Cascavel-mesoamericana

Cascavel-mesoamericana
Cascavel-mesoamericana (Crotalus simus)
Cascavel-mesoamericana
(Crotalus simus)
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Género: Crotalus
Espécie: C. simus
Nome binomial
Crotalus simus
Latreille In Sonnini & Latreille, 1801
Sinónimos
  • Caudisona durissa – Cope, 1861
  • C[rotalus]. terrificus – Cope In Yarrow In Wheeler, 1875
  • Crotalus durissus durissus – Klauber, 1936
  • C[rotalus] terrificus copeanus – Amaral, 1937
  • Crotalus (Crotalus) durissus durissus – J. Peters & Orejas-Miranda, 1970
  • Crotalus durissus neoleonensis – Juliá-Zertuche & Treviño-Saldaña, 1978 (nomen nudum)[2][3]
  • Crotalus simus – Porras & Solarzano, 2006
  • Crotalus simus – Quijada-Mascareñas & Wüster, 2006

Crotalus simus, comumente conhecida como cascavel-mesoamericana,[4] é uma espécie de cobra venenosa da subfamília Crotalinae, encontrada no México e na América Central. O epíteto específico, derivado do latim, significa "nariz achatado", provavelmente devido à cabeça rombuda em comparação com as jararacas (Bothrops).

Descrição

Os adultos geralmente ultrapassam 130 cm de comprimento, com os machos crescendo mais que as fêmeas. Machos grandes atingem entre 140 e 160 cm em algumas populações. O comprimento máximo registrado é de 180 cm.[2]

O corpo tem uma aparência áspera devido às quilhas das escamas dorsais, que são acentuadas em protuberâncias ou tubérculos. Isso é mais evidente nas fileiras de escamas laterais do corpo, com intensidade decrescente nas fileiras inferiores. As escamas vertebrais são tão proeminentemente quilhadas quanto as da quarta fileira nas laterais (considerando as escamas vertebrais como a primeira fileira).[5]

Distribuição e habitat

A espécie é encontrada desde o México, no sudoeste de Michoacán na costa do Pacífico, e Veracruz e a Península de Yucatán na costa do Atlântico, até o sul, passando por Belize, Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, até o centro-oeste da Costa Rica. Está ausente no Panamá, mas aparentemente ocorre no lado atlântico da Colômbia.[2] A localidade-tipo indicada é "Ceylan", o que está incorreto.[3] Um neótipo foi selecionado tendo sido coletado nos arredores de El Arenal, Departamento de Zacapa, Guatemala, a 360 m de altitude.[6]

Seus habitats são semiáridos, incluindo florestas tropicais secas ou muito secas, matas espinhosas e florestas arbustivas áridas. Também ocorre em florestas mésicas com áreas abertas relativamente secas.[2]

Usos

Para os maias, a espécie de Yucatán (Crotalus tzabcan)[7] é muito reverenciada. A palavra tzabcan significa cascavel em maia. Há muitas representações de cobras na arte maia. Embora muitos templos tenham formas de cascavel esculpidas, não se sabe o que a cascavel de fato simboliza.[8]

Veneno

As mordidas são semelhantes às de cascavéis nos Estados Unidos. Os sintomas locais podem ser graves, com dor, inchaço maciço, formação de bolhas e necrose, que levam a fasciotomias e, em alguns casos, amputações. Efeitos sistêmicos envolvendo distúrbios hemostáticos são raros, assim como insuficiência renal e neurotoxicidade. Apenas o veneno de neonatos contém crotoxina, um componente tipicamente encontrado no veneno de Crotalus durissus, que produz sintomas neurotóxicos.[9]

Taxonomia

Até 2004, a descrição desta forma era listada como a subespécie nominada da cascavel-sul-americana (C. durissus).[3] Dados genéticos moleculares sugerem que os táxons culminatus e tzabcan devem ser considerados espécies separadas de C. simus.[10]

Ver também

Referências

  1. Dwyer, Q.; Lamar, W.; Porras, L.W.; Solórzano, A.; Sunyer, J.; Chaves, G. (2014). «Crotalus simus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2014: e.T197480A2488426. doi:10.2305/IUCN.UK.2014-1.RLTS.T197480A2488426.enAcessível livremente. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  2. a b c d Campbell, J.A.; Lamar W Harrisburg (2004). The Venomous Reptiles of the Western Hemisphere. Ithaca and London: Comstock Publishing Associates. pp. 870 pp. 1500 plates. ISBN 0-8014-4141-2 .
  3. a b c McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T. 1999. Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, vol. 1. Herpetologists' League. 511 pp. ISBN 1-893777-00-6 (series). ISBN 1-893777-01-4 (volume).
  4. «Cascavel-mesoamericana (Crotalus simus)». iNaturalist. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  5. Klauber LM. 1997. Rattlesnakes: Their Habitats, Life Histories, and Influence on Mankind. Second Edition. 2 volumes. Reprint, University of California Press, Berkeley. ISBN 0-520-21056-5.
  6. Wallach, Van (2014). Snakes of the World: A Catalogue of Living and Extinct Species. Kenneth Lee Williams, Jeff Boundy 2a ed. Florida: Taylor & Francis Group. p. 196 
  7. «Crotalus tzabcan». The Reptile Database. Consultado em 30 de agosto de 2025 
  8. Saturno, W.A; Taube, K.A; Stuart, D (2005). Los murales de San Bartolo, El Petén, Guatemala, parte1: El mural del norte (PDF) 2nd ed. [S.l.]: Center for American Studies 
  9. Warrell DA. 2004. Snakebites in Central and South America: Epidemiology, Clinical Features, and Clinical Management. In Campbell JA, Lamar WW. 2004. The Venomous Reptiles of the Western Hemisphere. Comstock Publishing Associates, Ithaca and London. 870 pp. 1500 plates. ISBN 0-8014-4141-2.
  10. Wüster, W., J.E. Ferguson, J.A. Quijada-Mascareñas, C.E. Pook, M.G. Salomão & R.S. Thorpe (2005) Tracing an invasion: landbridges, refugia and the phylogeography of the Neotropical rattlesnake (Serpentes: Viperidae: Crotalus durissus). Molecular Ecology 14(4): 1095–1108.

Leitura adicional

  • Sonnini, C.S. & Latreille, P.A. 1801. Histoire naturelle des Reptiles, avec figures dessinées d'après nature; Tome III. Seconde Partie. Serpens. Crapelet. Paris. 335 pp. (Crotalus tellee simus, p. 202.)