tinha o maior percentual de pessoas em situação de pobreza no país, em 2023. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 51,2% dos maranhenses viviam com menos de R$ 655 por mês. [37]

Referências

  1. a b «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.ibge.gov.br. Cópia arquivada em 27 de abril de 2006 
  2. a b «Maranhão - Cidades e Estados - IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 29 de junho de 2021. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2019 
  3. Banco do Nordeste. «Informações socioeconômicas municipais» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 29 de junho de 2021 
  4. a b Tribunal Regional Eleitoral - Maranhão (5 de outubro de 2024). «Eleições 2024: número de pessoas aptas a votar no Maranhão é superior a 5 milhões». Consultado em 25 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 22 de abril de 2025 
  5. «Censo: Amostra-Domicílios». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 29 de junho de 2021. Cópia arquivada em 29 de junho de 2021 
  6. Fundação João Pinheiro (2021). «DEFICIT HABITACIONAL NO BRASIL – 2016-2019» (PDF). Consultado em 29 de junho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 29 de junho de 2021 
  7. a b c «PNAD Contínua» (PDF). 20 de dezembro de 2024. Consultado em 25 de janeiro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2025 
  8. «Maranhão - Cidades e Estados - IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 25 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 25 de abril de 2019 
  9. «Sistema de Contas Regionais: Brasil 2022». www.ibge.gov.br. Consultado em 14 de novembro de 2024. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2025 
  10. «Maranhão - Cidades e Estados - IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 15 de maio de 2021. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2019 
  11. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas IBGE_2022
  12. a b c d e f g «Plano Estadual de Saúde 2020-2023» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 13 de maio de 2021 
  13. «Panorama do Censo 2022». Panorama do Censo 2022 (em inglês). Consultado em 25 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 30 de junho de 2023 
  14. {{citar web | url=https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/
  15. «Tabela 2094: População residente por cor ou raça e religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 15 de maio de 2021. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2016 
  16. a b «Panorama do Censo 2022». Panorama do Censo 2022. Consultado em 24 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 28 de junho de 2023 
  17. Elizabeth Maria Beserra Coelho; Mônica Ribeiro Moraes de Almeida. «31ª REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA GT 56. Povos indígenas, afrodescendentes e outros povos tradicionais, conflitos territoriais, e o não reconhecimento pelo Estado nacional.». DINAMICAS DAS LUTAS POR RECONHECIMENTO ÉTNICO NO MARANHÃO 
  18. Ouro Vermelho, 2007, Editora da Universidade de São Paulo, página 732
  19. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). labhstc.paginas.ufsc.br. Cópia arquivada (PDF) em 6 de junho de 2013 
  20. Estado, Thiago Bastos / O. (15 de agosto de 2020). «Libaneses: chegada maciça e influências no Maranhão». Jornal O Estado do Maranhão. Consultado em 15 de maio de 2021. Cópia arquivada em 26 de setembro de 2020 
  21. Açorianos no Brasil, Vera Lúcia Maciel Barroso
  22. «Festejo de São José de Ribamar começa nesta sexta-feira». O Imparcial. 31 de agosto de 2017. Consultado em 4 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2021 
  23. «Repórter Mirante conta história de fé dos devotos à Nossa Senhora da Conceição». Rede Globo. 7 de dezembro de 2024. Consultado em 20 de julho de 2025 
  24. Secom (9 de setembro de 2021). «São Raimundo Nonato é festejado em Vargem Grande». CNBBNE5. Consultado em 2 de julho de 2025 
  25. «A Representação de reis portugueses encantados no Tambor de Mina» (PDF) 
  26. «Análise dos Resultados/IBGE Censo Demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 16 de setembro de 2016 
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  31. a b c d e «Maranhão é o estado do Brasil com maior percentual de pessoas sem instrução». G1. Consultado em 15 de maio de 2021. Cópia arquivada em 16 de julho de 2020 
  32. «Panorama do Censo 2022». Panorama do Censo 2022. Consultado em 28 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 28 de junho de 2023 
  33. «Unidades da Federação - Probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida - Total - 2017». IBGE. p. 12. Consultado em 29 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 30 de novembro de 2018 
  34. «Monitora Saúde Maranhão» 
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