Rogério Lemgruber
| Bagulhão | |
|---|---|
![]() Bagulhão | |
| Nascimento | 5 de janeiro de 1952 |
| Morte | 29 de maio de 1992 (40 anos) |
| Nacionalidade(s) | brasileiro |
| Crime(s) | Formação de quadrilha, homicídio e tráfico de drogas |
| Parente(s) | Laurindo Augusto Lemgruber Filho (tio-avô)[1] |
Rogério Lemgruber (Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 1952 – Rio de Janeiro, 29 de maio de 1992), também conhecido como Bagulhão,[2][3] foi um assaltante de banco,[4] homicida, sequestrador[5] e traficante de drogas brasileiro, criador da facção Falange Vermelha, antecessora da facção hoje denominada Comando Vermelho, cujo nome completo o homenageia (Comando Vermelho Rogério Lemgruber). Seu irmão Sebastião Lemgruber, vulgo Tiguel[6][7] e seu sobrinho Rondinelli também faziam parte da facção.[8]
Biografia
Filho de Jaime Lemgruber e Eulina Rosa, nasceu na favela do Caju, porém ainda jovem fora com sua família para então favela do Sapo no bairro Senador Camará, pois algumas famílias ganharam moradia no local. Já adulto tornou-se o frente (chefe) do narcotráfico. Foi um dos fundadores da facção criminosa Falange Vermelha e de sua sucessora, o Comando Vermelho.[9][10] Na comunidade, além de ajudar financeiramente os moradores, incentivava crianças à leitura, distribuindo livros e cobrando delas um resumo, sob pena de serem baleadas na mão caso não o fizessem.[11]
Em 1973, então com 21 anos, fugiu do Presídio-Geral do Estado do Rio, em Niterói. As matérias de jornal o citavam como um assaltante de bancos "muito inteligente" e de "alta periculosidade",[12] capaz de "assaltar dois bancos num dia só".[13]
Na década de 1980, seria torturado no antigo presídio da Frei Caneca, hoje Museu Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro,[14] bem como no presídio da Ilha Grande,[15][16][17] local no qual a Falange Vermelha e posteriormente Comando Vermelho começou a se organizar a partir da união entre narcotraficantes e presos políticos.[18] O seu nome posteriormente acabou sendo acrescentado ao da facção. Ele fugiria novamente em janeiro de 1980,[19] abril de 1985[20] e maio de 1987.[21][22][23] Recapturado,[24] foi transferido em agosto de 1987 para o Presídio Ary Franco,[25] aonde seria novamente torturado.[26][27][28]
Em 1990, preso no recém inaugurado Complexo Penitenciário de Bangu, faria aquela que seria a primeira rebelião de presos da penitenciária de segurança máxima.[29]
Rogério liderava a facção criminosa de dentro do presídio, utilizando seus advogados para receber e enviar mensagens de outros criminosos.[30] A advogada Sueli Bezerra viria a ser presa por conta disso.[31]
Sofrendo de diabetes,[32][33] seu estado de saúde começou a se agravar porque não suportava a vida carcerária, devido a quantidade de vezes em que foi preso, fugia e era recapturado. Começou a dispensar a dieta dos médicos feita especialmente para ele. Comia muitos doces e outros alimentos que pudessem aumentar sua taxa de glicose. Magro e debilitado, foi transferido para o Hospital Central Penitenciário para tratamento do diabetes. Pouco tempo depois foi transferido para o Hospital Miguel Couto.
