Palácio de Castel Gandolfo
| Palácio de Castel Gandolfo | |
|---|---|
| Palazzo Apostolico di Castel Gandolfo | |
![]() A fachada do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo em 2015 | |
| Informações gerais | |
| Tipo | palácio, palace of the Popes |
| Arquiteto(a) | Carlo Maderno |
| Construção | Século XIII |
| Proprietário atual | Santa Sé |
| Website | http://www.vaticanstate.va/content/vaticanstate/en/monumenti/castel-gandolfo.paginate.1.html |
| Geografia | |
| País | Itália |
| Localização | Castel Gandolfo |
| Coordenadas | 🌍 |
![]() Palácio de Castel Gandolfo |
|
O Palácio Papal de Castel Gandolfo, ou Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, de seu nome italiano Palazzo Apostolico di Castel Gandolfo, é um complexo de edifícios de 54,6 hectares em um jardim na cidade de Castel Gandolfo, Itália, incluindo a principal villa do século XVII, um observatório e uma casa de fazenda com 30,4 hectares de terras agrícolas. A estrutura principal, o Palácio Papal, é um museu desde outubro de 2016. Serviu durante séculos como residência de verão e refúgio de férias para o papa, o líder da Igreja Católica, e possui status extraterritorial como uma das propriedades da Santa Sé. Tem vista para o lago Albano.
.png)
História

Por volta de 1200, a família genovesa Gandolfi ergueu um castelo no alto da colina, provavelmente sobre as ruínas da antiga Alba Longa, dando origem ao nome Castel Gandolfo. A fortaleza, de planta quadrada, muralhas ameadas e um pátio interno ainda preservado, era protegida por um bastião que a tornava quase impossível de tomar. Algumas décadas depois, a propriedade passou para a família Savelli, que a manteve por cerca de três séculos.[1]
Em 1596, durante o pontificado de Clemente VIII, a Câmara Apostólica confiscou Castel Gandolfo e Rocca Priora da família Savelli, que não quitara uma dívida de 150 mil escudos. Após o pagamento parcial do débito, Rocca Priora foi devolvida aos Savelli, enquanto Castel Gandolfo foi declarado patrimônio inalienável da Santa Sé e, em 1604, incorporado definitivamente ao domínio temporal da Igreja.[1]
Os jardins ocupam o local de uma residência do imperador romano Domiciano.[2] Urbano VIII Barberini, que já frequentava Castel Gandolfo antes de se tornar papa, foi o primeiro pontífice a passar ali os meses de verão, em 1626, após a conclusão das grandes obras de renovação e ampliação do palácio. Os trabalhos, conduzidos pelo arquiteto suíço Carlo Maderno com o apoio de Bartolomeo Breccioli e Domenico Castelli, integraram a antiga fortaleza ao novo conjunto e acrescentaram a ala voltada para o lago e a parte esquerda da atual fachada, até o portão de entrada. Nessa mesma época, foi criado o Giardino del Moro, jardim ainda hoje preservado em suas dimensões modestas e dividido por caminhos que formam praças regulares cercadas por sebes de murta.[1]
A capela particular, o oratório e a sacristia receberam decoração em afresco do florentino Simone Lagi. Também datam do pontificado de Urbano VIII as duas avenidas arborizadas, conhecidas como Galleria di sopra e Galleria di sotto, que margeiam a Villa Barberini e conectam Castel Gandolfo à vizinha Albano.[1]
Desde então, cerca de metade de seus sucessores usaram as propriedades como residência de verão e retiro de férias,[3] exceto nos anos entre 1870 e 1929, quando os papas, em disputa com a Itália por reivindicações territoriais, não deixaram a Cidade do Vaticano.[4] O Papa Pio XI modernizou as instalações e voltou a usar o retiro em 1934.[4] De acordo com o Tratado de Latrão de 1929, o palácio e a adjacente Villa Barberini, adicionada ao complexo pelo Papa Pio XI, são propriedades extraterritoriais da Santa Sé.[4]
