Borboleta-da-restinga

Borboleta-da-restinga
Parides ascanius
Fotografia dorsal do macho de P. ascanius; cortesia Smithsonian Institution.
Fotografia dorsal do macho de P. ascanius; cortesia Smithsonian Institution.
Fotografia dorsal da fêmea de P. ascanius; cortesia Smithsonian Institution.
Fotografia dorsal da fêmea de P. ascanius; cortesia Smithsonian Institution.
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Subordem: Papilionoidea
Família: Papilionidae
Subfamília: Papilioninae[2][3]
Tribo: Troidini[2][4]
Género: Parides
Hübner, 1819[2][3]
Espécie: P. ascanius
Nome binomial
Parides ascanius
(Cramer, 1775)[2][3][5]
Ilustração da borboleta P. ascanius na obra Foreign butterflies (1858).
PL. XIV. Ilustração de P. ascanius, central, em vista superior, feita para a ciência por ocasião de sua descrição original no livro De uitlandsche kapellen: voorkomende in de drie waereld-deelen Asia, Africa en America, volume I, em 1775, por Pieter Cramer.
Distribuição geográfica
A borboleta P. ascanius é endêmica de uma pequena região de restingas do estado do Rio de Janeiro (em vermelho).[3][4]
A borboleta P. ascanius é endêmica de uma pequena região de restingas do estado do Rio de Janeiro (em vermelho).[3][4]
Sinónimos
Papilio ascanius Cramer, 1775
Papilio orophobus d'Almeida, 1942
Papilio neascanius Toxopeus, 1951
(Markku Savela/IUCN)[1][3]

A borboleta-da-restinga, cientificamente denominada Parides ascanius,[4][6][7] também denominada popularmente, em português, borboleta-da-praia[2][7][8] ou rabo-de-andorinha-fluminense[9] (em inglês, Ascanius cattleheart,[4] Ascanius swallowtail ou Fluminense swallowtail),[1][10] é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma borboleta da região neotropical litorânea do sudeste da América do Sul, endêmica do estado brasileiro do Rio de Janeiro,[3][4][11] habitando pequenas manchas de vegetação brejosa ou pantanosa entre Atafona (um distrito de São João da Barra) e Itaguaí, ao sul da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.[10] Suas lagartas se alimentam de plantas do gênero Aristolochia, conhecidas por conter compostos secundários de alcaloides tóxicos,[7][12][13] mais precisamente da espécie Aristolochia trilobata (= Aristolochia macroura, seu sinônimo), conhecida como "jarrinha",[1][3][9][14] o que torna a sua coloração um alerta aposemático para seus predadores.[11][13]

Classificação

Parides ascanius foi descrita em 1775 por Pieter Cramer na página 20 da obra De uitlandsche kapellen: voorkomende in de drie waereld-deelen Asia, Africa en America, volume I, classificada com o nome Papilio ascanius e com uma ilustração central registrada na PL. XIV.[2][3][5]

Dimorfismo sexual, descrição e hábitos

Em Parides ascanius é possível detectar um dimorfismo sexual pouco perceptível: os machos dorsalmente sendo de tonalidades mais enegrecidas do que as fêmeas, que possuem tonalidades castanhas mais claras, com asas um pouco mais largas e não apresentando as pregas androconiais das asas posteriores do macho; ambos os sexos dotados de caudas espatuladas e manchas avermelhadas nessa região.[10][15] Adultos voam em restinga, freneticamente, e buscam as flores do "cambará" (Lantana camara) e do "gervão" (Stachytarpheta cayennensis). Suas lagartas são de cor bordô em seu último estágio, dotadas de osmetério, com diversos nódulos arredondados e espiniformes em sua superfície, com algumas áreas amareladas, e suas crisálidas imitam galhos.[7][11][12][13]

Conservação

Esta foi a primeira espécie de inseto a figurar como ameaçada de extinção no Brasil, pelo IBDF, em 1973 e ainda no século XX;[5][14] uma década após ainda citada pelo lepidopterologista Luiz Soledade Otero como "o único inseto na lista brasileira de animais ameaçados de extinção",[12] enfrentando o fim do seu habitat por antropização, incluindo a construção de estradas e edifícios, drenagem de pântanos, supressão de vegetação e coleta ilegal para colecionismo; seus espécimes registrados se restringido apenas a poucas localidades;[7][9][13][14] desde 2018 colocada no status de espécie vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)[1] e inserida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, como espécie em perigo (EN).[8] É considerada uma espécie primitiva, pouco vigorosa e que enfrenta a competição das espécies simpátricas Parides zacynthus e Parides anchises nephalion, os dois sendo membros mais evoluídos do gênero Parides, ambas mais fortes e agressivas do que Parides ascanius,[10] cujos ovos, de cor amarela e colocados isoladamente, são também parasitados por pequenas vespas.[7][12][13]

