Guilhermina Maria da Dinamarca
| Guilhermina Maria | |
|---|---|
| Princesa da Dinamarca | |
![]() Retrato por Louis Aumont, 1831 | |
| Duquesa Consorte de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo | |
| Período | 19 de maio de 1838 a 24 de outubro de 1878 |
| Predecessora | Luísa Carolina de Hesse-Cassel |
| Sucessora | Adelaide de Eschaumburgo-Lipa |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 18 de janeiro de 1808 Castelo de Kiel, Kiel, Ducado da Holsácia |
| Morte | 30 de maio de 1891 (83 anos) Castelo de Glucksburgo, Glucksburgo, Eslésvico-Holsácia, Império Alemão |
| Maridos | Frederico da Dinamarca (1828-1837) (divórcio) Carlos, Duque de Eslésvico- Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo (1838–1878) |
| Casa | Oldemburgo (nascimento/casamento) Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo (casamento) |
| Pai | Frederico VI da Dinamarca |
| Mãe | Maria Sofia de Hesse-Cassel |
Guilhermina Maria da Dinamarca e da Noruega (em dinamarquês: Vilhelmine Marie; Kiel, 18 de janeiro de 1808 – Glucksburgo, 30 de maio de 1891) foi uma princesa da Casa de Oldemburgo, filha do rei Frederico VI. Através do primeiro casamento, foi esposa do príncipe Frederico da Dinamarca, o futuro rei Frederico VII, que terminou em divórcio. Pelo seu segundo casamento, tornou-se esposa do duque Carlos, passando a ostentar o título de duquesa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo.
Primeiros anos
Nascida no Castelo de Kiel, no Ducado da Holsácia, em 18 de janeiro de 1808,[1][2] oitava e última filha, a segunda sobrevivente, do rei Frederico VI da Dinamarca e da Noruega e de sua esposa, a princesa Maria Sofia de Hesse-Cassel. Pelo lado paterno, era neta do rei Cristiano VII e da rainha Carolina Matilde, nascida uma princesa britânica. Por parte materna, era neta do conde Carlos de Hesse-Cassel e da princesa Luísa da Dinamarca.[3]

Guilhermina recebeu educação domiciliar, ministrada por seu preceptor Tang e por sua governanta, Gall, esta de origem alemã. Em 16 de maio de 1824, foi confirmada pelo pastor Liebenberg na capela do Castelo de Frederiksborg.[1] Diferentemente de sua irmã mais velha, era considerada bela, embora lhe fossem atribuídas a falta de firmeza de caráter e de interesses mais profundos.[4]
O rei Frederico VI não teve filhos homens que sobrevivessem à infância e, por esse motivo, sabia que o trono seria herdado por um parente colateral, o príncipe Cristiano. Com o objetivo de preservar a continuidade dinástica e fortalecer a unidade da família real, tomou decisões matrimoniais estratégicas para suas filhas. A princesa Carolina, sua primogênita, foi casada com o próprio tio, o príncipe Fernando, que figurava entre os possíveis herdeiros da Coroa. Já para sua filha mais nova, Guilhermina, o rei escolheu como marido o único filho desse mesmo herdeiro, seu primo em segundo grau, o príncipe Frederico VII. O noivado do casal foi oficialmente anunciado na corte de Copenhague em 28 de maio de 1826. Por meio dessa união, Frederico VI buscava aproximar e consolidar os dois ramos da casa reinante,[5][2] sem que as preferências pessoais dos noivos tivessem papel relevante nas decisões tomadas.[6]
Primeiro casamento
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Em 1 de novembro de 1828, na capela do Castelo de Christiansborg,[7] Guilhermina casou-se com o príncipe Frederico, sobrinho do rei Frederico VI. Após o falecimento do pai e do tio da princesa, Frederico ascenderia ao trono, tornando-se rei da Dinamarca e da Noruega com o nome de Frederico VII. A união foi bem recebida pela sociedade da época, e as celebrações nupciais incluíram festividades populares e apresentações teatrais. Em comemoração ao casamento, o bispo Friedrich Münter e o ministro Johann Sigismund Møsting fundaram uma instituição de caridade, batizada em homenagem à princesa. Apesar da aprovação pública, o casamento revelou-se infeliz e não produziu descendentes. Os cônjuges possuíam temperamentos incompatíveis. Guilhermina era descrita como submissa e incapaz de se opor ao comportamento excêntrico e dissoluto de Frederico. A infelicidade conjugal da princesa causou grande preocupação a seus pais, levando à intervenção do conde Rantzau, membro do Conselho Privado, que atuou como mediador na tentativa de resolver a situação.[7] Em 1834, Guilhermina e Frederico passaram a viver separados, e o divórcio foi oficialmente concluído em 4 de setembro de 1837, embora algumas fontes indiquem 6 de setembro como a data final.[8][4]
