Conquista da Angónia

Conquista da Angónia
Campanhas de Pacificação e Ocupação
Data1899
LocalAngónia, Moçambique
DesfechoVitória Portuguesa
Beligerantes
Reino de Portugal Reino de Angónia
Comandantes
António Júlio de Brito Mandala
Forças
50 sipaios Desconhecida.

A conquista da Angónia pelos portugueses foi uma das Campanhas de Pacificação e Ocupação ocorrida em finais de 1899, que contribuiu para a formação do território actual de Moçambique.

História

Em meados do séc. XIX, várias potências europeias, entre elas Portugal, lançaram-se na partilha de África e na Conferência de Berlim foi consagrado o princípio de ocupação efectiva do interior do continente.

Entre Janeiro e Maio de 1898, o regimento britânico do Kings African Rifles derrotou o grande chefe angune Mpeseni na Rodésia do Norte juntamente com os régulos da Niassalândia.[1] O reino angune do rei Gomani I estendia-se para ambos os lados da fronteira da Angónia em Moçambique e o actual Malawi mas quando o rei morreu em combate o poder no seu reino foi dividido entre Mandala, irmão do rei e Mlangeni, mãe do rei Cikusi, antecessor de Gomani.[1]

Em Maio de 1899, o governador de Quelimane Eugénio de Oliveira Soares de Andrea nomeou para "residente" (cônsul) da Angónia o jovem tenente da marinha António Júlio de Brito que, acompanhado por 50 sipaios, instalou-se na localidade de Mkodza-Kodza em finais de 1899, "um golpe de audácia que deixou atónitos os angunes divididos."[1] Por então, os angunes de noroeste encontravam-se em declínio e aquando da chegada dos portugueses já não falavam a sua língua de origem.[1] A Angónia foi incorporada em território português como um prazo da Coroa e concessionado à Companhia da Zambézia.[1] O prazo da Angónia foi mais tarde arrendado à Sena Sugar Estates.[2]

Entre Abril e Junho de 1900, Mandala revoltou-se contra a autoridade portuguesa mas foi derrotado por António Júlio de Brito e os seus sipaios em Mtapa e preso a 8 de Agosto de 1900.[1] No dia seguinte António Júlio de Brito derrotou e prendeu também Pemba, Mukawira, Kabango, Junga, Zissane e Mlageni, que foram enviados para Tete mas Mandala suicidou-se com veneno, ao passo que Mlageni foi enviada para Quelimane.[1] Os guerreiros angunes foram incorporados nas tropas de Lourenço Marques (actual Maputo) e de Moçambique.[1]

Quanto a António Júlio de Brito, os angunes fizeram dele seu rei e demitiu-se da marinha para viver na Angónia.[1] Ficou conhecido como "Brito da Angónia".

Acordos para a demarcação da fronteira entre Moçambique e a Niassalândia foram assinados entre comissões portuguesas e britânicas de 31 de Julho a 21 de Novembro de 1899 e a 8 de Dezembro de 1900.[3] Uma troca de notas a 15 de Setembro de 1906 confirmou provisoriamente à demarcação com algumas rectificações.[3]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h i René Pélissier: História de Moçambique: Formação e Oposição 1854-1918, II, 2000, pp. 118-120.
  2. M. D. D. Newitt: A History of Mozambique, 1995, p. 408.
  3. a b International Boundary Study (em inglês). [S.l.]: Geographer, Department of State. 1970. p. 3. Consultado em 2 de julho de 2025