Dorso-de-quilha-quadriculada

Dorso-de-quilha-quadriculada
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Colubridae
Subfamília: Natricinae
Género: Fowlea
Espécie: F. piscator
Nome binomial
Fowlea piscator
(Schneider, 1799)
Sinónimos[2]
Lista
  • Hydrus piscator
    Schneider, 1799
  • Natrix piscator
    — Merrem, 1820
  • Tropidonotus quincunciatus
    Schlegel, 1837
  • Tropidonotus piscator
    — Boulenger, 1893
  • Nerodia piscator
    — Wall, 1921
  • Xenochrophis piscator
    — Cox et al., 1998

Fowlea piscator, comumente conhecida como dorso-de-quilha-quadriculada,[3] é uma espécie comum de serpente da subfamília Natricinae, pertencente à família Colubridae. A espécie é endêmica da Ásia e não é venenosa.

Descrição

Comendo um peixe, em Karnataka, Índia

O olho de F. piscator é relativamente pequeno e mais curto que a distância até a narina em indivíduos adultos. A escama rostral é visível de cima. As escamas internasais são muito estreitas anteriormente e subtriangulares, com o ângulo anterior truncado e tão longo quanto as escamas pré-frontais. A escama frontal é mais longa que a distância até a extremidade do focinho e tão longa quanto as parietais ou ligeiramente mais curta. A escama loreal é quase tão longa quanto profunda. Há uma escama pré-ocular e três (raramente quatro) pós-oculares. As escamas temporais são geralmente 2+2 ou 2+3. Normalmente, há nove escamas labiais superiores, com a quarta e a quinta tocando o olho, e cinco escamas labiais inferiores em contato com as escamas mentais anteriores, que são mais curtas que as posteriores. As escamas dorsais estão dispostas em 19 fileiras, fortemente quilhadas, com as fileiras externas lisas. As escamas ventrais variam de 125 a 158, a escama anal é dividida, e as escamas subcaudais variam de 64 a 90. A coloração é muito variável, composta por manchas escuras dispostas em padrão quincuncial, frequentemente separadas por uma rede esbranquiçada, ou por faixas longitudinais pretas sobre um fundo claro, ou ainda por faixas transversais escuras, com ou sem manchas esbranquiçadas. Duas listras oblíquas pretas, uma abaixo e outra atrás do olho, são quase constantes. As partes inferiores são brancas, com ou sem margens pretas nas escamas.[4]

F. piscator é uma serpente de tamanho médio, mas pode atingir dimensões consideráveis. Adultos podem alcançar um comprimento total (focinho-cloaca) de 1,75 m.[5]

Comportamento defensivo

Agressiva quando ameaçada ou encurralada. Na maioria das vezes, essa serpente tenta erguer a cabeça o máximo possível e expandir a pele do pescoço, imitando o capelo de uma Naja e intimidando a ameaça. Embora não seja venenosa para humanos, ela pode morder, causando uma mordida dolorosa e inflamatória.[6]

F. piscator pode perder a cauda como mecanismo de fuga. Um caso raro de autotomia foi relatado no Vietnã.[7]

Cobra-d'água-asiática em Khulna
Uma dorso-de-quilha-quadriculada (localmente conhecida como "Joldhora") nadando em Beel Dakatia, Khulna, Bangladesh.
Com uma presa de peixe-gato, Kathmandu, Nepal.
Em Kerala, Índia.

Habitat

Ativa durante o dia e a noite. O habitat preferido de F. piscator é dentro ou perto de corpos de água doce e campos de arroz.[6]

Dieta

F. piscator se alimenta principalmente de peixes, anfíbios e artrópodes,[8][9] ocasionalmente de roedores e ovos de anfíbios,[10][11] e raramente de aves e tartarugas.[6][12]

Reprodução

F. piscator é ovípara. O tamanho da ninhada é geralmente de 30 a 70 ovos, mas pode variar de 4 a 100 ovos. O tamanho dos ovos também é variável, com cada ovo podendo ter de 1,5 a 4,0 cm de comprimento.[5] A fêmea protege os ovos até a eclosão que leva 60-70 dias.[6] Cada filhote tem cerca de 11 cm de comprimento.[5]

Distribuição geográfica

F. piscator é encontrada no Afeganistão, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka, Índia, Mianmar, Nepal, Tailândia, Laos, Camboja]], Vietnã, Malásia Ocidental, China (Zhejiang, Jiangxi, Fujian, Guangdong, Hainan, Guangxi, Yunnan), Taiwan, Austrália e Indonésia (Sumatra, Java, Bornéu, Celebes = Sulawesi).[6]

Localidade-tipo: "Índias Orientais", restrito, por inferência geográfica, às áreas costeiras do norte do estado de Andhra Pradesh, no leste da Índia.[13]

Taxonomia

A subespécie F. p. melanzostus foi elevada ao status de espécie, como Fowlea melanzostus, por Indraneil Das em 1996.[14] Não há subespécies conhecidas.[15][16]

