Complexo de Israel
| Complexo de Israel | |
|---|---|
| Datas das operações | 2020 - presente |
| Líder(es) | Álvaro Malaquias Santa Rosa |
| Motivos | Estabelecer um regime fundamentalista |
| Área de atividade | Zona Norte do Rio de Janeiro |
| Ideologia | Fundamentalismo Cristão Fundamentalismo Evangélico Anticatolicismo Racismo religioso Evangelho Judaizante |
| Principais ações |
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| Status | Ativo |
| Financiamento | Extorsão e narcotráfico |
Complexo de Israel é um território que abrange regiões favelizadas dos bairros de Parada de Lucas, Vigário Geral e Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bem como o nome de uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), liderada pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o "Peixão". Peixão foi justamente o responsável por delimitar e batizar a localidade, em 2020.[1]
Diferentemente do Complexo do Alemão ou da Maré, o Complexo de Israel não representa uma localidade oficialmente reconhecida no Rio de Janeiro, mas sim um projeto expansionista do grupo armado. Outra diferença é que o território não se limita a favelas, mas abrange também localidades estruturadas, como a Cidade Alta, apesar da precariedade da infraestrutura pública. [2]
Destaca-se a proximidade com as vias expressas da cidade, como a Linha Vermelha, a Rodovia Washington Luís e a Avenida Brasil. A posição estratégica é usada pelos crimosos para atacar o trânsito como reação às investidas policiais. Todo o território está delimitado por barricadas e vigiado por homens armados que controlam as entradas e saídas do Complexo de Israel. Mesmo aqueles que acessam o local acidentalmente podem ser alvos de tiros.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro planeja a retomada efetiva do território no âmbito da ADPF 635, e considera essa como uma operação de média complexidade. No entanto, os detalhes do plano, incluindo prazos, não foram ainda anunciados.[3]
As comunidades do Complexo de Israel tornaram-se célebres pela implementação de um fundamentalismo evangélico, foram erguidas bandeiras de Israel e estampadas estrelas de Davi nos muros, símbolo maior do judaísmo, em diversos pontos.[4][5][6] Álvaro Malaquias impôs uma perseguição a praticantes de religiões afro-brasileiras levada a cabo pelos integrantes da facção criminosa.[7] Há relatos, igualmente, de embaraço ao culto católico na comunidade, embora em grau menor que o executado contra o grupo religioso anterior.[8][9]
Ver também
Referências
- ↑ «Traficantes usam pandemia para criar 'Complexo de Israel' unindo cinco favelas na Zona Norte do Rio». G1. 24 de julho de 2020. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ Hora, Jornal Meia (17 de setembro de 2020). «Cidade Alta, símbolo de um Rio de Janeiro que estigmatizou as favelas». MH - Alô Comunidade. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ «ADPF 635: Governo estuda iniciar reocupação de território por Zona Sudoeste». G1. 16 de outubro de 2025. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ «Saiba quem é o traficante Peixão, chefe do Complexo de Israel que mistura assistencialismo com violência». G1. 31 de outubro de 2021. Consultado em 15 de março de 2023
- ↑ Gil Alessi (27 de março de 2021). «A ascensão do 'narcopentecostalismo' no Rio de Janeiro». El País. Consultado em 8 de junho de 2021
- ↑ «Operação no Complexo de Israel para demolir 'resort' e academia do traficante Peixão fecha a Av. Brasil». G1. 11 de março de 2025. Consultado em 14 de março de 2025
- ↑ Cunha 2024, p. online.
- ↑ Coelho, Henrique (14 de julho de 2024). «Traficante Peixão já foi condenado pela Justiça por suspeita de ordenar destruição de terreiros no RJ». G1. Consultado em 25 de julho de 2024
- ↑ «Depois de expulsar mães e pais de santo, 'bandidos de Deus' passam a perseguir católicos». CartaCapital. 18 de julho de 2024. Consultado em 24 de fevereiro de 2025
Bibliografia
- Cunha, C. V. (2024). «A criação do Complexo de Israel e sua relação com o crescimento do pentecostalismo em periferias – Rio de Janeiro, Brasil». Anuário Antropológico. 17 (1). doi:10.4000/11nfz