Após 1929, o Palácio Papal passou por amplas obras de consolidação e renovação, realizadas para atender às novas exigências e integrar plenamente as três vilas, Giardino del Moro, Villa Cybo e Villa Barberini. Criaram-se, então, a passarela que liga a propriedade Barberini à Villa Cybo e a galeria elevada que, partindo desta, conduz ao Palácio, passando sobre a estrada pública pelo arco do antigo portão romano.[1]
Em 1934, o Observatório Astronômico, confiado aos jesuítas, foi transferido do Vaticano para Castel Gandolfo, já que a cidade de Roma não oferecia mais a escuridão necessária para a observação adequada do céu.[1]
Durante a Segunda Guerra Mundial, um número desconhecido de refugiados judeus se abrigou no palácio sob a proteção da Santa Sé, e muitas pessoas usaram o local como refúgio dos bombardeios aliados em 1944, embora mais de 500 pessoas tenham morrido em um desses ataques.[4] O Papa Pio XII morreu no palácio em 1958,[5] assim como o Papa Paulo VI em 1978.[6] O Papa João Paulo II mandou construir uma piscina no palácio, o que foi criticado por alguns. Paparazzi aproveitaram a oportunidade para tirar fotos dele.[7]
O Papa Bento XVI voou para o palácio na conclusão de seu papado em 28 de fevereiro de 2013,[8] foi acompanhado pelo Papa Francisco para um almoço em 23 de março,[2] e retornou à Cidade do Vaticano em 2 de maio.[9] Francisco visitou a propriedade mais duas vezes, mas nunca passou a noite.[10] Em junho de 2013, Francisco anunciou que não passaria o verão em Castel Gandolfo como muitos de seus antecessores, mas conduziria o Angelus lá em 14 de julho.[3] Na aposentadoria, Bento XVI o usou a convite de Francisco para férias de duas semanas em 2015.[11]
.jpg)
.jpg)
.jpg)
Em 7 de dezembro de 2013, o Papa Francisco nomeou Osvaldo Gianoli como Diretor das Villas Pontifícias de Castel Gandolfo.[12] Em março de 2014, o Vaticano abriu os Jardins Barberini para visitantes pagos em passeios guiados durante as horas da manhã, todos os dias, exceto domingos.[13] A partir de 11 de setembro de 2015, o público pôde viajar da Cidade do Vaticano para Castel Gandolfo em um trem que antes havia sido reservado para uso do papa.[14] Antes do final do ano, os produtos da fazenda, antes disponíveis apenas para funcionários do Vaticano, foram disponibilizados para compra pelo público.[15]
Em 21 de outubro de 2016, o palácio foi aberto ao público para visitação sem passar por nenhuma mudança estrutural.[16] Quando questionado se o edifício se tornaria novamente um apartamento papal, a prefeita de Castel Gandolfo, Milvia Monachesi, disse: "o fato de o palácio agora ser um museu tornará difícil uma reversão no futuro".[17]
Visita dos Papas
Clemente XI
Clemente XI passou quase uma década de pontificado sem deixar Roma, mas, após uma grave enfermidade em 1709, seguiu para Castel Gandolfo em 1710 por recomendação médica. O benefício da estadia o levou a retornar por seis verões consecutivos. Durante essa primeira visita, concedeu ao local o título de “Vila Pontifícia”, privilégio que isentava seus habitantes da jurisdição civil comum e os colocava sob autoridades especiais do Palácio Apostólico. Suas estadas foram lembradas pela proximidade com a população, sobretudo com os mais pobres, a quem o papa oferecia generosas doações. A ele também se atribuem a restauração do Palácio, então degradado, e obras de embelezamento da cidade, que crescia rapidamente. Uma placa na entrada da rua principal de Castel Gandolfo ainda hoje recorda essas melhorias promovidas por Clemente XI.[1]
Bento XIV
Após 25 anos sem receber papas, Castel Gandolfo voltou a ser residência pontifícia em 1741 com Bento XIV, que via no local um refúgio tranquilo e ali vivia com simplicidade, evitando cerimônias e visitas. Mesmo assim, promoveu melhorias importantes no palácio, como a decoração da galeria de Alexandre VII por Pier Leone Ghezzi e a construção, em 1749, da Loggia delle Benedizioni, adornada por um elegante relógio.[1]

Pio XI
