Carla Akotirene

Carla Akotirene
Nascimento30 de abril de 1980
Salvador
CidadaniaBrasil
Etnianegros
Alma mater
Ocupaçãoinvestigadora, escritora, ativista política, intelectual, teorista de gênero
Distinções
  • BANTUMEN Powerlist

Carla Akotirene, Carla Adriana da Silva Santos, nascida em (Salvador-Bahia, 05 de Maio de 1980) é uma militante antirracista, pesquisadora e intelectual ativista em gênero e raça, autora e colunista no tema movimento negro, racismo, feminismo negro, segurança pública e sistema de Justiça no Brasil.

Carla é doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autora de obras fundamentais como Interseccionalidade (2019), Ó pa í, Prezada (2020) e “É fragrante fojado dôtor vossa excelência” (2024).

Em 2016, Carla Akotirene criou o Opará Saberes, importante projeto de Letramento Racial e formação de pessoas negras, especialmente mulheres, para a Pós-Graduação. Carla é frequentemente citada pela sua investigação sobre interseccionalidade.[1][2][3][4][5][6][7][8]

Em setembro de 2025, Carla recebeu a Comenda Maria Quitéria, maior honraria da Câmara Municipal de Salvador, entregue a mulheres que se destacam em atividades em benefício da cidade de Salvador e do Estado da Bahia. [9]

Percurso

Carla Akotirene estudou, entre 1998 e 1999, Patologia Clínica no Instituto Anísio Teixeira (IAT). Na altura, esteve envolvida nos seguintes projetos e ações: Núcleo de estudantes negras Matilde Ribeiro; Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra; coordenação nacional da Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra/Bahia; conferências de igualdade racial, políticas para as mulheres e de juventude, tais como o Enjune – Encontro Nacional de Juventude Negra; pesquisa sobre violência letal e mapeamento de adolescentes e jovens que morrem em unidades de internamento; projeto Escola Plural, do Instituto Ceafro, coordenado por Nazaré Lima, Licia Barbosa, Valdecir Nascimento. Criou o Opará Saberes, para contribuir no ingresso de pessoas negras na pós-graduação em universidades públicas brasileiras.[1][5][10]

Ela tirou o seu bacharelado em Serviço Social. E seu mestrado em Estudos Feministas (PPGNEIM/UFBA), onde pesquisou a interseccionalidade no Conjunto Penal Feminino de Salvador, e abordou a questão das mulheres no sistema prisional.[1][4][11] No seu doutoramento em estudos de gênero, mulheres e feminismos, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Akotirene realiza um estudo comparativo entre as lógicas de racismo e sexismos institucionais nas prisões masculinas e prisões femininas, a partir do conceito da interseccionalidade.

Em 2016, Akotirene foi referenciada pelo coletivo feminista Think Olga como uma das Mulheres Inspiradoras de 2016. A lista reuniu nomes de mais de 200 mulheres, grupos e coletivos cujas contribuições em 2016, segundo o coletivo, "merecem ser reconhecidas, valorizadas e incentivadas".[12]

Em 2017, foi indicada por Djamila Ribeiro ao Trip Transformadores como uma das "sete mulheres de ação que nos ajudam a repensar a sociedade".[2] Nesse mesmo ano, participou no evento "Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras", em Salvador, Brasil, juntamente com outras mulheres negras convidadas para analisar a obra da escritora Conceição Evaristo.[13]

Em setembro 2018, Akotirene lançou o seu primeiro livro autoral, "O que é Interseccionalidade?", através da Editora Letramento. A publicação faz parte coleção Feminismos Plurais, elaborada pela filósofa Djamila Ribeiro, e traz olhares e críticas ao conceito “Interseccionalidade”.[14][1] No mesmo ano, apresentou a conversa Feminismos Plurais, na FLUPP, Feira Literária das Periferias, junto com Joice Berth, Juliana Borges e Silvio Almeida. A feira literária juntou mais de 80 autores de países como Inglaterra, Camarões, França, EUA, Senegal e Brasil.[15]

Ainda em 2018, foi uma das especialistas convidadas pela ONU Mulheres para partilhar a sua visão como especialista negra sobre temas como violência contra as mulheres negras; racismo nas cidades; mídia; trabalho decente e crescimento econômico; entre outros; e formas de o Brasil atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O evento ocorreu de 23 a 27 de julho, por meio da ação digital #MulheresNegrasNosODS, desenvolvida pela ONU Mulheres Brasil em parceria com o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.[16]

Em março de 2020, o participou da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), realizada em parceria com o Itaú Cultural, na mesa Contradições no Debate da Cultura como bem comum, que contou também com as convidadas Daniele Small (RJ), Grazi Medrado (MG), Gyl Giffony (CE), Jaqueline Elesbão (BA) e Jé Oliveira (SP).[17]

Também em 2020, a revista Vogue publicou uma lista de 10 obras fundamentais escritas por mulheres negras, na qual incluiu a obra "Interseccionalidade", de Akotirene.[18] Do mesmo modo, Interseccionalidade foi incluída na revista Glamour, que recomendou 5 livros teóricos para entender a luta antirracista no Brasil.[19] Desde junho 2020, Carla Akotirene é colunista da Revista Vogue Brasil.[20]

Ela também foi uma das convidadas das Talks do Festival GRLS! do Canal GNT, dividindo a mesa de debate Cancelar e ser Cancelado com Linn da Quebrada, João Vicente e Pai Rodney.[21]

Carla, que trabalhou como cordeira e segurança do tradicional bloco africano Ilê Aiyê na década de 1990, retornou em 2020 à casa do bloco, a Senzala do Barro Preto, onde foi homenageada especial em evento por sua luta pelos direitos das mulheres negras.[22][23]

Akotirene é frequentemente apresentada como uma autora de referência no tema do feminismo, do combate à homofobia e ao racismo.[24][2][1][25]

Principais ideias

De acordo com Akotirene, a interseccionalidade é uma forma metodológica de se pensar como as mulheres são atravessadas por múltiplas diferenciações. No que se trata das mulheres negras, a interseccionalidade revela problemas além do racismo, como o machismo, o sexismo, entre outras formas onde as opressões se encontram.

