CNT Curitiba
| Rádio e Televisão OM Ltda.[1] | |
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| Tipo | comercial |
|---|---|
| Canais | Digital: 43 (UHF) Virtual: 6.1 |
| Outros canais | Claro TV+: 6 e 506[2] TVRO Star One D2: 27[2] Vivo TV Fibra: 20[2] Analógico: 6 (VHF; 1960–2018) |
| Rede | Rede CNT |
| Rede(s) anterior(es) | Rede Tupi (1960–1978) Rede Bandeirantes (1978–1991) Rede Record (1991–1992) Rede OM Brasil (1992–1993) |
| Fundador(es) | Assis Chateaubriand |
| Proprietário(s) | família Martinez[3] |
| Antigo(s) proprietário(s) | Assis Chateaubriand (1960–1968) Edmundo Monteiro (1968–1974) José Eduardo Vieira (1995–1996) |
| Fundação | 19 de dezembro de 1960 |
| Prefixo | ZYB390[1] |
| Nome(s) anterior(es) | TV Paraná[a] |
| Cobertura | 30 cidades do Paraná[2] |
| Coord. do transmissor | [1] |
| Potência | 8 kW[1] |
| Agência reguladora | Anatel |
| Informação de licença | CDB |
| Página oficial | redecnt |
A CNT Curitiba é uma estação de televisão comercial brasileira de Curitiba, capital do estado do Paraná, transmitida no canal 6.1 e matriz da Central Nacional de Televisão.
A estação entrou no ar como TV Paraná em 1960 inaugurada por Assis Chateaubriand, presidente dos Diários Associados, que desde os anos 1950 estavam envolvidos no projeto, criado por Raul Vaz e Nagibe Chede, até adquirirem seu controle acionário. Segunda estação de televisão do estado, operou nos primeiros anos com equipamentos, programas e funcionários da TV Tupi, de São Paulo, líder dos Associados, tendo posteriormente integrado sua rede nacional.
Em 1974, devido a uma crise financeira, os Associados venderam a TV Paraná para o empresário Oscar Martinez. No fim da década de 1970 a estação afiliou-se à Rede Bandeirantes e liderou a Rede OM, formada por filiais que foram sendo adquiridas pelos Martinez no Paraná ao longo dos anos. Em 1992 ganhou caráter de geradora nacional quando a Rede OM tornou-se uma rede com emissoras pelo Brasil, tendo no ano seguinte sido rebatizada com a identificação atual.
História
Em 1953 o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná Raul Vaz procurava por acionistas para viabilizar a implantação da primeira estação de televisão local, a TV Paraná, para fins educacionais e culturais. Os Diários Associados, conglomerado de mídia presidido pelo jornalista Assis Chateaubriand, que já atuavam na organização da emissora, negociaram intensivamente com Vaz para ingressarem no primeiro semestre de 1954 no quadro de acionistas do chamado movimento Pró-Televisão, liderado também pelo advogado e empresário de rádio Nagibe Chede e formado por pessoas de diferentes setores da sociedade civil — de empresários e militares a donas de casa e estudantes —, que chegou a alcançar a marca de quinhentos integrantes.[5]
A televisão e a futura TV Paraná foram apresentadas ao público em quatro ocasiões, ocorridas entre julho de 1954 e janeiro de 1955 em Curitiba, Ponta Grossa, Palmeira e Londrina. Os Associados, porém, estavam empenhados no lançamento de novas estações pelo Brasil naquele período, desviando o projeto de Vaz de seu foco, causando ruídos nas negociações e adiando o funcionamento definitivo do projeto.[6]
Em 1956 Chateaubriand adquiriu o controle acionário da sociedade através de negociações diretas com Vaz, que posteriormente deixou o projeto, e Chede intermediadas pelo jornalista Adherbal Stresser, diretor do Diário do Paraná, de propriedade dos Associados, que terminou sendo convidado a gerenciar a futura estação.[7] No mesmo ano Chateaubriand obteve diretamente do presidente Juscelino Kubitschek, com o qual era bem relacionado, uma concessão de televisão em Curitiba.[8][9]
A implantação da TV Paraná ocorreria apenas em 1960, quando, após semanas operando em caráter experimental, iniciou suas transmissões oficiais pelo canal 6 VHF de Curitiba na noite de 19 de dezembro, tendo sido a segunda estação do estado, que há menos de dois meses assistiu ao lançamento da TV Paranaense, dirigida por Chede. Após a cerimônia de inauguração com a presença de convidados locais e de outras cidades, foram transmitidos um documentário de Valêncio Xavier sobre o Paraná produzido em conjunto com outros membros da equipe de jornalismo e o telejornal Telenotícias Transparaná, nome da empresa de equipamentos e veículos de transportes que o patrocinava.[10]
