Ciência do afeto
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Ciência afetiva é o estudo científico da emoção ou do afeto. Isso inclui o estudo da elicitação das emoções, da experiência emocional e do reconhecimento das emoções em outras pessoas. De particular relevância são a natureza do sentimento, o humor, o comportamento motivado emocionalmente, a tomada de decisão, a atenção e a autorregulação, bem como a fisiologia e a neurociência subjacentes às emoções.
Discussão
Um interesse crescente pela emoção pode ser observado nas ciências comportamentais, biológicas e sociais. Pesquisas nas últimas duas décadas sugerem que muitos fenômenos, que vão desde o processamento cognitivo individual até o comportamento social e coletivo, não podem ser compreendidos sem levar em conta determinantes afetivos (isto é, motivações, atitudes, humores e emoções).[1] Assim como a revolução cognitiva da década de 1960 deu origem às ciências cognitivas e aproximou as disciplinas que estudam o funcionamento cognitivo de diferentes pontos de vista, o campo emergente da ciência afetiva busca reunir as disciplinas que estudam as dimensões biológicas, psicológicas e sociais do afeto. Em particular, a ciência afetiva inclui psicologia, neurociência afetiva, sociologia, psiquiatria, antropologia, etologia, arqueologia, economia, criminologia, direito, ciência política, história, geografia, educação e linguística. As pesquisas também são informadas por análises filosóficas contemporâneas e explorações artísticas das emoções. As emoções desenvolvidas na história humana fazem com que organismos reajam a estímulos e desafios ambientais.[2]
O grande desafio para esse domínio interdisciplinar é integrar pesquisas que focalizam o mesmo fenômeno, a emoção e processos afetivos semelhantes, partindo de diferentes perspectivas, referenciais teóricos e níveis de análise. Como resultado, um dos primeiros desafios da ciência afetiva é alcançar consenso sobre a definição de emoções. Há um debate em andamento sobre se as emoções são principalmente respostas corporais ou se o processamento cognitivo é central. A controvérsia também diz respeito às maneiras mais eficazes de medir as emoções e de conceituar como uma emoção difere de outra. Exemplos disso incluem os modelos dimensionais de Russell e outros, a Roda das emoções de Plutchik, e a distinção geral entre emoções básicas e complexas.
Mensuração das emoções
Se o método científico é ou não adequado para o estudo do aspecto subjetivo da emoção, os sentimentos, é uma questão para a filosofia da ciência e a epistemologia. Na prática, o uso de autorrelato (isto é, questionários) tem sido amplamente adotado por pesquisadores. Além disso, pesquisas baseadas na internet estão sendo usadas para conduzir estudos em larga escala sobre os componentes da felicidade, por exemplo.[3]) Mesmo assim, Seligman menciona no livro a baixa confiabilidade do uso desse método, pois ele costuma ser inteiramente subjetivo em relação a como o indivíduo está se sentindo no momento, em contraste com questionários que testam características pessoais mais duradouras que contribuem para o bem-estar, como o sentido da vida. Paralelamente, pesquisadores também utilizam Ressonância magnética funcional, eletroencefalografia e medidas fisiológicas de condutância da pele, tensão muscular e secreção hormonal. Essa abordagem híbrida deve permitir que os pesquisadores identifiquem gradualmente o fenômeno afetivo. Há também alguns sistemas comerciais disponíveis que afirmam medir emoções, por exemplo, usando análise automática de vídeo ou condutância da pele (Affectiva).
Expressão afetiva
Uma forma comum de medir as emoções de outras pessoas é por meio de suas expressões emocionais. Isso inclui expressão facial, expressão vocal e postura corporal. Muito trabalho também tem sido dedicado à codificação do comportamento expressivo em programas de computador que podem ser usados para ler a emoção do sujeito de forma mais confiável. O modelo utilizado para expressão facial é o Facial Action Coding System ou FACS. Uma figura influente no desenvolvimento desse sistema foi Paul Ekman. Para críticas, ver o modelo de ato conceitual da emoção.
Essas fontes comportamentais podem ser contrastadas com a linguagem descritiva das emoções. Em ambos os aspectos, pode-se observar a maneira como a expressão afetiva difere de cultura para cultura.
Stanford
O Departamento de Psicologia da Universidade Stanford possui uma área de Ciência Afetiva. Ela enfatiza pesquisa básica em emoção, cultura e psicopatologia, utilizando uma ampla gama de métodos experimentais, psicofisiológicos, neurais e genéticos para testar teorias sobre mecanismos psicológicos subjacentes ao comportamento humano. Os tópicos incluem longevidade, cultura e emoção, processamento de recompensa, depressão, ansiedade social, risco para psicopatologia e expressão, supressão e desregulação da emoção.[4]
Ver também
Notas e referências
Notas
Referências
- ↑ The National Centre of Competence in Research (NCCR) for the Affective Sciences Arquivado em 2008-05-03 no Wayback Machine See also Swiss Center for Affective Sciences; Seidner identified a negative affect arousal mechanism regarding the devaluation of speakers from other ethnic origins. See Stanley S. Seidner [1991] Negative Affect Arousal Reactions from Mexican and Puerto Rican Respondents https://eric.ed.gov/?id=ED346711
- ↑ Ann M. Kring, Erin K. Moran, "Emotional Response Deficits in Schizophrenia: Insights From Affective Science," Schizophrenia Bulletin, Volume 34, Issue 5, September 2008, Pages 819–834, https://doi.org/10.1093/schbul/sbn071
- ↑ Layard, Richard (14 de maio de 2011). «Flourish: A New Understanding of Happiness and Well-Being — and How to Achieve Them by Martin Seligman — review | Science | The Guardian». The Observer. theguardian.com. Consultado em 27 de julho de 2016
- ↑ «Affective Science | Department of Psychology». psychology.stanford.edu. Consultado em 27 de julho de 2016. Arquivado do original em 18 de agosto de 2016