Dorso-de-quilha-de-listras-amarelas

Dorso-de-quilha-de-listras-amarelas
Em Yavatmal, Índia
Em Yavatmal, Índia
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Colubridae
Género: Amphiesma
Espécie: A. stolatum
Nome binomial
Amphiesma stolatum
(Linnaeus, 1758)
Sinónimos
  • Coluber stolatus Linnaeus, 1758
  • Elaps bilineatus Schneider, 1801
  • Natrix stolatus Merrem, 1820
  • Tropidonotus stolatus F. Boie, 1827
  • Rhabdophis stolatus – Wall, 1921
  • Amphiesma stolatum – David et al.[2]

Amphiesma stolatum, de nome vernáculo dorso-de-quilha-de-listras-amarelas,[3] é uma espécie de serpente colubrídea não venenosa encontrada em diversas regiões da Ásia. Essa serpente, geralmente não agressiva, alimenta-se de rãs e sapos. Pertence à subfamília Natricinae e é próxima da cobra-de-água-de-colar e as serpentes aquáticas do gênero Nerodia [en]. Assemelha-se a uma versão asiática das cobras-ligas americanas.[4] Apesar de ser bastante comum, é raramente avistada.[5]

Taxonomia

Com base em caracteres morfológicos, incluindo morfologia hemipenial, dentição e escamação externa, em 1960 o gênero Natrix sensu lato foi dividido em vários gêneros, revalidando o gênero Amphiesma com a espécie-tipo A. stolatum.[4]

Anatomia e morfologia

Pequena e esguia, a Amphiesma stolatum apresenta coloração geralmente marrom-oliva ou cinza. A cabeça e o corpo possuem a mesma tonalidade.[6]

O corpo é curto, com uma cauda longa e fina que corresponde a cerca de um quarto de seu comprimento total. Duas listras amarelas, que se estendem ao longo do corpo nas laterais da coluna vertebral, são sua característica mais marcante.[6] Essas listras são difusas na cabeça e tornam-se particularmente brilhantes na segunda metade do corpo.[7]

O corpo apresenta faixas transversais pretas irregulares. Próximo à cabeça, essas faixas são mais evidentes, enquanto na segunda metade do corpo tornam-se menos definidas.[6]

Identificada com um guia de campo
Língua preta bifurcada
Escamas carenadas

As laterais da cabeça são amarelas, e a cabeça se afunila para formar um pescoço distinto. A nuca fica vermelha durante a época de reprodução. O queixo e a garganta são brancos ou, às vezes, amarelos. Os lábios e a área na frente e atrás dos olhos são amarelados.[6] A língua é bifurcada e preta.[7] A parte inferior é creme claro e tem pequenas manchas pretas espalhadas em ambas as margens. Possui escamas em forma de quilha na superfície dorsal do corpo.[6]

Forma erythrostictus com cor visível entre as escamas

Morfos

Forma erythrostictus de Amphiesma stolatum, Ezhimala, Kerala, Índia. Note os belos interstícios vermelhos e o ventre amarelo

Existem duas variedades de coloração distintas: a forma típica, encontrada em várias regiões, com cor entre escamas azul-acinzentada; e a variedade erythrostictus, comum principalmente em áreas costeiras, com cor entre escamas vermelho brilhante. Essas cores entre escamas tornam-se visíveis apenas quando a serpente se infla ao se sentir ameaçada.[6]

Características de identificação

A escamação foi descrita como:[6]

Vista aproximada da cabeça
  1. A escama nasal não toca a segunda escama supralabial (escama do lábio superior)
  2. A escama rostral toca um total de 6 escamas: duas internasais, duas nasais e a primeira supralabial de cada lado
  3. Supralabial 8 (da 3ª à 5ª tocando o olho)
  4. Presença de uma única escama temporal
  5. Dezenove fileiras de escamas dorsais, fortemente carenadas, exceto pela fileira externa, que é completamente lisa
  6. Presença de listras
  7. Escamas ventrais variam de 118 a 161
  8. Escama anal dividida
  9. Escamas subcaudais variam de 46 a 89.
1. A escama nasal não toca a segunda escama supralabial
2. A escama rostral toca um total de 6 escamas: duas internasais, duas nasais e a primeira supralabial de cada lado
3. Presença de uma única escama temporal

Tamanho

Uma dorso-de-quilha-de-listras-amarelas sendo medida. Esta media 52 cm de comprimento

Geralmente tem entre 50 e 80 cm de comprimento total. As fêmeas são geralmente mais longas que os machos.[6][7]

Distribuição

Vista aproximada da cabeça

A Amphiesma stolatum é encontrada em todo o sul e sudeste da Ásia. Sua distribuição abrange desde o Paquistão (Sindh) até o Sri Lanka, Índia (incluindo as Ilhas Andamã), Bangladesh, Nepal, Mianmar, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Indonésia (Bornéu, Sabah), Taiwan e China (Hainan, Hong Kong, Fujian, Jiangxi). Também está presente no Butão.[6][8]

Na Índia, é encontrada em altitudes de até 2000 m.[7]