Paridesː grupo ascanius

A espécie Parides ascanius nomeia um grupo de cerca de dez espécies de borboletas, suas congêneres, da América tropical e subtropical, entre o México e Argentina, denominado "grupo ascanius".[3][16]

ascanius

Em seu nome científico o seu descritor específico ascanius, em língua grega, é um nome próprio: Ascânio (Ἀσκάνιος), de significado original desconhecido. Na mitologia grega e romana Ascânio, também chamado Júlio, era filho de Eneias,[17] que era filho de Afrodite e foi um dos principais heróis que defenderam Troia dos gregos; o poeta romano Virgílio continuando a sua história na Eneida, na qual Eneias viaja para a Itália e funda o Estado romano.[18]

Referências

  1. a b c d e Grice, H.; Freitas, A.V.L.; Rosa, A.; Marini-Filho, O.; Mega, N.; Silva, F.; Mielke, O.; Casagrande, M. (abril de 2018). «Parides ascanius IUCN Redlist assessment» (em inglês). The IUCN Red List of Threatened Species (ResearchGate). 1 páginas. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  2. a b c d e f «Parides ascanius (Cramer, 1775)». SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  3. a b c d e f g h i j Savela, Markku. «Parides ascanius (Cramer, 1775)» (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  4. a b c d e PALO JR., Haroldo (2017). Borboletas do Brasil / Butterflies of Brazil, volume 1. Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae 1ª ed. São Carlos, Brasil: Vento Verde. p. 50-51. 768 páginas. ISBN 978-85-64060-09-8 
  5. a b c CARVALHO, José Cândido de Mello (1995). Atlas da Fauna Brasileira 3 ed. São Paulo: Melhoramentos. p. 131. 140 páginas. ISBN 85-06-02079-4 
  6. HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (2001). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva. p. 489. 2922 páginas. ISBN 85-7302-383-X 
  7. a b c d e f imagoUFRJ (12 de agosto de 2009). «Parides ascanius (Borboleta da Praia - Borboleta da Restinga): o resgate de uma espécie». UFRJ (YouTube). 1 páginas. Consultado em 3 de novembro de 2025 
  8. a b Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2018). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (PDF). Volume 1. Brasília: ICMBio/MMA. p. 386. 492 páginas. ISBN 978-85-61842-79-6. Consultado em 2 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de julho de 2019 
  9. a b c Dias, Reinaldo (13 de janeiro de 2024). «Parides ascanius: a borboleta endêmica da restinga em perigo de extinção». PoliSeres. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  10. a b c d e COLLINS, N. Mark; MORRIS, Michael G. (1985). Threatened Swallowtail Butterflies of the World. The IUCN Red Data Book (em inglês). Cambridge: IUCN - Google Books. p. 240-241. 401 páginas. ISBN 978-288032-603-6. Consultado em 7 de abril de 2017 
  11. a b c OTERO, Luiz Soledade; MARIGO, Luiz Claudio (1990). Borboletas. Beleza e comportamento de espécies brasileiras 1ª ed. Rio de Janeiro: Marigo Comunicação Visual. p. 36-37. 128 páginas. ISBN 85-85352-01-9 
  12. a b c d OTERO, Luiz Soledade (1986). Borboletas. Livro do Naturalista (21 X 28cm) 1ª ed. Rio de Janeiro: Ministério da Educação - FAE. p. 91-92. 112 páginas. ISBN 85-222-0195-1 
  13. a b c d e «Parides ascanius (Crammer, 1775)». Lepidoptera brasiliensis. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2015. Arquivado do original em 15 de janeiro de 2010 
  14. a b c Herkenhoff, Elisa Vieira; Monteiro, Ricardo Ferreira; Esperanço, Alexandre Pimenta; Freitas, André Victor Lucci (1 de março de 2013). «Population Biology of the Endangered Fluminense Swallowtail Butterfly Parides ascanius (Papilionidae: Papilioninae: Troidini)» (em inglês). BioOne. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  15. Demay, Sébastien (2010). «Parides ascanius (Cramer, 1775)» (em francês). parides.genus.free.fr. 1 páginas. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  16. a b SMART, Paul (1975). The Illustrated Encyclopaedia of the Butterfly World, In Colour. Over 2.000 species reproduced life size (em inglês). London: Salamander Books Ltd. p. 261. 274 páginas. ISBN 0-86101-101-5 
  17. «Ascanius» (em inglês). Behind the Name: The Meaning and History of First Names. 9 de junho de 2023. 1 páginas. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  18. «Aeneas» (em inglês). Behind the Name: The Meaning and History of First Names. 20 de novembro de 2020. 1 páginas. Consultado em 27 de novembro de 2025 

Ligações externas