Durante sua internação, mudou completamente a rotina do hospital. Havia uma preocupação enorme das autoridades, já que em um hospital comum, seu resgate se tornaria mais fácil para os criminosos da facção. A segurança foi reforçada com policiais militares fardados e disfarçados. Todos os visitantes que tentavam entrar na unidade eram revistados e seis policiais ficavam 24 horas na enfermaria para impedir uma invasão.[19]
Após oito dias de internação, no dia 29 de maio de 1992, morreu no hospital, vítima das complicações de sua doença, com problemas renais[34] e cirrose hepática.[5] Rogério foi enterrado no dia seguinte no Cemitério de São Francisco Xavier, no bairro do Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro.[4]
Bibliografia
- Falcão - Meninos do Tráfico, Mv Bill e Celso Athayde, Editora: Objetiva
- Abusado - O Dono do Morro Dona Marta
Documentários
A história de Rogério Lemgruber, por estar atrelada ao Comando Vermelho, é contada em diversos filmes e séries de TV, dentre eles:
Referências
- ↑ Registro Civil, Nova Friburgo, Nascimentos Livro I, Termo 17760
- ↑ Grunenwald, Marcia (18 de novembro de 1988). «Falange força ou fraqueza». O Pasquim 990 ed. p. 14. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ Amorim, Carlos (1 de agosto de 2010). «Empresários do submundo». Revista História Viva. Consultado em 1 de fevereiro de 2017
- ↑ a b Teresa, Irany (4 de junho de 1992). «A cópia desdentada da Cosa Nostra». Jornal do Brasil 57 ed. p. 50. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ a b «'Bagulhão' morre de cirrose em hospital». O Fluminense 33344 ed. 30 de maio de 1992. p. 8. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ Bruno, Cássio (30 de outubro de 2020). «Parente de traficante foi sócia de empresa de vice de Martha Rocha». Veja. Consultado em 7 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2020. (pede subscrição (ajuda))
- ↑ «Traficante dribla novo cerco policial». Tribuna da Imprensa 11692 ed. 3 de setembro de 1987. p. 8. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Dupla confessa chacina de 5 e denuncia 10». Jornal do Brasil 294 ed. 29 de janeiro de 1991. p. 35. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ Ronaldo França e Marcelo Carneiro (5 de março de 2003). «Estado de calamidade». VEJA on-line. Consultado em 19 de fevereiro de 2009
- ↑ «PF aborta plano do Comando Vermelho - Subproduto da ditadura». Jornal do Brasil 61 ed. 8 de junho de 1996. p. 5. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ Audi, Marina (26 de maio de 2022). «"A coisa mais difícil que eu tinha a fazer era provar para a favela o quanto ela era potente. A favela é potência, e não carência"». Draft. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ «Presos fogem arrombando grades, portas e paredes». Jornal do Brasil 202 ed. 27 de outubro de 1973. p. 14. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ Lopes, Geraldo (8 de maio de 1987). «'Bagulhão' já assaltou 2 bancos em uma semana». Tribuna da Imprensa 11590 ed. p. 8. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Brizola vai construir novos presídios no RJ». Tribuna da Imprensa 10496 ed. 11 de outubro de 1983. p. 5. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ Lopes, Geraldo (10 de dezembro de 1981). «Quem disse que a tortura acabou?». O Pasquim 650 ed. p. 23
- ↑ «Laudos confirmam massacre de presos na Ilha Grande». Jornal do Brasil 271 ed. 6 de janeiro de 1982. p. 5. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ Mainel, Valério (julho de 1983). «Toda a verdade sobre a FALANGE VERMELHA». Revista Manchete 1629 ed. p. 76. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «História do Comando Vermelho vai virar filme». Portal Vermelho. 4 de fevereiro de 2009. Consultado em 19 de fevereiro de 2009
- ↑ a b «Quem foram os fundadores do Comando Vermelho, facção que protagoniza guerra por territórios no Rio». O Globo. 16 de julho de 2024. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2024
- ↑ «Falange Vermelha ataca banco e leva 41 milhões». Jornal dos Sports 17198 ed. 16 de abril de 1985. p. 10. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Nenhum recapturado ainda na fuga da Ilha Grande». Luta Democrática 9240 ed. 5 de maio de 1987. p. 5. Consultado em 6 de agosto de 2025
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- ↑ «Polícia inocenta o chefão dos tóxicos». Tribuna da Imprensa 11666 ed. 4 de agosto de 1987. p. 9. Consultado em 6 de agosto de 2025
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- ↑ «OAB não viu espancados em A. Santa». Tribuna da Imprensa 11765 ed. 27 de novembro de 1987. p. 8. Consultado em 6 de agosto de 2025
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- ↑ «OAB suspende três advogados». Jornal do Brasil 82 ed. 29 de junho de 1990. p. 30. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ «Decretada a prisão de Suely e 108 detentos». Jornal do Brasil 121 ed. 7 de agosto de 1990. p. 28. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ «Diretor do Desipe faz visita a presos». Jornal do Brasil 222 ed. 16 de novembro de 1987. p. 18. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Comando no comando - Japonês agora está no lugar de Escadinha». Jornal do Brasil 209 ed. 3 de novembro de 1988. p. 28. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Assaltante morre no Miguel Couto». Jornal do Commercio 195 ed. 30 de maio de 1992. p. 16. Consultado em 7 de agosto de 2025
- ↑ «'O jogo que mudou a História': conheça os personagens reais que inspiraram a nova série do Globoplay». O Globo. 13 de junho de 2024. Cópia arquivada em 24 de março de 2025
