Vigário Geral

 Nota: Se procura pelo cargo da Igreja Católica, veja vigário-geral.
Vigário Geral
Bairro do Rio de Janeiro
Rua Fernandes da Cunha, em Vigário Geral
Área 338,53 ha (em 2003)
Fundação 05 de outubro de 1910
IDH 0,763[1](em 2000)
Habitantes 41 820 (em 2010)[2]
Domicílios 14 152 (em 2010)
Limites Jardim América, Irajá e Parada de Lucas[3]
Distrito Vigário Geral
Subprefeitura Zona Norte
Região Administrativa Vigário Geral
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Em vermelho, localização do bairro no município do Rio de Janeiro

Vigário Geral é um bairro da Zona da Leopoldina, na Zona Norte do município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Faz limite com os bairros do Jardim América, Irajá e Parada de Lucas, e com o município de Duque de Caxias.[3] Seu índice de desenvolvimento humano, no ano 2000, era de 0,763, o 107º colocado entre 126 regiões analisadas no município do Rio de Janeiro.[1] É um dos bairros mais antigos da Zona da Leopoldina.

História

Vista do Parque Proletário de Vigário Geral ao lado da linha férrea

O bairro de Vigário Geral teve origem quando da implantação da linha de trem. Sua estação criada em 1886 [6] inicialmente era em um galpão, porque muitos operários vieram morar perto da estação do bairro Conta a história que o vigário-geral da freguesia do Irajá ia de trem do Centro da cidade até a estação de Irajá (criada em 1833) e de lá seguia a cavalo por estrada até as capelas de Vigário Geral para rezar as missas e, de lá, voltava até a sede paroquial, que se situava na igreja de N. Sra. da Apresentação, construída na primeira metade do século XVII e que se localiza atualmente ao lado do cemitério do Irajá. O caminho que este percorria ficou conhecido como "Estrada do Vigário Geral", a qual corta o bairro. Com o passar do tempo, a estrada acabou por dar seu nome ao bairro. A Avenida Brasil, quando construída na década de 1940, cortou a Estrada do Vigário Geral. O segmento que liga esta a Irajá posteriormente recebeu o nome de Aníbal Porto.

O primeiro loteamento no bairro ocorreu no final da década de 1930 através do Companhia Territorial do Rio de Janeiro. No final da década de 1940, o bairro cedeu o seu nome à favela que se ergueu no terreno ao lado da linha férrea da Leopoldina.

Em 1950, uma parte da antiga Fazenda Botafogo, adjacente ao bairro, foi loteada, criando-se o ex-sub-bairro e atual bairro chamado Jardim América. Dele partiam três linhas de ônibus: 341 (PraçaTiradentes), 774 (Madureira) e 906 (Bonsucesso). Na rua Bulhões Marcial passavam muitas linhas originadas do município de Duque de Caxias, ligando o bairro a muitos outros.

Em 1966, o Conjunto Habitacional Padre José de Anchieta (também conhecido pelos "antigos" como engefusa, nome da construtora, que aparecia em uma enorme placa da obra), financiado pelo extinto Banco Nacional da Habitação, foi inaugurado com a presença do então presidente da república, o general Castelo Branco. Posteriormente, já na década de 1970, foi inaugurado o Conjunto Habitacional Vigário Geral.

Por essa época, o bairro, eminentemente residencial, teve várias industrias instaladas, tais como a Paskin Cia. Ltda. e a Freitas Leitão Ind. e Com., as quais, por iniciativa de suas associações de moradores, foram, por fim, fechadas devido à poluição que causavam.

Atualmente, Vigário Geral tornou-se um polo de comércio de produtos importados da China, tais como louças, plásticos, vidros e material escolar no varejo e atacado. Fica na praça Córsega, conhecida carinhosamente como praça 2 e aos fins de semana tem um movimento muito grande. [5]

Conta o dito popular que, na década de 1980, durante uma partida de futebol, houve um desentendimento entre moradores de Vigário Geral e da favela bem ao lado chamada Parada de Lucas. A discussão acabou em confronto armado que acirrou uma rivalidade entre os moradores das duas comunidades, mas hoje em dia os moradores podem ir de uma comunidade para a outra.

Um fato interessante nos anos 50 foi a transferência para o bairro do coreto que ficava na Praça Saens Peña, da Tijuca. Ele tinha, ainda tem, um eco muito intenso, graças ao forro acústico feito com esse propósito. A praça na época se chamava Barbosa Lima e teve seu nome mudado pra Catolé do Rocha. Outro fato histórico pitoresco foi a criação da igreja matriz. O bairro tinha 2 capelas, Sta Bárbara e Sta Cecília, ambas com devotos, e uma votação sobre quem seria a padroeira da nova matriz teve resultado quase empatado. A solução foi salomônica, Vigário Geral tem a primeira e única matriz paroquial com duas Santas padroeiras. [5]

Outro fato marcante, que foi manchete do Jornal Nacional na época foi uma gigantesca enchente, em 1966, que alagou a parte baixa da favela, milhares de pessoas ficaram sem casa, sem roupas, sem nada. Houve que dissesse que a culpa foi do Carlos Lacerda, que havia tirado o dia de São Sebastião de ser feriado. Nem é preciso dizer que no ano seguinte a data foi restaurada e respeitada. Nunca mais mexeram com o Santo protetor da cidade. [5]

Escolas do bairro

O bairro conta com seis escolas municipais: Alfredo Valadão, Heitor Beltrão, CIEP Mestre Cartola, E. M. Jorge Gouvea, República do Líbano, Eneyda Rabello de Andrade e Cardeal Câmara. Já teve uma escola de "alunos especiais" que ficava perto da antiga antena da Rádio Tupi e três escolas particulares: Instituto Guanabarino, Ginásio São Carlos e Colégio Carvalho Júnior. Todas pertencentes a membros da mesma família. O Instituto Guanabarino foi criado devido ao fechamento no final de 1962 de uma escola pública (Escola Francisco de Paula). As professoras se uniram na criação dele. [5]

A comunidade

As primeiras moradias são atribuídas a "João 67", "Pedro Amaro", "Alcides" e "Naíldo". Este último atraiu muitos ferroviários para morar no local, que pertencia à Estrada de Ferro Leopoldina, tendo fundado a Associação de Moradores de Vigário Geral. Durante muitos anos, a população conviveu com o perigo de travessia da linha férrea sem uma passarela, erguida mais tarde com o auxílio do Sindicato dos Ferroviários

O fornecimento de luz elétrica só foi regularizado em 1984. A rede de distribuição de água foi implantada em regime de mutirão, custeado à época por todos os moradores. Vigário Geral é um local de alta periculosidade e de alto índice de violência. A favela é dominada por narcotraficantes que podem condenar qualquer morador à morte ou expulsão de suas casas.

O bairro teve um bloco de carnaval famoso, o Carinhoso de Vigário Geral, que tempos depois virou escola de samba. A maioria dos moradores "de mais idade" torce pela Portela ou Império Serrano, porque depois do desfile oficial, uma pessoa influente (o dono de uma escola) sempre conseguia que uma delas fosse ao bairro fazer um mini desfile. Os moradores, claro, adoravam. [5]

Estação de trem

A Estação de Trem de Vigário Geral fica no Ramal Saracuruna e já teve diversos danos por traficantes.[4] Ela fica localizada na Rua Bulhões Marcial, maior rua do Bairro.

Veja também

Referências

5. Carvalho ACP - Morador do bairro entre 1959 e 1978.

6. http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_petropolis/vigario.htm