Antônio Silvino
| Antônio Silvino | |
|---|---|
![]() Retrato de sua ficha policial, 1914. | |
| Nome completo | Manoel Baptista de Moraes |
| Pseudônimo(s) | "Antônio Silvino" "Rifle de Ouro" |
| Nascimento | 21 de março de 1872 |
| Morte | 30 de julho de 1944 (68 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | cangaceiro |
Manoel Baptista de Moraes, conhecido como Antônio Silvino (Afogados da Ingazeira, 21 de março de 1872 — Campina Grande, 30 de julho de 1944), foi um cangaceiro brasileiro.
Biografia
Nascimento

Nasceu na antiga Fazenda Colônia (Atualmente o local localiza-se no município de Carnaíba - PE). Era filho de Pedro Rufino de Almeida Baptista (Batistão) e Balbina Maximilina Pereira de Moraes.[1] Foi batizado na antiga Capela do Senhor Bom Jesus dos Affogados, na antiga "Freguesia da Ingazeira", no dia 14 de abril de 1872. (Hoje essa capela é a Catedral da cidade de Afogados da Ingazeira) .
Recentemente, seu bastistério foi apresentado ao público pela primeira vez por um pesquisador e historiador do Pajeú chamado Hesdras Souto, durante um evento de nome Cariri Cangaço, ocorrido na cidade de Afogados da Ingazeira.[2]
No batistério de Antônio Silvino consta como seus padrinhos Joaquim José da Silva e Cecília Lima de Britto. Foi batizado pelo Vigário da Ingazeira Padre Amâncio Leite da Silva.
Ingresso no Cangaço
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Apelidado de Batistinha ou Nezinho, inicia-se no cangaço em 1896, juntamente ao irmão Zeferino, após o assassinato do pai, "Batistão do Pajeú", durante uma feira em Afogados da Ingazeira, por Desidério Ramos.
Adota o nome de guerra de Antônio Silvino, em homenagem ao tio, Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque, cangaceiro que acolheu o sobrinho após o assassinato do pai por brigas de terras. Por outros, é apelidado de "Rifle de Ouro".
Conforme a pesquisadora da Fundaj, Semira Adler Vainsencher, ele representou, um muito antes de Lampião, o mais famoso chefe de cangaço, substituindo cangaceiros célebres tais como Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia-Noite, Preto, Moita Brava, o tio Silvino Aires.
Entre seus atos, arrancou trilhos, prendeu funcionários, e sequestrou engenheiros da Great Western, que implantava o sistema ferroviário na Paraíba e Pernambuco, e desapropriou parte das terras da sua família sem indenização.
Nesse estado, um dos seus maiores perseguidores, nos primeiros anos do Séc. XX, foi o alferes Joaquim Henriques de Araújo, que mais tarde viria a ser Comandante da Polícia Militar paraibana. Em Pernambuco, uma década depois, foi perseguido pelo alferes Teófanes Ferraz Torres, delegado do município de Taquaritinga, que finalmente o prendeu em fins de novembro de 1914, no governo do general Dantas Barreto.[3][4]
Prisão
Tornando-se o prisioneiro número 1122, da cela 35, do Raio Leste da antiga Casa de Detenção do Recife, teve comportamento exemplar. Em 1937, é libertado através de um indulto do presidente Getúlio Vargas.
Morte
Faleceu em Campina Grande, em casa de uma prima, em 30 de julho de 1944.[5]
Representações na cultura popular
- Literatura
No que diz respeito à obra de José Lins do Rego, Antônio Silvino aparece como figura marcante nos romances Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953), bem como em Menino de Engenho (1932), Fogo Morto (1943) e no relato biográfico Meus Verdes Anos (1956).[6]
Graciliano Ramos, que visitou o bandoleiro na cadeia, pondera sobre a visão estereotipada que se tem dos bandidos, sobre a altivez daquele antigo comandante de sertanejos anônimos, e sobre a experiência do cárcere, pela qual também passou. Esse encontro foi relatado no periódico O Jornal, do Rio de Janeiro, em 11 de setembro de 1938, e postumamente no livro Viventes das Alagoas (1962).[6]
- Literatura de cordel
Antônio Silvino foi tema de poesias de cordel, como "Antonio Silvino, o Rei dos Cangaceiros" de Leandro Gomes de Barros.[7][8]
- Música
É um dos cangaceiros mais próximos do que seria o "bandido social" e por isso foi citado por Ariano Suassuna na canção composta por ele, Capiba e Ascenso Ferreira, "São os do Norte que vem".
Referências
- ↑ LEITE, Arlan (2025). (Re)escrevendo a genealogia de Manoel Thomaz de Carvalho (1752-1836) e sua descendência potiguar-paraibana: sertanejos, proprietários rurais, militares, políticos e cangaceiros. Natal, RN: Clube de Autores. p. 82-89. 100 páginas. ISBN 978-65-01-84881-5
- ↑ «O reino do Cangaço se instala em Afogados da Ingazeira». Blog do Magno. Consultado em 21 de abril de 2024
- ↑ «Está engaiolado o terror do norte». A Noite (RJ), ano IV, edição 1053, página 3/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 28 de novembro de 1914. Consultado em 20 de novembro de 2021
- ↑ «Foi preso». Careta (RJ), ano VII, edição 336, página 28/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 5 de dezembro de 1914. Consultado em 20 de novembro de 2021
- ↑ «Faleceu Antonio Silvino». Diário de Pernambuco, ano 119, edição 180, página 4/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 1 de agosto de 1944. Consultado em 20 de novembro de 2021
- ↑ a b RAMOS, Graciliano (2014). Cangaços. Rio de Janeiro: Record. p. 71
- ↑ Antonio Silvino o rei dos cangaceiros Fundação Casa de Rui Barbosa
- ↑ «Cangaceiros e valentões». Diário de Pernambuco, ano 119, edição 13, página 7/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 16 de janeiro de 1944. Consultado em 20 de novembro de 2021
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