"A interseccionalidade visa dar instrumentalidade teórico-metodológica à inseparabilidade estrutural do estrutural do racismo, capitalismo, e cisheteropatriarcado- produtores de avenidas identitárias em que mulheres negras são repetidas vezes atingidas pelo cruzamento e sobreposição de gênero, raça e classe, modernos aparatos coloniais" (AKOTIRENE, 2019, p.19).[26]

Reconhecimento

Em 2021, Carla Akotirene foi um das personalidades nomeadas pela lista Bantumen Powerlist 100, onde se encontram reunidas as "As 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia". [27]

Obras

  • 2018 - O que é interseccionalidade? - ISBN 9788598349695[14][28],
  • 2020 - Ó pa í, prezada! Racismo e sexismo institucionais tomando bonde nas penitenciárias femininas - ISBN 9786550940034[29]

Ver também

Referências

  1. a b c d e «O que é Interseccionalidade?». www.folhape.com.br. Consultado em 8 de junho de 2020 
  2. a b c «Djamila Ribeiro lista mulheres negras para seguir». Trip. Consultado em 8 de junho de 2020 
  3. «Atividade Docente - UFBA» (PDF). UFBA. Consultado em 8 de junho de 2020 
  4. a b «Opinião - Djamila Ribeiro: A boca não vence a guerra». Folha de S.Paulo. 20 de setembro de 2019. Consultado em 8 de junho de 2020 
  5. a b «Carla Akotirene: de cordeira do Ilê Aiyê a intelectual festejada». CartaCapital. 10 de fevereiro de 2020. Consultado em 8 de junho de 2020 
  6. «CONVERSAS SOBRE DIREITOS HUMANOS E PRÁTICAS EDUCATIVAS NO ESPAÇO ESCOLAR» (PDF). Universidade Estadual de Maringá - Edições Diálogos. 2019. Consultado em 8 de junho de 2020 
  7. «Conheça mais duas personalidades inspiradoras da série "Resistência tem nome: mulher" | FENAJUD». 9 de março de 2020. Consultado em 8 de junho de 2020 
  8. «INTERSECCIONALIDADE – Filhas de Frida». Consultado em 8 de junho de 2020 
  9. «Carla Akotirene vai receber Comenda Maria Quitéria no dia 24». Camara municipal de salvador. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  10. «Carla Akotirene». Geledés. Consultado em 8 de junho de 2020 
  11. Silva , Carla Adriana Santos da (2014). «Ó Pa Í, Prezada! Racismo e Sexismo Intitucionais tomando bonde no Conjunto Penal Feminino de Salvador» (PDF). UFBA. Consultado em 9 de junho de 2020 
  12. Noelle, Midiã (5 de dezembro de 2016). «Preticess: baianas são destaque na lista de mulheres inspiradoras de 2016». Jornal CORREIO | Notícias e opiniões que a Bahia quer saber. Consultado em 8 de junho de 2020 
  13. «'Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras' começa nesta terça-feira e irá debater obra de Conceição Evaristo». G1. Consultado em 8 de junho de 2020 
  14. a b «Pesquisadora baiana Carla Akotirene lança primeiro livro autoral e faz pré-venda na internet». G1. Consultado em 8 de junho de 2020 
  15. «Literatura, racismo e negritude em debate». Marcelo Rubens Paiva. Consultado em 8 de junho de 2020 
  16. «ONU Mulheres ouve ativistas negras sobre formas de o Brasil atingir objetivos globais». ONU Brasil. 25 de julho de 2018. Consultado em 8 de junho de 2020 
  17. ABCdoABC, Portal do. «Itaú Cultural recebe atividades da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo». www.abcdoabc.com.br. Consultado em 8 de junho de 2020 
  18. «10 livros fundamentais escritos por mulheres negras». Vogue. Consultado em 8 de junho de 2020 
  19. «5 livros teóricos para entender a luta antirracista (e ser um)». Revista Glamour. Consultado em 8 de junho de 2020 
  20. «Carla Akotirene estreia como colunista da Vogue». Vogue. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  21. «Linn da Quebrada, João Vicente, Carla Akotirene, Pai Rodney de Oxóssi – Grls!» (em inglês). Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  22. «Carla Akotirene: de cordeira do Ilê Aiyê a intelectual festejada». CartaCapital. 10 de fevereiro de 2020. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  23. «Intelectual baiana, Carla Akotirene é homenageada pelo Bloco Ilê Ayê». Revista Marie Claire. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  24. «Entenda o movimento Black Lives Matter e como ele pode ser cobrado no Enem». Portal N10. Consultado em 8 de junho de 2020 
  25. «Djamila Ribeiro indica livros para ler durante isolamento por coronavírus». Revista Marie Claire. Consultado em 8 de junho de 2020 
  26. Akotirene, Carla (2019). Interseccionalidade. [S.l.]: Pólen Produção Editorial LTDA. p. 19. 152 páginas 
  27. «Carla Akotirene». POWERLIST100 BANTUMEN. 12 de dezembro de 2021. Consultado em 14 de dezembro de 2021 
  28. Akotirene, Carla. «Interseccionalidade». Cadernos de Linguagem e Sociedade - UNB. Consultado em 9 de junho de 2020 
  29. «Ó pa í, prezada!». LetrasPretas. 24 de março de 2020. Consultado em 9 de junho de 2020 

Ligações Externas