Ângela Diniz
| Ângela Diniz | |
|---|---|
![]() Ângela em 1976 | |
| Nome completo | Ângela Maria Fernandes Diniz |
| Conhecido(a) por | Pantera de Minas[1] |
| Nascimento | |
| Morte | 30 de dezembro de 1976 (32 anos) |
| Causa da morte | homicídio[nota 1] |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | socialite |
Ângela Maria Fernandes Diniz (Curvelo,[nota 2] 10 de novembro de 1944 – Armação dos Búzios, 30 de dezembro de 1976) foi uma socialite brasileira assassinada em uma casa na Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios, no estado do Rio de Janeiro, pelo seu companheiro, Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street.[2]
Biografia
Ângela Diniz era filha de Newton Viana Diniz e Maria do Espírito Santo Fernandes Diniz. Casou-se aos 17 anos com o engenheiro Milton Villas Boas, 31 anos, com quem teve três filhos. O relacionamento durou nove anos e, quando terminou, o casal fez um acordo judicial de desquite, já que o divórcio não era permitido à época. No acordo, Ângela recebeu uma pensão mensal e uma mansão em Belo Horizonte, porém, a guarda dos três filhos ficou com Milton.[3][4]
Em junho de 1973, o adolescente José Avelino dos Santos (vulgo Zé Preto), então caseiro e vigia da casa de Ângela, foi assassinado à noite com um tiro no rosto. O corpo foi encontrado do lado de fora da casa, próximo à janela, e tinha uma faca na mão e o zíper da calça aberto. Inicialmente, Ângela assumiu a culpa, alegando legítima defesa. Entretanto, as investigações demonstraram que havia uma terceira pessoa na casa, e descobriu-se que Ângela era amante do milionário mineiro Arthur Vale Mendes, conhecido como Tuca Mendes, herdeiro do grupo Mendes Júnior.[4][5] No depoimento, Ângela disse que teria assumido a culpa para proteger Tuca, pois ele era casado e o relacionamento dos dois ainda não era de conhecimento geral. Tuca alegou que havia visto um vulto do lado de fora da casa, foi verificar o que era e a pessoa o atacou, por isso ele reagiu, matando-o.[4] As circunstâncias reais do crime jamais foram esclarecidas. À época, surgiram boatos que Ângela e José Avelino teriam um relacionamento, Tuca ficou sabendo e o matou.[5] Porém, pessoas próximas a Ângela negaram o caso, e ela também.[6] Outra hipótese é que Tuca teria surpreendido José Avelino armado com uma faca do lado de fora da casa, observando Ângela, e o matou.[6] Ao final, Tuca Mendes foi condenado a dois anos com sursis, isto é, com suspensão condicional da pena e liberado.[5]
Devido ao escândalo causado pelo crime, Ângela e Tuca se separaram, e ela decidiu afastar-se de Minas Gerais e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na capital carioca, conheceu o colunista social Ibrahim Sued,[7] com quem teve um breve relacionamento, e que a apelidou de "Pantera de Minas".[3]
No Natal de 1974, Ângela visitou seus filhos em Belo Horizonte, e ao retornar ao Rio de Janeiro, decidiu trazer consigo sua filha, sem avisar a família do seu ex-marido. Milton Villas Boas deu queixa de sequestro. Mesmo Ângela retornando a menina a Belo Horizonte uma semana depois, Milton manteve o processo e Ângela foi condenada a seis meses de prisão pelo sequestro da sua filha.[3]
Em 1975, por meio de uma denúncia anônima, Ângela foi presa sob a acusação de esconder mais de cem gramas de maconha em sua residência. Para poder responder ao processo em liberdade, ela admitiu ser viciada em drogas.[5][3]
Morte


Ângela e Doca namoraram por quatro meses, mas a relação foi marcada por ciúmes e violência doméstica.[8][9] Doca havia abandonado sua esposa e filhos para morar com Ângela, e em dezembro de 1976, ambos estavam veraneando na Praia dos Ossos, em Búzios, em busca de sossego das colunas sociais.[3]
Na noite do dia 30 de dezembro de 1976, Ângela e Doca tiveram uma discussão e ele saiu de casa. Um tempo depois, ele retornou, houve uma nova briga e Doca assassinou a namorada com três tiros no rosto e um na nuca com uma pistola Beretta.[10][11]
Após o homicídio, Doca fugiu e permaneceu semanas foragido. Chegou a dar entrevistas para a TV Globo e para revista Manchete, antes de se entregar a polícia em 18 de janeiro de 1977.[10]
Mídia e memória
Em 1982, a Rede Globo exibiu a minissérie Quem Ama Não Mata, inspirada no assassinato de Ângela Diniz, sob a atuação de Marília Pêra e Cláudio Marzo.
No início dos anos 2000, a vida de Ângela foi cogitada como tema de filme. Seria dirigido por Roberto Farias e teria Deborah Secco como protagonista.[12] Este projeto acabou não realizado.
