Conquista do Barué

Conquista do Barué
Campanhas de Pacificação e Ocupação
DataJulho – Outubro de 1902
LocalBarué, Moçambique
DesfechoVitória Portuguesa
Beligerantes
Reino de Portugal Reino de Barué
Comandantes
João de Azevedo Coutinho Makombe Hanga
Forças
16,000 homens ~10,000 guerreiros.

A Conquista do Reino de Barué pelos portugueses, também conhecida como a Campanha do Barué, foi uma operação militar levada a cabo em 1902, de que resultou a anexação do reino de Barué a Moçambique.

História

O Barué era um importante objectivo para a política portuguesa porque situava-se na fronteira com a Rodésia Britânica, o que lhe conferia valor estratégico.[1] Qualquer instabilidade no Barué podia implicar problemas com o Reino Unido e colocar em causa a credibilidade de Portugal enquanto potência capaz de ocupar o território e exercer soberania.[1] O rei do Barué, Makombe Hanga, apoiava activamente com armas e tropas os régulos que se insurgiam contra a autoridade portuguesa e as alianças que cultivara ameaçavam a soberania portuguesa sobre o vale do Zambeze.[2]

As forças do Barué contabilizavam quase 10,000 homens e estavam distribuídas pelo reino numa rede de aringas e estacadas.[3] Entre estas, as mais importantes eram as de Missongue, Mungari e Mafunda, das quais as duas primeiras eram defendidas por artilharia.[3] Depois de uma tentativa falhada de controlo indirecto do território pela Companhia de Moçambique, o governo português enviou uma grande expedição de 1000 soldados portugueses, dos quais cerca de metade provinham do exército metropolitano e 15,000 sipaios, comandados por João de Azevedo Coutinho.[1] Embora os portugueses tenham pretendido atacar em Maio ou Junho de 1802, o recrutamento dos milhares de sipaios não pode ser concluído antes de Julho.[3] Os portugueses tinham dois grandes objectivos: conquistar rapidamente Missongue e Mungari, ao mesmo tempo que encerravam a fronteira do Barué para impedir qualquer auxílio externo.[3]

O xamã Kabudu Kagoro desempenhou um papel importante no desenrolar do conflito pois convenceu os guerreiros barués de que as balas dos portugueses transformar-se-iam em água e seriam por isso inofensivas e segundo Coutinho até os sipaios auxiliares dos portugueses recusaram-se a combater por temerem que as suas balas se revelassem ineficazes devido à magia do xamã.[3] Um médium aliado aos portugueses, porém, convenceu os sipais de que o rei Makombe Hanga transformar-se-ia num hipopótamo indolente e só então é que os sipaios aceitaram avançar.[3]

A 30 de Julho, a coluna principal do exército português, composta por três destacamentos de soldados portugueses e africanos de elite, acompanhados por uma reserva de mais de 2000 homens, atacou Tambara, um importante reduto tonga.[3] Ao fim de dois dias de duros combates os portugueses capturaram a aringa.[3] De Tambara os portugueses avançaram para Mafunda, que defendia a entrada para o Vale de Muira e com a ajuda de um destacamento de Sena a coluna principal conquistou em duas semanas as principais chefaturas tongas.[3] Conquistados os tongas vassalos do Barué, os portugueses avançaram para Sança e ali estabeleceram o quartel-general.[3]

A 19 de Agosto transpuseram a fronteira do Barué mas por então já os barués tinham retirado a maioria das suas forças para a aringa de Inhangome, defendida pelo célebre chefe Cambuemba, procurado pelos portugueses.[3] Cambuemba foi, porém, mandado retirar para a capital, Missongue.[3] Milhares de guerreiros esperavam os portugueses mas ao fim de várias horas os barués foram derrotados e obrigados a fugir.[3] As metralhadoras Maxim e os canhões dos portugueses permitiram dominar o território em três meses.[1]

A vitória de Azevedo Coutinho no Barué selou a ocupação da zona central de Moçambique, embora a região se tenha sublevado durante a I Guerra Mundial mas foi definitivamente pacificada.[1]

Ver também

Referências

  1. a b c d e João Paulo Oliveira e Costa, José Damião Rodrigues, Pedro Aires Oliveira: História da Expansão e do Império Português, Esfera dos Livros, 2014, pp. 433-432.
  2. Isaacman, Isaacma, 1975, p. 61.
  3. a b c d e f g h i j k l m Allen F. Isaacman, Barbara Isaacman: The Tradition of Resistance in Mozambique, University of California Press, 1976, pp. 62-68.