Sob a vice-presidência de Adherbal e a superintendência de seu filho Ronald Sanson Stresser,[9] a TV Paraná contratou profissionais de estações de rádio, jornais e teatro locais, auxiliados por funcionários dos Associados trazidos de São Paulo e do Rio de Janeiro.[11] Localizada de forma improvisada mediante aluguel em um edifício comercial no centro de Curitiba, a estação operava com equipamentos, em maioria, usados anteriormente pela TV Tupi de São Paulo, emissora dos Associados, da qual obteve apoio logístico e recebeu filmes, animações e seriados para preencher sua programação diária, que neste período era iniciada às 19h20 e se apoiava também em noticiários durante a semana.[10][11]
Em 25 de julho de 1965, dias após a TV Paranaense, a TV Paraná passou a utilizar um equipamento de videotape exibindo uma apresentação do Quarteto em Cy rodada em São Paulo e uma edição do Clube dos Artistas, da TV Tupi, gravada uma semana antes.[12] Gradualmente a adoção do VT foi substituindo, de forma significativa, as produções locais até então apenas ao vivo por atrações do eixo Rio-São Paulo,[12] tendo a estação chegado a contar com quinze minutos de um programa destinado ao público feminino entre dez horas nacionais diárias em 1972.[13] Neste período a TV Tupi consolidou sua rede nacional via satélite, da qual a TV Paraná fez parte.[14]
Em 1974 os Associados, sob o comando de Edmundo Monteiro — um dos administradores do espólio de Chateaubriand, falecido em 1968[14] —, vendeu a TV Paraná e o Diário do Paraná para o empresário agropecuarista Oscar Martinez,[15] com quem Chateaubriand chegou a conversar anteriormente sobre o repasse da estação.[16] A medida, tomada para conter a crise financeira que atingia o conglomerado há alguns anos, foi tomada na esteira da negociação da TV Coroados, de Londrina,[15] inaugurada em 1963 em conjunto com os Stresser,[17] para o ex-governador do estado Paulo Pimentel em 1973.[15] Tendo comprado a emissora com financiamento obtido na Caixa Econômica Federal, Martinez foi alvo de denúncias de políticos pela imprensa, que alegavam que o banco teria quitado a dívida mesmo sem receber por ela.[18] Posteriormente, em 1979, o Diário do Paraná foi vendido ao empresário Mário Petrelli por problemas financeiros.[19]
A TV Paraná seguiu afiliada à Rede Tupi até 1978, quando fechou uma parceria com a Rede Bandeirantes.[20] Em 10 de março de 1979 o grupo de Oscar inaugurou a TV Tropical, de Londrina, inicialmente afiliada à Rede Globo.[21] Em 19 de agosto, com a estação juntando-se à TV Paraná na retransmissão da Rede Bandeirantes, foi oficialmente lançada a Rede OM — sigla das Organizações Martinez — para cobrir o estado, inicialmente, por links de micro-ondas da Telepar através do Centro de Televisão de Londrina e, depois, por sinais de satélite artificial alugado da Embratel. A rede foi a terceira do Paraná a concluir sua expansão estadual, até 1985.[22] A TV Paraná seguiu com a Rede Bandeirantes mesmo quando ela, em 1982, viabilizou o lançamento e foi retransmitida pela TV Curitiba. A estação terminou afiliando-se à Rede Manchete em 1985.[23]
No decorrer dos anos 1980 a Rede OM angariou a TV Carimã, de Cascavel, e a TV Maringá.[24] Em 1990 a TV Tropical e a TV Maringá afiliaram-se à Rede Record,[25] enquanto a TV Paraná o fez em junho de 1991[24] e a TV Curitiba assumiu como filial da Rede Bandeirantes.[26] Neste ano os irmãos José Carlos Martinez e Flávio Martinez iniciaram as movimentações para viabilizar o alcance nacional da rede, o que envolveu a aquisição da TV Corcovado, do Rio de Janeiro, e um acordo operacional com a TV Gazeta, de São Paulo.[24]
A Rede OM Brasil foi oficialmente lançada em 9 de março de 1992 com programação independente gerada pela TV Paraná para as cinco estações do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo e outras vinte pelo país.[27] Em 23 de maio de 1993, para afastar-se da imagem de produções precárias à qual foi associada e do envolvimento com PC Farias, tesoureiro da campanha eleitoral de 1989 do ex-presidente Fernando Collor de Mello que emprestou dinheiro em nome de laranjas para a compra da TV Corcovado, a rede teve sua identificação alterada para Central Nacional de Televisão.[28] Posteriormente o nome TV Paraná deixou de identificar a estação em troca da sigla CNT.[a] Entre 1995 e 1996 o banqueiro José Eduardo Vieira foi proprietário de 49% das ações da rede, o que incluiu a matriz de Curitiba.[29]
Em 16 de dezembro de 2011 a CNT iniciou a operação de seu sinal digital em Curitiba através do canal 43 UHF.[30] Assim como outras estações na cidade, desligou sua transmissão analógica pelo canal 6 VHF em 31 de janeiro de 2018 seguindo o cronograma de migração digital da Anatel.[31]
Notas e referências
Notas
- ↑ a b Uma matéria da Folha de S.Paulo de 1996 sobre a CNT, quando a sigla havia sido adotada há três anos, chama sua cabeça de rede de TV Paraná.[4] Não há, no entanto, indícios de quando este nome deixou de ser oficialmente utilizado.