Pio XI, considerado o primeiro papa da era moderna a utilizar Castel Gandolfo, passou a frequentar a residência assim que suas reformas fundamentais foram concluídas. Suas estadias, que no início duravam dois meses por ano, estenderam-se para até seis meses entre 1934 e 1938. Durante esse período, mandou construir uma nova capela particular no apartamento papal, onde colocou uma reprodução da imagem de Nossa Senhora de Częstochowa, presente dos bispos poloneses.[1]
Paulo VI
Paulo VI , eleito em junho de 1963, chegou a Castel Gandolfo poucas semanas depois, em 5 de agosto, iniciando uma tradição anual de permanência no local entre julho e setembro. Apesar de seu temperamento reservado, cultivou uma relação próxima e afetuosa com os habitantes da região.[1]
Durante seu pontificado, promoveu diversas obras de interesse público, como a Escola Primária Pontifícia que hoje leva seu nome, a Igreja de São Paulo com seu centro pastoral e a Igreja da Madonna del Lago. Em 14 de julho de 1978, voltou à residência de verão na esperança de recuperar as forças, mas, acometido por febre, não pôde rezar o Ângelus naquele 6 de agosto e faleceu naquela mesma noite.[1]
João Paulo II
Em 8 de outubro de 1978, o cardeal Karol Wojtyła visitou as Vilas Pontifícias em busca de algumas horas de tranquilidade durante o Conclave. Oito dias depois, em 16 de outubro, seria eleito Papa João Paulo II, o primeiro pontífice polonês da história.[1]
Sem prolongar a espera, visitou Castel Gandolfo em 25 de outubro, sendo recebido com entusiasmo por uma cidade ainda marcada pela perda recente de dois papas. A partir de seu pontificado, rompeu-se a tradição de estadias restritas ao verão: João Paulo II passou a utilizar Castel Gandolfo ao longo de todo o ano, transformando-o na verdadeira residência alternativa do Papa.[1]
Bento XVI
Na manhã de 11 de fevereiro de 2013, durante um consistório convocado para tratar de canonizações, Bento XVI surpreendeu o mundo ao anunciar que renunciaria ao ministério de Bispo de Roma, com efeito às 20h de 28 de fevereiro. De forma reservada, o diretor das Vilas Pontifícias foi informado de que o Papa se instalaria provisoriamente em Castel Gandolfo até que sua nova residência no Mosteiro Mater Ecclesiae estivesse pronta.[1]
Na tarde do dia 28, Bento XVI chegou à cidade, saudou os fiéis reunidos na praça e retirou-se para seus aposentos. Às 20h, diante da multidão que aguardava esse momento histórico, os portões do Palácio foram fechados e a bandeira pontifícia foi baixada, marcando visivelmente o início da sede vacante.[1]
Francisco
A primeira visita do Papa Francisco a Castel Gandolfo ocorreu em 23 de março de 2013, quando foi recebido no heliporto pelo Papa Emérito Bento XVI, pelo Bispo de Albano e pelo Diretor das Vilas Pontifícias. Os dois pontífices seguiram juntos para o Palácio, onde tiveram um encontro privado e almoçaram. A cena dos dois sentados lado a lado na mesma carruagem marcou um momento histórico. A visita teve caráter exclusivamente fraterno e cordial, destinada ao encontro pessoal entre o novo Papa e seu antecessor.[1]

Situação jurídica
De acordo com o Tratado de Latrão de 1929, o Palácio Pontifício de Castel Gandolfo é território italiano, mas de propriedade da Santa Sé e dotado de extraterritorialidade comparável à das missões diplomáticas. Está isento de impostos e expropriações italianas, e as autoridades italianas estão proibidas de entrar nele sem o consentimento da Santa Sé.[18]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p User, Super (22 de outubro de 2018). «Castel Gandolfo». Home Page di Vatican State (em italiano). Consultado em 28 de novembro de 2025
- ↑ a b Johnson, Alan (23 de março de 2013). «Pope Francis visits Benedict XVI at Castel Gandolfo». BBC. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ a b Wooden, Cindy (6 de junho de 2013). «Pope Francis decides not to spend summer at Castel Gandolfo». National Catholic Reporter. Catholic News Service. Consultado em 9 de maio de 2019.