Segundo casamento

Pouco depois do divórcio, Guilhermina casou-se com o duque Carlos de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, na capela do Palácio de Amalienborg, em 19 de maio de 1838. Após o casamento, o casal estabeleceu-se no Castelo de Kiel. A união, que durou quarenta anos, não gerou filhos, mas foi feliz. Carlos, cinco anos mais jovem que a esposa, revelou-se um marido dedicado e atencioso.[9] Durante a Guerra dos Três Anos, quando Carlos se aliou a Eslésvico-Holsácia contra a Dinamarca, Guilhermina apoiou o marido. Após a renúncia dele ao serviço militar em 1848, o casal mudou-se para Dresden, onde permaneceu até 1858, ano em que receberam autorização para retornar à Dinamarca. Retornaram à propriedade Louiselund, em Eslésvico,[7][10] e permaneceram nela mesmo depois que o cunhado de Guilhermina se tornou rei da Dinamarca e que Carlos perdeu seu estatuto de duque soberano em 1864. A duquesa ficou profundamente abalada com a perda dos bens do marido.[11]
Em 1870, o casal estabeleceu-se no Castelo de Glucksburgo, que já integrava o Reino da Prússia. Em 28 de outubro de 1878, Guilhermina ficou viúva.[11] Na velhice, com quase total perda da audição, levou uma vida solitária.[12] Ainda assim, manteve laços estreitos com a família real dinamarquesa. Suas provações a tornaram profundamente religiosa, e ela dedicava-se generosamente à assistência aos pobres, ganhando respeito universal, especialmente entre os habitantes de Glucksburgo.
Morte
Guilhermina faleceu no Castelo de Glucksburgo em 30 de maio de 1891. Seus restos mortais foram sepultados na cripta ducal do cemitério da cidade de Glucksburgo.[11]
Na cultura
Diversos retratos de Guilhermina, registrando diferentes fases de sua vida, sobreviveram até os dias atuais. Em uma pintura do artista suíço Johann Senna, datada de 1813, a princesa é retratada aos cinco anos de idade, caminhando com os pais e a irmã mais velha nos jardins do Castelo de Frederiksborg; a obra integra atualmente a coleção real do Castelo Rosenborg.[13] Em um retrato cerimonial da família real, realizado pelo artista dinamarquês Christoffer Eckersberg em 1821, Guilhermina é retratada aos treze anos; essa pintura também encontra-se no Castelo de Rosenborg.[14] Um retrato adicional da princesa, pintado por Louis Aumont em 1831, igualmente pertence às coleções do mesmo castelo.[15] O busto de mármore de Guilhermina, esculpido por Bertel Thorvaldsen em 1828, encontra-se hoje no Museu Thorvaldsen, em Copenhague.[16]
Ancestrais
Referências
- ↑ a b Thorsøe 1904, p. 593.
- ↑ a b Engelstoft 1932—1944, p. 594.
- ↑ Cawley, Kings of Denmark.
- ↑ a b Bramsen 1969, p. 132.
- ↑ Thorsøe 1904, pp. 593—594.
- ↑ Bramsen 1969, p. 131.
- ↑ a b c Thorsøe 1904, p. 594.
- ↑ Engelstoft 1932—1944, pp. 594—595.
- ↑ Bramsen 1969, pp. 132, 180.
- ↑ Engelstoft 1932—1944, p. 595.
- ↑ a b c Thorsøe 1904, p. 595.
- ↑ Bramsen 1969, pp. 180, 310.
- ↑ Bramsen 1969, p. 79.
- ↑ Bramsen 1969, p. 81.
- ↑ Aumont.
- ↑ Thorvaldsens.
Bibliografia
- Bramsen, Bo (1969). Ferdinand og Caroline: en beretning om prinsen der nødig ville være konge af Danmark (PDF) (em dinamarquês). Copenhague: Politikens Forlag. 338 páginas.
- Engelstoft, Povl (1932–1944). Dansk Biografisk Leksikon (PDF) (em dinamarquês). XXV. Copenhague: J. H. Schultz Forlag. 628 páginas.
- Thorsøe, Alexander (1904). «Vilhelmine Marie». In: Bricka C. F. Dansk Biografisk Leksikon (em dinamarquês). XVIII. Copenhague: Gyldendalske Boghandels Forlag. 632 páginas.
Ligações externas
- Biografia de Guilhermina Maria Enciclopédia Biográfica Dinamarquesa

