Carlos, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo
| Carlos | |
|---|---|
![]() Retrato por Caroline Bardua, c. 1846-1855 | |
| Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo | |
| Período | 27 de fevereiro de 1831 a 24 de outubro de 1878 |
| Antecessor(a) | Frederico Guilherme |
| Sucessor(a) | Frederico |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 30 de setembro de 1813 Castelo de Gottorf, Eslésvico, Ducado de Eslésvico |
| Morte | 24 de outubro de 1878 (65 anos) Castelo de Glucksburgo, Glucksburgo, Eslésvico-Holsácia, Império Alemão |
| Esposa | Guilhermina Maria da Dinamarca |
| Casa | Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo |
| Pai | Frederico Guilherme, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo |
| Mãe | Luísa Carolina de Hesse-Cassel |
| Religião | Luteranismo |
| Brasão | ![]() |
Carlos de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo (em alemão: Karl von Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg; em dinamarquês: Carl til Slesvig-Holsten-Sønderborg-Glücksborg; Eslésvico, 30 de setembro de 1813 – Glucksburgo, 24 de outubro de 1878) foi Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo de 1831 até 1878. Era irmão mais velho do rei Cristiano IX da Dinamarca.
Nascimento e família

O príncipe Carlos nasceu em 30 de setembro de 1813, na residência de seus avós maternos, o Castelo de Gottorf, próximo à cidade de Eslésvico, no Ducado de Eslésvico, então um feudo sob a Coroa da Dinamarca.[1] Nascido príncipe de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck, terceiro filho, o primeiro menino, do duque Frederico Guilherme, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck e de sua esposa, a princesa Luísa Carolina de Hesse-Cassel.[2]
O pai do príncipe Carlos era o chefe da Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck, um ramo cadete da Casa de Oldemburgo, descendente do rei Cristiano III da Dinamarca por meio de seu filho mais novo, o duque João de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo. Sua mãe era filha do príncipe Carlos de Hesse-Cassel, um príncipe de origem alemã que construiu carreira na Dinamarca, onde exerceu os cargos de marechal de campo dinamarquês e governador real dos ducados de Eslésvico e Holsácia.[3]
Infância

Inicialmente, o jovem príncipe cresceu com seus pais e numerosos irmãos e irmãs na pequena corte mantida por seus avós maternos no Castelo de Gottorf, sede habitual dos governadores reais dos ducados de Eslésvico e Holsácia. Contudo, em 1824, faleceu a duquesa viúva de Glucksburgo, viúva de Frederico Henrique Guilherme, último duque da linha mais antiga Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, ele próprio falecido em 1779. Com isso, o Castelo de Glucksburgo, situado um pouco ao sul do Fiorde de Flensburg, ficou desocupado. Em 6 de junho de 1825, o duque Frederico Guilherme foi nomeado Duque de Glucksburgo por seu cunhado, o rei Frederico VI da Dinamarca. Em seguida, Frederico Guilherme alterou seu título para Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, fundando assim a linha mais jovem de Glucksburgo.[4]
Posteriormente, a família transferiu-se para o Castelo de Glucksburgo, onde o príncipe Carlos foi criado juntamente com seus irmãos, sob a supervisão de seu pai. Em 1831, o rei Frederico VI nomeou-o capitão de estado-maior no Regimento de Infantaria de Oldemburgo, então aquartelado em Rendsburg e comandado por seu pai.[1] No entanto, pouco menos de três semanas depois, em 17 de fevereiro de 1831, o duque Frederico Guilherme faleceu aos apenas 46 anos de idade, em consequência de um resfriado que evoluiu para pneumonia e, segundo sua própria avaliação, de escarlatina, enfermidade que anteriormente havia afetado dois de seus filhos. Com a morte do pai, Carlos tornou-se Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e herdou o Castelo de Glucksburgo aos dezessete anos de idade.[1] Em 1837, foi nomeado major na comitiva do exército; em 1838, tenente-coronel no Corpo de Caçadores de Lauenburgo; em 1839, comandante dessa mesma unidade e, ainda nesse ano, foi promovido ao posto de coronel.[5]
Casamento
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Em 19 de maio de 1838, o duque Carlos, então com 24 anos de idade, casou-se com sua prima em primeiro grau, a princesa Guilhermina Maria da Dinamarca, cinco anos mais velha, filha do rei Frederico VI da Dinamarca e de sua esposa, Maria Sofia de Hesse-Cassel, no Palácio de Amalienborg, em Copenhague.[5] Guilhermina Maria fora anteriormente esposa do príncipe Frederico da Dinamarca, o futuro rei Frederico VII, de quem se divorciara em 1837.[6] Após o casamento, o casal recém-unido passou a residir no Castelo de Kiel, concedido pelo rei como sua morada.[1]
