Bispos de Roma sob Constantino, o Grande

Um afresco no mosteiro beneditino de Santi Quattro Coronati retrata Constantino oferecendo sua coroa a Silvestre.

A relação de Constantino, o Grande (272-337), com os quatro bispos de Roma durante seu reinado é um componente importante da história do papado e, de forma mais geral, da história da Igreja Católica Romana.[1]

A lenda que envolve a vitória de Constantino I na Batalha da Ponte Mílvia (312) relata sua visão do Chi Rho () e da inscrição "in hoc signo vinces" no céu, e a reprodução desse símbolo nos escudos de suas tropas.[1][2] No ano seguinte, Constantino e Licínio proclamaram a tolerância ao Cristianismo com o Édito de Milão, e em 325 Constantino convocou e presidiu o Primeiro Concílio de Niceia, o primeiro concílio ecumênico.[1][3] Nada disso, porém, tem muita relação com os papas, que sequer compareceram ao Concílio; aliás, o primeiro bispo de Roma a ser contemporaneamente chamado de "Papa" (em grego: πάππας, pappas) foi Dâmaso I (366-384).[4] Além disso, entre 324 e 330, ele construiu Constantinopla como uma nova capital para o império e - sem pedir desculpas à comunidade romana de cristãos - realocou famílias romanas importantes e transferiu muitas relíquias cristãs para as novas igrejas.[1]

A Doação de Constantino, uma falsificação do século VIII usada para aumentar o prestígio e a autoridade dos papas, coloca o papa em um papel mais central na narrativa do Cristianismo Constantiniano.[1][5][6] A lenda da Doação afirma que Constantino ofereceu sua coroa a Silvestre I (314-335) e até mesmo que Silvestre o batizou.[6] Na realidade, Constantino foi batizado (próximo à sua morte, em maio de 337) por Eusébio de Nicomédia, que, diferentemente do papa, era um bispo ariano de Constantinopla.[1] Silvestre foi sucedido por Marcos (336) e Júlio I (337-352) durante a vida de Constantino.[7]

Embora a "Doação" nunca tenha ocorrido, Constantino entregou o Palácio de Latrão ao bispo de Roma e iniciou a construção da Basílica de São Pedro (a "Basílica Constantiniana").[3] A doação do Palácio de Latrão provavelmente ocorreu durante o reinado de Milcíades (311-314), antecessor de Silvestre I, que passou a utilizá-lo como residência. A construção da Basílica de São Pedro foi iniciada entre 326 e 330 e teria levado três décadas para ser concluída, muito depois da morte de Constantino. A legalização do Cristianismo por Constantino, combinada com a doação dessas propriedades, conferiu ao bispo de Roma um nível de poder temporal sem precedentes, criando, pela primeira vez, um incentivo para que líderes seculares interferissem na sucessão papal.[1][8]

Referências

  1. a b c d e f g «Constantine the Great's Legacy Included Spreading Christianity». ThoughtCo (em inglês). Consultado em 14 de novembro de 2025 
  2. «Battle of Milvian Bridge». www.fact-index.com. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  3. a b «S. Silvestre I, papa - Informações sobre o Santo do dia - Vatican News». www.vaticannews.va. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  4. Baumgartner, Frederic J. (2003). Behind locked doors: a history of the Papal elections. New York: Palgrave Macmillan 
  5. «Donation of Constantine». history.hanover.edu. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  6. a b Kazhdan, Aleksandr Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  7. «CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: List of Popes». www.newadvent.org. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  8. Baumgartner, Frederic J. (2003). Behind locked doors : a history of the Papal elections. Internet Archive. [S.l.]: New York : Palgrave Macmillan. Consultado em 14 de novembro de 2025