Segundo Saverio Petrillo, diretor da villa, cerca de metade dos papas desde então seguiram o exemplo do Papa Urbano. Ao longo dos séculos, guerras, turbulências políticas, doenças e simplesmente a antipatia pelo ambiente levaram alguns pontífices a renunciarem ao uso da villa, escreveu Petrillo.
- ↑ a b c d Schlott, René (28 de fevereiro de 2013). «Castel Gandolfo: The Colorful History of the Pope's Summer Home». Spiegel International. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ Cortesi, Arnaldo (9 de outubro de 1958). «Pontiff 19 Years» (PDF). New York Times. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ Tanner, Henry (7 de agosto de 1978). «Election to be Held» (PDF). New York Times. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ «Castel Gandolfo: The Colorful History of the Pope's Summer Home». Spiegel.de. Consultado em 19 de janeiro de 2017
- ↑ Donadio, Rachel (28 de fevereiro de 2013). «Discord Remains at Vatican as Pope Benedict Departs». New York Times. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ Povoledo, Elisabetta (2 de maio de 2013). «With Benedict's Return, Vatican Experiment Begins». New York Times. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ Hancock, Edith (28 de outubro de 2016). «Inside Pope Francis' summer home, which has just been opened to the public». Business Insider. Consultado em 9 de maio de 2019
- ↑ Harris, Elise (30 de junho de 2015). «Francis wishes Benedict XVI a good summer in Castel Gandolfo». Catholic News Agency. Consultado em 9 de maio de 2019
- ↑ «Nomina del Direttore delle Ville Pontificie di Castelgandolfo» (Nota de imprensa). Sala de Imprensa da Santa Sé. 7 de dezembro de 2013. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ «Bergoglio opens Castel Gandolfo gardens to the public». Vatican Insider. 3 de março de 2014. Consultado em 3 de março de 2014
- ↑ Cousturie, Isabelle (24 de outubro de 2016). «Pope Francis gives up papal summer residence at Castel Gandolfo». Aleteia. Consultado em 9 de maio de 2019
- ↑ Marchetti, Silvia (16 de janeiro de 2018). «God's Grocer: Pope Francis Has Opened His Farm to Visitors». Newsweek. Consultado em 9 de maio de 2019
- ↑ «Pope gives up another indulgence: His summer palace». Religion News Service. 21 de outubro de 2016. Consultado em 19 de janeiro de 2017
- ↑ Pullella, Philip (21 de outubro de 2016). «Papal summer residence, shunned by Francis, opened to public». Reuters. Consultado em 19 de janeiro de 2017
- ↑ Lateran Treaty, Article 15 and annex II.
- Fontes adicionais
- Petrillo, Saverio (1995). I papi a Castel Gandolfo. Velletri: Edizioni Tra 8 & 9. OCLC 34817188.
- Graziano, Nisio (2008). Dalla leggendaria Alba Longa a Castel Gandolfo, Castel Gandolfo: Il Vecchio Focolare.
Ligações externas
- Sítio oficial
- «The Popes Summer Residence Opens to the Public», apresentação de slides
.jpg)