Referências
- ↑ a b c d Relatório do Canal (Relatório). Anatel
- ↑ a b c d «Guia de Canais CNT Curitiba». Line-up
- ↑ «Pessoa Jurídica: 77.237.733/0001-79 - RADIO E TELEVISAO OM LTDA». Portal da Transparência do Governo Federal
- ↑ Daniel Castro (21 de dezembro de 1996). «CNT espera salto na audiência». Folha de S.Paulo
- ↑ Costa (2012), pp. 35–37 e 69.
- ↑ Costa (2012), pp. 37 e 38.
- ↑ Costa (2012), p. 162.
- ↑ Brasil, DECRETO Nº 39
.326 DE 7 DE JUNHO DE 1956 . - ↑ a b Costa (2012), p. 161.
- ↑ a b Costa (2012), p. 105.
- ↑ a b Costa (2012), p. 106.
- ↑ a b Costa (2012), pp. 114 e 115.
- ↑ Costa (2012), p. 127.
- ↑ a b Costa (2012), p. 221.
- ↑ a b c Costa (2012), pp. 135 e 136.
- ↑ Costa (2012), p. 237.
- ↑ Costa (2012), p. 108.
- ↑ Costa (2012), pp. 237 e 238.
- ↑ Costa (2012), p. 186.
- ↑ Costa (2012), p. 139.
- ↑ Costa (2012), p. 144.
- ↑ Costa (2012), p. 236 e 237.
- ↑ Costa (2012), pp. 147 e 148.
- ↑ a b c Sônia Apolinário (6 de dezembro de 1991). «Nova rede de TV pode decolar em fevereiro». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa
- ↑ «'Bispo' perderá TV Paraná». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 14 de fevereiro de 1992
- ↑ «TV Band Curitiba completa 30 anos». Portal Memória Brasileira. Dezembro de 2012. Cópia arquivada em 26 de fevereiro de 2020
- ↑ Nara Damante (9 de março de 1992). «Rede OM Brasil passa a transmitir em nível nacional a partir desta semana». Meio & Mensagem. TV-Pesquisa
- ↑ Ver:
- Sônia Apolinário (10 de maio de 1993). «OM vai virar CNT com Clodovil em noite de gala». O Globo. TV-Pesquisa
- «Hoje à noite, OM vira CNT». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 23 de maio de 1993
- Mário Magalhães (1 de agosto de 2002). «Martinez recebeu dinheiro de "fantasmas" de PC Farias». Folha de S.Paulo
- ↑ Ver:
- Elvira Lobato (16 de março de 1995). «Andrade Vieira terá de vender TV no Paraná para se associar à CNT». Folha de S.Paulo
- Josias de Souza (9 de abril de 1995). «Andrade Vieira revela como assumiu o controle da CNT». Folha de S.Paulo
- «Saudades do Zé». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 7 de fevereiro de 1996
- ↑ Giorgio Guedin (16 de dezembro de 2011). «CNT Digital entra no ar em Curitiba». SulBRTV
- ↑ Rafaela Sinderski (31 de janeiro de 2018). «Marco da TV paranaense: sinal analógico é desligado em 27 cidades do estado». Rede Globo
Bibliografia
- Costa, Osmani Ferreira da (2012). A TELEVISÃO E O PALÁCIO: concessões e desenvolvimento das emissoras e redes televisivas no Paraná (1954-1985) (PDF) (Tese). Assis: Unesp Assis. 301 páginas