Estado de conservação

A espécie Amphiesma stolatum é comum em toda a sua área de distribuição e não é considerada uma preocupação internacional de conservação.[7]

Ecologia e história de vida

Habitat

Essa serpente terrestre e diurna habita planícies e colinas bem irrigadas.[7]

Ecologia alimentar

A dieta principal de adultos de A. stolatum consiste em pequenos anfíbios, como rãs e sapos, mas também consomem minhocas, pequenos lagartos e roedores.[6][8]

História de vida

Ninhada de ovos resgatada

As dorsos-de-quilha-de-listras-amarelas são ovíparas. Acredita-se que o acasalamento ocorra durante o período de estivação. Fêmeas grávidas foram encontradas entre abril e agosto, e os ovos são depositados em buracos subterrâneos de maio a setembro. A serpente põe uma ninhada de 5 a 15 ovos brancos puros. As fêmeas permanecem com os ovos até a eclosão. Os filhotes, ao nascer, medem de 9 a 14 cm e se alimentam de insetos, girinos, pequenos sapos e rãs.[6]

Comportamento

A. stolatum é diurna e, embora seja vista principalmente em terra, pode se deslocar facilmente para a água.[7]

Não venenosa e completamente inofensiva, quando alarmada, ela infla o corpo, expondo as cores brilhantes entre as escamas. Às vezes, achata e estreita a cabeça, formando um capuz.[6] Esse comportamento às vezes faz com que a espécie seja confundida por leigos com um filhote de Naja.[7]

A serpente estiva durante o clima quente e reaparece no final do verão. É abundante durante as chuvas.[6]

Galeria

Ver também

Referências

  1. Wogan, G.; Nguyen, T.Q.; Srinivasulu, C.; Srinivasulu, B.; Shankar, G.; Mohapatra, P.; Diesmos, A.C.; Gonzalez, J.C. (2021). «Amphiesma stolatum». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T172661A1361618. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T172661A1361618.enAcessível livremente 
  2. Amphiesma stolatum at the Reptarium.cz Reptile Database
  3. «Dorso-de-quilha-de-listras-amarelas (Amphiesma stolatum)». iNaturalist. Consultado em 19 de junho de 2025 
  4. a b Guo, P.; Liu, Q.; Zhang, L.; Li, J. X.; Huang, Y. Y.; Pyron, R. A. (17 de outubro de 2014). «A taxonomic revision of the Asian keelback snakes, genus Amphiesma (Serpentes: Colubridae: Natricinae), with description of a new species». Zootaxa. 3873 (4). ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.3873.4.5 
  5. Sharma, R.C. (2004). «Handbook: Indian Snakes.». Zoological Survey of India 
  6. a b c d e f g h i j k l m Whitaker, R., & Captain, A. (2008). Snakes of India: The Field Guide. [S.l.]: Draco Books 
  7. a b c d e f g h Whitaker, R. (1978). Common Indian Snakes: a field guide. [S.l.]: MacMillan India Limited. pp. 18–20. Consultado em 13 de julho de 2025 
  8. a b Hans Breuer; William Christopher Murphy (2009–2010). «Amphiesma stolatum». Snakes of Taiwan. Consultado em 18 de junho de 2025. Arquivado do original em 22 de agosto de 2015 

Bibliografia

  • Boulenger, George A. 1890. The Fauna of British India, Including Ceylon and Burma. Reptilia and Batrachia. Secretary of State for India in Council. (Taylor and Francis, Printers). London. xviii + 541 pp. (Tropidonotus stolatus, pp. 348–349.)
  • Boulenger, G.A. 1893. Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural History). Volume I., Containing the Families...Colubridæ Aglyphæ, Part. Trustees of the British Museum (Natural History). (Taylor and Francis, Printers). London. xiii + 448 pp. + Plates I.-XXVIII. (Tropidonotus stolatus, pp. 253–254.)
  • Cox, Merel J.; Van Dijk, Peter Paul; Jarujin Nabhitabhata & Thirakhupt, Kumthorn. 1998. A Photographic Guide to Snakes and Other Reptiles of Peninsular Malaysia, Singapore and Thailand. Ralph Curtis Publishing. Sanibel Island, Florida. 144 pp.
  • Daniels, J.C. 2002. Book of Indian Reptiles and Amphibians. BNHS. Oxford University Press. Mumbai.
  • Das, I. 1999. Biogeography of the amphibians and reptiles of the Andaman and Nicobar Islands, India. In: Ota, H. (ed) Tropical Island herpetofauna. Elsevier, pp. 43–77.
  • Das, I. 2002. A Photographic Guide to Snakes and Other Reptiles of India. Ralph Curtis Books. Sanibel Island, Florida. 144 pp. ISBN 0-88359-056-5. (Amphiesma stolatum, p. 19.)
  • Linnaeus, C. 1758. Systema Naturae. 10th Edition: 204 pp.
  • Wall, Frank. 1921. Ophidia Taprobanica or the Snakes of Ceylon. Colombo Museum. (H.R. Cottle, government printer). Colombo. xxii + 581 pp.

Ligações externas