Krait-de-faixas

Krait-de-faixas
Krait-de-faixas
Krait-de-faixas
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Elapidae
Género: Bungarus
Espécie: B. fasciatus
Nome binomial
Bungarus fasciatus
(Schneider, 1801)
Distribuição geográfica

Sinónimos
  • Pseudoboa fasciata Schneider, 1801
  • Boa fasciata - Shaw, 1802
  • Bungarus annularis - Daudin, 1803

Bungarus fasciatus, comumente conhecida como krait-de-faixas,[2] é uma espécie de serpente elapídea extremamente venenosa, endêmica da Ásia, encontrada desde o subcontinente indiano até o sudeste asiático e o sul da China.[1][3][4] Com um comprimento máximo superior a 2 m, é a maior espécie de serpente do gênero Bungarus [en], caracterizada por seu padrão distinto de faixas douradas e pretas.[5] Apesar de geralmente ser considerada tímida e dócil, como outras espécies do mesmo gênero, seu veneno é altamente neurotóxico e potencialmente letal para humanos. Embora a toxicidade de B. fasciatus, com base em experimentos de LD50 em camundongos, seja menor que a de outras serpentes do mesmo gênero, a quantidade de veneno que ela pode injetar é a maior devido ao seu tamanho.[6]

Descrição

B. fasciatus é facilmente reconhecível por suas faixas alternadas pretas e dourado, que circundam completamente o corpo. A cabeça é larga, achatada e não se distingue claramente do pescoço. Seus olhos são pretos, e ela apresenta marcas amarelas em forma de ponta de flecha em sua cabeça preta, e os lábios, região loreal, queixo e garganta são amarelos.[7] A cauda é relativamente curta, correspondendo a cerca de um décimo do comprimento total da serpente.

O maior exemplar registrado media 2,25 m de comprimento, embora o tamanho mais comum seja cerca de 1,8 m.[5]

Escamação: Possui 15 fileiras de escamas dorsais na região média do corpo; escamas subcaudais indivisas, variando de 23 a 39; a fileira dorsal mediana (escamas vertebrais) é hexagonal e fortemente alargada, tão larga quanto ou mais larga que longa; escama anal indivisa; extremidade da cauda arredondada; apresenta uma crista vertebral distinta ao longo do dorso, formada pelos processos neurais das vértebras; escamas ventrais variam de 200 a 234.[8]

O nome Bungarum Pamah foi registrado por Patrick Russell para um espécime de "Mansoor Cottah", e ele também recebeu espécimes de Bengala.[9] O nome científico do gênero deriva de bangarum em télugo (e também em canará), que significa "ouro", em referência às faixas douradas ao redor de seu corpo.[7]

Distribuição e habitat

A Bungarus fasciatus é encontrada em toda a sub-região indo-chinesa, na Península Malaia, no arquipélago indonésio e no sul da China.[5] Na Índia, é comum nos estados de Bengala Ocidental, Odisha, Mizoram, Assam, Manipur e Tripura, tornando-se progressivamente menos comum em direção ao oeste do país.[7]

Foi registrada a leste da Índia central, passando por Nepal, Bangladesh, Mianmar, Camboja, Tailândia, Laos, Vietnã e sul da China (incluindo Hainan e Hong Kong), Malásia e nas principais ilhas da Indonésia, como Bornéu, Java e Sumatra, além de Singapura.

Na Índia, foi registrada em Andhra Pradesh,[10] Bihar, Chhattisgarh, Jharkhand, Madhya Pradesh, Maharashtra,[11] nordeste da Índia, Odisha, Tamil Nadu e Bengala Ocidental.[5] Recentemente, foi registrada no distrito de Hassan, em Karnataka, Chalkari, distrito de Bokaro, Jharkhand, Trivandrum, Kerala, e Amalapadu, distrito de Srikakulam, Andhra Pradesh.[12]

As krait-de-faixas podem ser encontradas em diversos habitats, desde florestas até áreas agrícolas. Habitam montes de cupins e tocas de roedores próximas à água, frequentemente vivendo perto de assentamentos humanos, especialmente vilarejos, devido à abundância de roedores e água. Preferem as planícies abertas do interior. Em Mianmar, foi encontrada em altitudes de até 1.500 m.[5]

Comportamento

As krait-de-faixas são tímidas, raramente vistas e predominantemente noturnas. Quando perturbadas, geralmente escondem a cabeça sob suas espirais e não tentam morder,[4] embora à noite sejam mais ativas e consideradas mais perigosas.

Durante o dia, repousam em gramíneas, buracos ou valas. São letárgicas e lentas, mesmo quando provocadas. São mais frequentemente avistadas durante a estação chuvosa.[7]

Alimentação

B. fasciatus alimenta-se principalmente de outras serpentes, mas também consome peixes, rãs, lagartos e ovos de serpentes. Entre as serpentes consumidas estão:[7]

A presa é engolida com a cabeça primeiro, após ser imobilizada pelo veneno.[7]

Hábitos de reprodução

Pouco se sabe sobre seus hábitos reprodutivos. Em Myanmar, uma fêmea foi encontrada incubando uma ninhada de oito ovos, dos quais quatro eclodiram em maio. Os filhotes, ao nascer, medem entre 298 e 311 mm. Acredita-se que a serpente atinja a maturidade no terceiro ano de vida, com aproximadamente 914 mm de comprimento.[14]