O programa Linha Direta, da Rede Globo, fez a reconstituição do crime e do julgamento no episódio Ângela e Doca.[13]
Em 2006, Doca Street lançou o livro Mea Culpa, em que dá sua versão.[14][15]
Outro livro que descreveu, em parte, a história da socialite, é Mulher Livre, de Adelaide Carraro.[16]
Em setembro de 2020, a Rádio Novelo lançou o podcast Praia dos Ossos, que em oito episódios reconstitui o crime, partindo do questionamento: "como uma mulher desarmada é morta por quatro tiros e vira a vilã da história?". O terceiro episódio tem como título: "Ângela".[17]
Em setembro de 2023, foi lançado o filme Ângela. Foi interpretada por Isis Valverde.
Ângela Diniz é nome de rua em Fortaleza, no Ceará, São Gonçalo, no Rio de Janeiro e Armação dos Búzios, também no Rio. Nesta última, perto da Praia dos Ossos. Em Parauapebas, no Pará, nomeia uma avenida.[18]
Em 2025, a HBO Max lança a série Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, recapitulando crime e vida da socialite. É protagonizada por Marjorie Estiano e Emilio Dantas.[19]
Notas
- ↑ Pela legislação atual, a causa da morte seria feminicídio, porém este termo foi instituído como no Código Penal somente em 2015; assim, associar o crime em questão a feminicídio seria um anacronismo.
- ↑ O local de nascimento da biografada apresenta fontes para as duas cidades, conforme debate em Discussão:Ângela Diniz#Local de nascimento.
Referências
- ↑ Lobo, Kika Gama (14 de outubro de 2020). «A pantera de Minas». Claudia. Consultado em 5 de julho de 2021
- ↑ «Doca Street, condenado por assassinar Ângela Diniz, morre em São Paulo». G1. 18 de dezembro de 2020. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e Sued, Ibrahim (5 de Janeiro de 1977). «A Imagem de Ângela Diniz». O Globo. Consultado em 6 de Outubro de 2020
- ↑ a b c «A Pantera de Belô» 1106 ed. Manchete. 1973. Consultado em 6 de Outubro de 2020
- ↑ a b c d «Lugar de Fala, Enquadramento e Valores No Caso Ângela Diniz | PDF | Enquadramento (Ciências Sociais) | Sociologia». Scribd. Consultado em 16 de setembro de 2020
- ↑ a b Vianna, Branca (2020). «Praia dos Ossos. Episódio 4 - Três crimes» (PDF). Podcast da Rádio Novelo. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ Última viagem de amor - Veja, 12 de janeiro de 1977, págs. 34 a 37.[ligação inativa]
- ↑ «Época - EDG ARTIGO IMPRIMIR - "Não matei por amor"». revistaepoca.globo.com. Consultado em 20 de março de 2018
- ↑ Studart, Heloneida (1977). «O Mundo em que Ângela Diniz viveu» 1297 ed. Manchete
- ↑ a b «Doca vai, mata e vence». Veja. 24 de outubro de 1979. Consultado em 6 de outubro de 2020
- ↑ «Caso Doca Street». Isto É Gente. Consultado em 3 de abril de 2016
- ↑ «Deborah Secco vive Ângela Diniz no cinema». CineClick. 21 de agosto de 2002. Consultado em 7 de dezembro de 2010
- ↑ «Linha Direta Justiça». Rede Globo. Consultado em 6 de Outubro de 2020
- ↑ Angélica Santa Cruz (1 de setembro de 2006). «Perdoe-me, Ângela, diz Doca Street». O Estado de S. Paulo. Consultado em 7 de dezembro de 2010. Arquivado do original em 10 de novembro de 2010
- ↑ Jonas Furtado. «"Penso em Ângela todos os dias"». Isto É Gente, Editora Três. Consultado em 6 de dezembro de 2010
- ↑ Barros, Lucila Monteiro da Silva (2014). «Adelaide Carraro e as representações do erótico» (PDF). Universidade Estadual de Londrina. Consultado em 8 de outubro de 2020
- ↑ «O crime da Praia dos Ossos». Rádio Novelo. 12 de setembro de 2020. Consultado em 15 de setembro de 2020
- ↑ Vianna, Branca (2020). «Praia dos Ossos. Episódio 8 - Rua Ângela Diniz» (PDF). Podcast da Rádio Novelo. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Série 'Ângela Diniz: Assassinada e Condenada' ganha trailer e pôster | Diversão». O Dia. 10 de outubro de 2025. Consultado em 11 de outubro de 2025
Ligações externas
- Grossi, Miriam Pillar (1993). «De Ângela Diniz a Daniela Perez: a trajetória da impunidade» (PDF). Rev. Estud. Fem. 1 (1). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina. pp. 166–168. Consultado em 26 de fevereiro de 2023
