Batalha do Rio Quirós

Batalha do rio Quirós

O Reino das Astúrias no final do século VIII
Data18 de setembro de 795
LocalConfluência dos rios Quirós e Pielgo, atual Astúrias, Espanha
DesfechoVitória omíada
Beligerantes
Reino das Astúrias Emirado de Córdova
Comandantes
Afonso II das Astúrias
Gadaxara
Abedelcarim ibne Abede Alualide ibne Muguite
Baixas
Elevadas Desconhecidas

A Batalha do rio Quirós (em castelhano: Batalla del río Quirós) foi um confronto militar ocorrido em 18 de setembro de 795, no contexto inicial da Reconquista, entre forças do Reino das Astúrias e tropas do Emirado de Córdova. O combate teve lugar na confluência dos rios Quirós e Pielgo, no atual território das Astúrias, e resultou numa vitória das forças muçulmanas comandadas por Abedelcarim ibne Abede Alualide ibne Muguite. Apesar da derrota, o rei asturiano Afonso II conseguiu evitar a destruição de seu exército, preservando a continuidade política do reino.[1][2]

Contexto histórico

Desde a Conquista muçulmana da Península Ibérica no início do século VIII, os reinos cristãos do norte da península mantiveram uma relação de conflito quase contínuo com os poderes islâmicos estabelecidos em Alandalus. O Reino das Astúrias emergiu como um dos principais focos de resistência cristã, sobretudo após as vitórias obtidas durante o reinado de Afonso II.[3]

Em 794, os asturianos infligiram uma derrota significativa às forças muçulmanas na Batalha de Lutos. Em resposta, o emir de Córdova, Hixeme I, organizou uma grande expedição punitiva contra o reino cristão no ano seguinte. Duas colunas muçulmanas foram mobilizadas: uma avançou pela Galícia, enquanto a principal, sob o comando de Abedelcarim, dirigiu-se ao centro das Astúrias.[2][4]

A campanha de 795

Inicialmente, Afonso II tentou organizar a resistência nas proximidades do passo de Puerto de la Mesa, mas, diante da superioridade numérica inimiga, decidiu recuar. Durante essa retirada, a retaguarda asturiana foi atacada e derrotada na Batalha de Las Babias.[5]

Prosseguindo a perseguição, as tropas muçulmanas aproximaram-se da região de Quirós. Para ganhar tempo e permitir que o grosso do exército recuasse para posições mais favoráveis, Afonso II destacou um contingente de cerca de 3 000 cavaleiros, comandados por um de seus homens de confiança, Gadaxara.[1]

A batalha

O confronto ocorreu nas margens do rio Quirós, perto de sua confluência com o rio Pielgo. De acordo com as crônicas, o terreno era pouco favorável para grandes manobras de cavalaria, mas a superioridade numérica das forças muçulmanas foi decisiva.[2]

Após um combate intenso, o contingente asturiano foi derrotado. A maioria de seus homens foi morta, e o próprio Gadaxara foi capturado — embora fontes posteriores sugiram que tenha sido executado pouco depois.[6]

Consequências

Apesar da derrota, o sacrifício da força comandada por Gadaxara cumpriu seu objetivo estratégico: permitiu que o rei Afonso II e o restante do exército se retirassem em segurança para Oviedo. As forças muçulmanas ainda avançariam, infligindo novas derrotas aos asturianos, incluindo na Batalha do Nalón, e chegando a ocupar temporariamente a capital do reino.[7]

Contudo, Abedelcarim não conseguiu capturar o rei nem destruir definitivamente o exército cristão. A campanha terminou sem alcançar seu objetivo principal, preservando a continuidade do Reino das Astúrias.

Importância histórica

A Batalha do rio Quirós ilustra a fragilidade militar do Reino das Astúrias nesse período inicial da Reconquista, mas também sua capacidade de adaptação estratégica. Embora derrotado taticamente, o reino conseguiu sobreviver politicamente, o que lhe permitiu consolidar-se e, nas décadas seguintes, avançar para o sul.[3]

Na tradição historiográfica asturiana, o sacrifício de Gadaxara tornou-se símbolo de lealdade e resistência frente à expansão muçulmana.[8]

Ver também

Referências

  1. a b Esparza 2009, p. 156.
  2. a b c Suárez Fernández 1976, pp. 170–171.
  3. a b Collins 2012, p. 65.
  4. Esparza 2009, pp. 149–152.
  5. Esparza 2009, pp. 153–155.
  6. Esparza 2009, pp. 156–157.
  7. Esparza 2009, pp. 158–159.
  8. Esparza 2009, p. 157.

Bibliografia

  • Esparza, José Javier (2009). La gran aventura del reino de Asturias: Así comenzó la Reconquista. Madrid: La Esfera de los Libros. ISBN 978-84-9970-404-3 
  • Suárez Fernández, Luis (1976). Historia de España antigua y media. 2. Madrid: Ediciones Rialp. ISBN 978-84-321-1882-1 
  • Collins, Roger (2012). Caliphs and Kings: Spain, 796–1031. Oxford: Wiley-Blackwell. ISBN 978-1-118-27399-9