Caloboletus radicans

Caloboletus radicans

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Boletales
Família: Boletaceae
Género: Caloboletus
Espécie: C. radicans
Nome binomial
Caloboletus radicans
(Pers.) Vizzini (2014)
Sinónimos[1]
  • Boletus radicans Pers. (1800)
  • Versipellis radicans (Pers.) Quél. (1886)
  • Suillus radicans (Pers.) Kuntze (1898)
  • Boletus albidus Roques (1841)
Caloboletus radicans
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Características micológicas
Himênio poroso
Píleo é convexo
Lamela é adnexa
Estipe é nua
A cor do esporo é marrom-oliváceo
A relação ecológica é micorrízica
Comestibilidade: venenoso

Caloboletus radicans é uma espécie de um grande fungo ectomicorrízico encontrado na Europa sob árvores latifoliadas, frutificando durante os meses de verão e outono. Possui um píleo de cor bege pálido ou branco-acinzentado, poros amarelos e um estipe robusto, manchando intensamente de azul quando manipulado ou cortado. Amargo e não comestível, pode causar vômitos severos e diarreia se ingerido. Até 2014, era classificado no gênero Boletus, mas foi transferido para o novo gênero Caloboletus com base em dados filogenéticos moleculares.

Taxonomia

O fungo foi descrito cientificamente pela primeira vez pelo micologista sul-africano Christian Hendrik Persoon em 1801, que o classificou no gênero Boletus. O epíteto específico deriva do latim radic- (raiz), referindo-se ao estipe enraizante. O nome Boletus albidus é um sinônimo posterior.[2] Em 2014, o boleto foi transferido para o novo gênero Caloboletus pelo micologista italiano Alfredo Vizzini, com base em dados filogenéticos.[3]

Descrição

O diâmetro do píleo varia de 7,5 a 30 cm, sendo geralmente branco-sujo, branco-acinzentado, marfim ou bege, com textura felpuda no início, mas frequentemente apresentando rachaduras finas no centro à medida que o píleo se expande. O estipe mede de 5 a 8 cm de altura por 3 a 4 cm de largura, geralmente inchado ou em forma de barril quando jovem, tornando-se alongado e mais ou menos fusiforme, com uma base afinada que geralmente enraíza no substrato. O ápice é tipicamente amarelo-limão brilhante, desbotando na parte inferior. Há uma reticulação de cor palha clara na parte superior do estipe, embora em raras ocasiões possa ser indistinta. A carne é amarelo-pálida, um pouco mais clara a cor de palha no píleo, tornando-se instantaneamente azul-escura quando cortada. Os poros são amarelo-limão, pequenos e arredondados, manchando de azul quando tocados ou machucados. A esporada é marrom-nogueira olivácea.[2][4][5][6]

Microscopicamente, possui esporos elipsoides a fusiformes, medindo 11,5–14 por 4–5,5 μm. A estrutura hifal do píleo é uma tricoderme de hifas septadas entrelaçadas, frequentemente finamente incrustadas.[7][8][5][9]

Distribuição e habitat

Frutificando durante períodos quentes no verão e início do outono, Caloboletus radicans é ecologicamente versátil. Forma associações ectomicorrízicas com uma ampla gama de árvores de folha larga, incluindo carvalhos (Quercus), faias (Fagus), carpinos (Carpinus), castanheiras (Castanea) e tílias (Tilia).[8][10] Cresce em solos calcários e ácidos no sul da Inglaterra (onde é comum) e em grande parte da Europa.[2][5]

Comestibilidade

O cogumelo é não comestível devido ao seu intenso amargor.[2] Um estudo de 2012 sobre intoxicação por cogumelos na Suíça, conduzido por Katharina M. Schenk-Jaeger e colegas, constatou que Caloboletus radicans causou sintomas gastrointestinais graves em quem o consumiu, incluindo vômitos recorrentes e diarreia com sangue.[11]

Ver também

Referências

  1. «GSD Species Synonymy: Caloboletus radicans (Pers.) Vizzini». Species Fungorum. CAB International. Consultado em 24 de outubro de 2025 
  2. a b c d Phillips R (2006). Mushrooms. London: Pan MacMillan. p. 278. ISBN 0-330-44237-6 
  3. Vizzini A. (10 de junho de 2014). «Nomenclatural novelties» (PDF). Index Fungorum (146): 1–2. ISSN 2049-2375 
  4. Courtecuisse R, Duhem B (1995). Mushrooms & Toadstools of Britain & Europe. London, UK: Harper-Collins 
  5. a b c Muñoz JA. (2005). Fungi Europaei 2: Boletus s.l. Italy: Edizioni Candusso. ISBN 978-88-901057-6-0 
  6. Bon M. (1987).The Mushrooms and Toadstools of Britain and North Western Europe.
  7. Breitenbach J, Kränzlin F (1991). Pilze der Schweiz 3(1). Röhrlinge und Blätterpilze (em alemão). Luzern, Switzerland: Verlag Mykologia. ISBN 978-3-85604-030-7 
  8. a b Galli R. (2007). I Boleti. Atlante pratico-monographico per la determinazione dei boleti (em italiano) 3rd ed. Milano, Italy: Dalla Natura 
  9. Watling R, Hills AE (2005). «Boletes and their allies (revised and enlarged edition)». In: Henderson DM, Orton PD, Watling R. British Fungus Flora. Agarics and boleti. 1. Edinburgh, Scotland: Royal Botanic Garden 
  10. Loizides M, Bellanger JM, Assyov B, Moreau PA, Richard F (2019). «Present status and future of boletoid fungi (Boletaceae) on the island of Cyprus: cryptic and threatened diversity unraveled by 10-year study.». Fungal Ecology. 41 (13): 65–81. doi:10.1016/j.funeco.2019.03.008 
  11. Schenk-Jaeger KM, Rauber-Lüthy C, Bodmer M, Kupferschmidt H, Kullak-Ublick GA, Ceschi A (2012). «Mushroom poisoning: a study on circumstances of exposure and patterns of toxicity». European Journal of Internal Medicine. 23 (4): e85–e91. PMID 22560399. doi:10.1016/j.ejim.2012.03.014