Caloboletus rubripes
Caloboletus rubripes
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Caloboletus rubripes (Thiers) Vizzini | |||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||
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Caloboletus rubripes é uma espécie de fungo da família Boletaceae. Até 2014, era conhecida como Boletus rubripes.
Os basidiomas (cogumelos) são robustos, com píleos de até 18 cm de diâmetro, sustentados por estipes grossos de 5 a 12 cm de comprimento. A carne apresenta uma intensa reação de azulamento quando cortada ou danificada. Pode ser diferenciado de outros boletos semelhantes pela cor do píleo e pelo estipe não reticulado.
Forma relações micorrízicas, principalmente com coníferas. Os cogumelos não são tóxicos, mas são tão amargos que são considerados não comestíveis.
Taxonomia
A espécie foi descrita cientificamente pela primeira vez pelo micologista americano Harry D. Thiers em 1965, com base em coletas realizadas na Floresta Estadual de Jackson, no condado de Mendocino, Califórnia, no final de outubro de 1962.[1] Foi transferido para o gênero Caloboletus pelo micologista italiano Alfredo Vizzini em 2014,[2] após estudos moleculares recentes que delinearam um novo quadro filogenético para a família Boletaceae.[3][4]
Descrição

O píleo é convexo a almofadado, tornando-se achatado na maturidade, alcançando diâmetros de 4 a 20 cm.[5] A margem do píleo é enrolada ou curvada para dentro e permanece assim até a maturidade. Sua superfície é seca, com textura aveludada a ligeiramente peluda, frequentemente desenvolvendo rachaduras com o envelhecimento. A cor do píleo varia de bege a oliva-bege ou marrom-oliváceo, manchando-se de marrom quando machucado ou ferido. A carne é esbranquiçada a amarelo-pálida, tornando-se rapidamente azul quando cortada ou exposta ao ar. O odor do basidioma varia de indistinto a desagradável, e seu sabor é amargo. A superfície dos poros na parte inferior do píleo é inicialmente amarela, tornando-se amarelo-oliva com o tempo, azulando instantaneamente quando machucada. Os poros angulares são em número de 1 a 3 por milímetro, e os tubos que compõem o himenóforo têm de 8 a 16 mm de comprimento.
O estipe mede de 5 a 15 cm de comprimento por 2 a 5 cm de largura, sendo quase uniforme em largura, clavado[5] ou ligeiramente afinado em direção às extremidades. O estipe é maciço (não oco) e apresenta uma superfície seca com sulcos longitudinais sutis. Sua cor é vermelho-rosada a vermelho-púrpura, exceto por uma região amarela próxima ao topo e micélio amarelo na base. O estipe não apresenta reticulação nem anel.[6]
Caloboletus rubripes produz uma esporada marrom-oliva. Os esporos são fusiformes a ligeiramente cilíndricos, lisos, medindo 12–18 por 4–5 μm.[6] Os basídios (células portadoras de esporos) são claviformes, tetraspóricos (com quatro esporos), medindo 26–30 por 7–13 μm. Não há fíbulas nas hifas.[1]
Espécies semelhantes
Uma espécie de aparência semelhante é Caloboletus calopus, que também possui um estipe vermelho e amarelo e um píleo seco de cor bronzeada. Diferentemente de C. rubripes, apresenta um estipe finamente reticulado.[7] Boletus coniferarum distingue-se de C. rubripes pela reticulação do estipe e pela ausência de coloração vermelha.[8] Outras espécies semelhantes incluem Boletus edulis[5] e B. smithii.[9]
Habitat e distribuição
Os cogumelos crescem no solo, isoladamente, dispersos ou em grupos. Geralmente são encontrados em florestas de coníferas, mas também em associação com carvalhos.[6] Distribuem-se pela América do Norte, incluindo a região do Pacífico Noroeste dos EUA (incluindo Idaho),[10] o sudoeste dos EUA e o México. São particularmente comuns no Novo México e no Colorado.[6] Os cogumelos geralmente aparecem no verão e no outono.[11] Alexander Smith observou que frequentemente aparecem junto com C. coniferarum e C. calopus.[10]
Usos
Os cogumelos não são comestíveis devido ao sabor amargo.[6] São utilizados na tintura com cogumelos para produzir cores bege, marrom-claro ou dourado-claro, dependendo do mordente utilizado.[12]
Ver também
- Caloboletus calopus
- Caloboletus radicans
- Hortiboletus rubellus
- Suillus granulatus
- Tylopilus atronicotianus
Referências
- ↑ a b Thiers HD (1965). «California boletes. I». Mycologia. 57 (4): 524–34. JSTOR 3756729. doi:10.2307/3756729
- ↑ Vizzini A. (10 de junho de 2014). «Nomenclatural novelties» (PDF). Index Fungorum (146): 1–2. ISSN 2049-2375
- ↑ Nuhn ME, Binder M, Taylor AF, Halling RE, Hibbett DS (2013). «Phylogenetic overview of the Boletineae». Fungal Biology. 117 (7–8): 479–511. PMID 23931115. doi:10.1016/j.funbio.2013.04.008
- ↑ Wu G, Feng B, Xu J, Zhu XT, Li YC, Zeng NK, Hosen MI, Yang ZL (2014). «Molecular phylogenetic analyses redefine seven major clades and reveal 22 new generic clades in the fungal family Boletaceae». Fungal Diversity. 69 (1): 93–115. doi:10.1007/s13225-014-0283-8
- ↑ a b c Davis, R. Michael; Sommer, Robert; Menge, John A. (2012). Field Guide to Mushrooms of Western North America. Berkeley: University of California Press. 325 páginas. ISBN 978-0-520-95360-4. OCLC 797915861
- ↑ a b c d e Bessette AE, Roody WC, Bessette AR (2000). North American Boletes. Syracuse, New York: Syracuse University Press. pp. 153–4. ISBN 978-0-8156-0588-1
- ↑ Davis RM, Sommer R, Menge JA (2012). Field Guide to Mushrooms of Western North America. [S.l.]: University of California Press. p. 325. ISBN 978-0-520-95360-4
- ↑ Tylutki EE (1987). Mushrooms of Idaho and the Pacific Northwest. Vol. 2. Non-gilled Hymenomycetes. Moscow, Idaho: The University of Idaho Press. pp. 29–30. ISBN 0-89301-097-9
- ↑ Trudell, Steve; Ammirati, Joe (2009). Mushrooms of the Pacific Northwest. Col: Timber Press Field Guides. Portland, OR: Timber Press. pp. 218–219. ISBN 978-0-88192-935-5
- ↑ a b Smith AH (1975). A Field Guide to Western Mushrooms. Ann Arbor, Michigan: University of Michigan Press. p. 84. ISBN 0-472-85599-9
- ↑ Arora D. (1986). Mushrooms Demystified: A Comprehensive Guide to the Fleshy Fungi 2nd ed. Berkeley, California: Ten Speed Press. 524 páginas. ISBN 978-0-89815-170-1
- ↑ Bessette A, Bessette AR (2001). The Rainbow Beneath my Feet: A Mushroom Dyer's Field Guide. Syracuse, New York: Syracuse University Press. pp. 41–2. ISBN 0-8156-0680-X