Veneno

O veneno contém principalmente neurotoxinas (pré e pós-sinápticas) com valores de LD50 de 2,4 mg/kg[6] a 3,6 mg/kg[15] por via subcutânea, 1,289 mg/kg por via intravenosa e 1,55 mg/kg por via intraperitoneal.[15] A quantidade de veneno injetada varia, em média, de 20 a 114 mg.[15] Engelmann e Obst (1981) indicam um rendimento de veneno de 114 mg (peso seco).[16] Os principais efeitos clínicos do veneno incluem vômitos, dor abdominal, diarreia e tontura. Envenenamentos graves podem levar à insuficiência respiratória, e a morte pode ocorrer por asfixia.[17] O veneno pode causar danos aos rins se injetado.[18]

Um estudo de toxicologia clínica indica uma taxa de mortalidade sem tratamento de 1 a 10%, possivelmente devido ao raro contato com humanos e à baixa taxa de envenenamento em mordidas defensivas.[4] Atualmente, soros antiofídicos polivalentes estão disponíveis na Índia e na Indonésia.

Nomes comuns

Galeria

Ver também

Referências

  1. a b Stuart, B.; Nguyen, T.Q.; Thy, N.; Vogel, G.; Wogan, G.; Srinivasulu, C.; Srinivasulu, B.; Das, A.; Thakur, S.; Mohapatra, P. (2013). «Bungarus fasciatus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2013: e.T192063A2034956. doi:10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T192063A2034956.enAcessível livremente. Consultado em 20 de junho de 2025 
  2. «Krait-de-faixas (Bungarus fasciatus)». iNaturalist. Consultado em 30 de junho de 2025 
  3. Bungarus fasciatus at the Reptarium.cz Reptile Database
  4. a b c «Clinical Toxinology-Bungarus fasciatus». Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  5. a b c d e f Smith, Malcolm A. Fauna of British India...Vol III - Serpentes, pages 411 to 413
  6. a b Venom and toxin research group (1990). Snake of medical importance: Banded krait. Singapore: [s.n.] ISBN 9971-62-217-3 
  7. a b c d e f g h Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians, pp. 134-135.
  8. a b Boulenger, George A., (1890), The Fauna of British India including Ceylon and Burma, Reptilia and Batrachia. page 388.
  9. Russell, Patrick (1796). An account of Indian serpents, collected on the coast of Coromandel : containing descriptions and drawings of each species, together with experiments and remarks on their several poisons. [S.l.: s.n.] 3 páginas 
  10. Srinivasulu, C; D. Venkateshwarlu; M. Seetharamaraju (2009). «Rediscovery of the Banded Krait Bungarus fasciatus (Schneider 1801) (Serpentes: Elapidae) from Warangal District, Andhra Pradesh, India». Journal of Threatened Taxa. 1 (6): 353–354. doi:10.11609/jott.o1986.353-4Acessível livremente 
  11. Khaire, NeelimKumar (2008) [2006]. Snakes of Maharashtra, Goa and Karnataka. Pune: Indian Herpetological Society. p. 40 
  12. «Slithering wonder in black and yellow». Deccan Herald. 2012 
  13. a b Knierim, Tyler., Barnes, Curt H., Hodges, Cameron., (2017), Natural History Note: Banded Krait (Bungarus fasciatus) diet. Herpetological Review 48(1):204 · March 2017
  14. Evans, G.H. (1906):Breeding of the banded krait (Bungarus fasciatus) in Burma. J. Bombay nat. Hist. Soc. 16:519-520 as mentioned in Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians References, ser no 28, pg 219.
  15. a b c «LD50 Scores for various snakes». Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 1 de fevereiro de 2012 
  16. Engelmann, Wolf-Eberhard (1981). Snakes: Biology, Behavior, and Relationship to Man. Leipzig; English version NY, USA: Leipzig Publishing; English version published by Exeter Books (1982). pp. 51. ISBN 0-89673-110-3 
  17. Davidson, Terence. «IMMEDIATE First aid for bites by Kraits». Snakebites First Aid. University of California, San Diego. Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 2 de abril de 2012 
  18. Sarkar, Naren; Basu, Souvik; Chandra, Preeti; Chowdhuri, Soumeek; Mukhopadhyay, Partha Pratim (29 de janeiro de 2018). «Nephrotoxicity in krait bite: a rare case series of three fatalities in consecutive bites by a single snake». Egyptian Journal of Forensic Sciences. 8 (1). 12 páginas. ISSN 2090-5939. doi:10.1186/s41935-018-0040-3Acessível livremente 

Bibliografia

  • Boulenger, George A. (1890), The Fauna of British India including Ceylon and Burma, Reptilia and Batrachia. Taylor and Francis, London.
  • Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians. BNHS. Oxford University Press. Mumbai.
  • Knierim, Tyler., Barnes, Curt H., Hodges, Cameron (2017), Natural History Note: Banded Krait (Bungarus fasciatus) diet. Herpetological Review 48(1):204 · March 2017
  • Smith, Malcolm A. (1943), The Fauna of British India, Ceylon and Burma including the whole of the Indo-Chinese Sub-region, Reptilia and Amphibia. Vol I - Loricata and Testudines, Vol II-Sauria, Vol III-Serpentes. Taylor and Francis, London.
  • Whitaker, Romulus (2002), Common Indian Snakes: A Field Guide. Macmillan India Limited, ISBN 0-333-90198-3.

Ligações externas