Vida posterior
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Durante a Questão do Eslésvico-Holsácia, o duque Carlos foi um defensor do movimento Eslésvico-Holsácia. Em 1846, na qualidade de chefe da Casa de Glucksburgo, protestou contra a carta aberta do rei Cristiano VIII relativa à sucessão nos ducados de Eslésvico e Holsácia e, por insatisfação, pediu demissão do Exército em agosto do mesmo ano.[5] Não obstante, oito dias após sua ascensão ao trono, o rei Frederico VII concedeu-lhe o posto de major-general.[6] O duque Carlos posicionou-se ativamente contra a Dinamarca durante a Primeira Guerra do Eslésvico, entre 1848 e 1851, o que levou ao rompimento das relações do casal ducal com a família real dinamarquesa. No início do conflito, assumiu o comando de uma das brigadas de infantaria do governo provisório de Eslésvico-Holsácia; contudo, já no outono de 1848, ele e sua esposa mudaram-se para Dresden, no Reino da Saxônia.[5] Ali permaneceram até 1852, quando regressaram à Dinamarca após o estabelecimento de uma reconciliação tensa e pouco estável. Em consequência de sua rebelião contra o governo dinamarquês, o duque Carlos perdeu suas ordens e condecorações dinamarquesas, que só lhe foram restituídas em 1856.[5] Ademais, em 1854, foi obrigado a ceder a residência familiar, o Castelo de Glucksburgo, ao rei Frederico VII da Dinamarca, que o utilizou como residência de verão e ali veio a falecer em 1863.[7]
Nos anos seguintes, o casal passou a residir no Castelo de Kiel durante o inverno e, no verão, em Louisenlund, próximo à cidade de Eslésvico.[6] Durante a Segunda Guerra de Eslésvico, em 1864, deixaram novamente o país, retornando no ano seguinte após a vitória prussiana no conflito.[6] Posteriormente, estabeleceram-se em Louisenlund, não mais em Kiel.[6] Em 1871, entretanto, o duque e a duquesa reassumiram a posse da residência familiar, o Castelo de Glucksburgo, que, após longas negociações concluídas em 1870, foi devolvido ao duque pelo governo prussiano, passando então a servir como sua residência principal.[7]
O duque Carlos faleceu aos 65 anos de idade, em 24 de outubro de 1878, no Castelo de Glucksburgo.[1][5][6] Seu casamento com Guilhermina Maria não produziu descendência,[6] sendo comum a suposição de que a duquesa fosse estéril, uma vez que não há registros de abortos espontâneos e natimortos. Com sua morte, o título ducal foi herdado por seu irmão mais novo, Frederico. O duque Carlos foi sepultado no Castelo de Glucksburgo.[5] A duquesa Guilhermina Maria sobreviveu ao marido por doze anos, falecendo em 30 de maio de 1891, também no Castelo de Glucksburgo.
Referências
- ↑ a b c d e Lohmeier 1987, p. 473.
- ↑ Montgomery-Massingberd, Hugh, ed. (1977). Burke's Royal Families of the World. 1: Europe & Latin America. Londres: Burke's Peerage Ltd. p. 280. ISBN 0-85011-023-8.
- ↑ Bramsen 1992, p. 48.
- ↑ Bramsen 1992, p. 78-82.
- ↑ a b c d e f g Larsen 1934, p. 501.
- ↑ a b c d e f g Hiort-Lorenzen 1889, p. 359.
- ↑ a b Hiort-Lorenzen 1889, p. 359-360.
Bibliografia
- Bramsen, Bo (1992). Huset Glücksborg. Europas svigerfader og hans efterslægt (em dinamarquês). 2 2 ed. Copenhague: Forlaget Forum. ISBN 978-87-553-3230-0. OCLC 471920299.
- Hiort-Lorenzen, Hans Rudolf (1889). «Carl, Hertug af Slesvig-Holsten-Sønderborg-Glücksborg». In: Bricka, Carl Frederik. Dansk biografisk Lexikon, tillige omfattende Norge for tidsrummet 1537-1814 (em dinamarquês). XVIII 1 ed. Copenhague: Gyldendalske Boghandels Forlag. pp. 359–360.
- Larsen, Svend (1934). «Carl, Hertug af Slesvig-Holsten-Sønderborg-Glücksborg» (PDF). In: Engelstoft, Povl; Dahl, Svend. Dansk Biografisk Leksikon (em dinamarquês). 4 2 ed. Copenhague: J.H. Schultz Forlag. p. 501.
- Lohmeier, Dieter (1987). «Carl, Herzog von Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg» (PDF). Biographisches Lexikon für Schleswig-Holstein und Lübeck (em alemão). 8. Neumünster: Wachholtz Verlag. pp. 473–474. ISBN 3-529-02648-4.
| Carlos de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo Ramo da Casa de Oldemburgo 30 de setembro de 1813 – 24 de outubro de 1878 | ||
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