Galeria para características de identificação

Ver também

Referências

  1. Stuart, B.L., Wogan, G., Thy, N., Nguyen, T.Q., Vogel, G., Srinivasulu, C., Srinivasulu, B., Shankar, G., Mohapatra, P., Thakur, S. & Papenfuss, T. (2021). «Fowlea piscator». IUCN. The IUCN Red List of Threatened Species. 2021: e.T172646A1358305. Consultado em 15 de julho de 2025 
  2. Espécie Fowlea piscator no The Reptile Database. www.reptile-database.org.
  3. «Dorso-de-quilha-quadriculada (Fowlea piscator)». iNaturalist. Consultado em 16 de julho de 2025 
  4. Boulenger George A. (1890). The Fauna Of British India Including Ceylon And Burma Reptilia And Batrachia. Londres: Secretary of State for India in Council: Taylor and Francis, xviii + 541 pp. pp. 349–350. Consultado em 16 de julho de 2025 
  5. a b c Das I (2002). A Photographic Guide to Snakes and other Reptiles of India. Sanibel Island, Florida: Ralph Curtis Books. 144 pp. ISBN 0-88359-056-5. (Xenochrophis piscator, p. 48).
  6. a b c d e Whitaker, R.; Captain A. (2004). Snakes of India. The Field Guide. Chennai, India: Draco Books 
  7. Ananjeva NB, Orlov NL (1994). "Caudal Autotomy in Colubrid Snake Xenochrophis piscator From Vietnam". Russian Journal of Herpetology 1 (2): 169-171.
  8. Hossain, Md Lokman (16 de novembro de 2016). «Food habits of checkered keelback, Xenochrophis piscator (Schneider, 1799), in Bangladesh». Bangladesh Journal of Zoology. 44 (1): 153–161. ISSN 2408-8455. doi:10.3329/bjz.v44i1.30185 
  9. P., Greeshma; Jayson, E. A. (27 de fevereiro de 2021). «Checkered Keelback Xenochrophis piscator (Schneider, 1799) Feeding on Malabar Swamp Eel Monopterus fossorius (Nayar, 1951) from Kole Wetlands of Thrissur, Kerala, India». Journal of the Bombay Natural History Society (JBNHS). 118 (0). ISSN 2454-1095. doi:10.17087/jbnhs/2021/v118/122814 
  10. Phansalkar, Pushkar Umesh; Gowande, Gaurang Girish (26 de novembro de 2016). «Climbing Behavior in the Checkered Keelback or Asiatic Water Snake Xenochrophis piscator (Schneider, 1799) (Colubridae: Natricinae) in the Western Ghats, India». Russian Journal of Herpetology. 24 (1). 73 páginas. ISSN 1026-2296. doi:10.30906/1026-2296-2019-24-1-73-74 
  11. Kalki, Y (2020). «Fowlea piscator (Checkered Keelback). Diet.». Herpetological Review. 51 (143) 
  12. Kalki, Yatin (15 de julho de 2021). «Notes on the diet of the Checkered Keelback Watersnake (Fowlea piscator) including the first record of saurophagy». Reptiles & Amphibians (em inglês). 28 (2): 275–277. ISSN 2332-4961. doi:10.17161/randa.v28i2.15630 
  13. Vogel, G.; David, P. (7 de setembro de 2012). «A revision of the species group of Xenochrophis piscator (Schneider, 1799) (Squamata: Natricidae)». Zootaxa. 3473 (1). ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.3473.1.1 
  14. «Fowlea melanzosta». The Reptile Database. Consultado em 16 de julho de 2025 
  15. «Fowlea piscator». The Reptile Database. Consultado em 16 de julho de 2025 
  16. «ITIS - Report: Xenochrophis piscator». www.itis.gov. Consultado em 16 de julho de 2025 

Leitura adicional

  • Boulenger GA (1893). Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural History). Volume I., Containing the Families ... Colubridæ Aglyphæ, part. Londres: Trustees of the British Museum (Natural History). (Taylor and Francis). xiii + 448 pp. + Placas I-XXVIII. (Tropidonotus piscator, pp. 230–232).
  • Dutt, Kalma (1970). "Chromosome Variation in Two Populations of Xenochrophis piscator Schn. from North and South India (Serpentes, Colubridae)". Cytologia 35: 455–464.
  • Schneider JG (1799). Historiae Amphibiorum naturalis et literariae. Fasciculus Primus, continens Ranas, Calamitas, Bufones, Salamandras et Hydros. Jena: F. Frommann. xiii + 264 pp. + corrigenda + Placa I. (Hydrus piscator, new species, pp. 247–248). (em latim).
  • Smith MA (1943). The Fauna of British India, Ceylon and Burma, Including the Whole of the Indo-Chinese Sub-region. Amphibia and Reptilia. Vol. III.—Serpentes. Londres: Secretaria de Estado da Índia. (Taylor and Francis). xii + 583 pp. (Tropidonotus piscator, pp. 293–296, Figuras 95–96)