Batalha do Marvão
| Batalha do Marvão | |||
|---|---|---|---|
| Guerra Fantástica | |||
![]() O castelo de Marvão | |||
| Data | 9-10 de Novembro de 1762 | ||
| Local | Marvão, Portugal | ||
| Desfecho | Vitória anglo-portuguesa[1] | ||
| Beligerantes | |||
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A Batalha do Marvão foi uma acção militar da Guerra Fantástica e fez parte da invasão franco-espanhola de Portugal em 1762.[5] Uma considerável força espanhola atacou a cidade-castelo de Marvão mas foi rechaçada por uma força anglo-portuguesa comandada pelo capitão Thomas Browne.[4][6]
Eventos
Contexto
Duas ofensivas espanholas com o objectivo de invadir Portugal fracassaram durante o verão de 1762.[7] A Espanha recebeu o apoio da França com equipamento e 10,000 soldados, ao passo que o Reino Unido enviou reforços para ajudar os portugueses; no total, cerca de 8.000 homens liderados por John Burgoyne e pelo general George Townshend.[8] A terceira invasão do território português foi estimulada pelas negociações de paz entre a França e a Grã-Bretanha.[2] A posição e o poder de negociação da Espanha durante as negociações de paz seriam reforçados com um ataque surpresa no final do Outono (as campanhas eram geralmente adiadas até a primavera nessa época).[9] No entanto, o comandante em Portugal, o conde de Lippe, já havia reforçado as guarnições essenciais com tropas portuguesas de primeira linha e tropas e oficiais britânicos.[3]
Os espanhóis dividiram o seu exército em vários corpos, cada um atacando um alvo específico.[5] Marvão era um dos alvos que os espanhóis esperavam conquistar.[9]
A batalha
O Castelo de Marvão, situado num penhasco granítico da Serra de São Mamede, perto do Tejo, na fronteira, era uma fortaleza dominante crucial, cuja conquista era vital para facilitar a travessia do Tejo pelos espanhóis.[3] O castelo era defendido por 500 homens sob o comando do capitão Thomas Browne, responsável por uma companhia do 83.º Regimento de Infantaria do coronel Bigoe Armstrong, com um pequeno destacamento de tropas portuguesas, milícias e alguns canhões.[5]
À medida que o corpo espanhol, com 4000 a 5000 homens, se aproximava, a população aterrorizada pressionava pela rendição, mas prevaleceu a firmeza do capitão Browne, que inicialmente esperava um longo cerco.[1] Surpreendeu-o o ataque dos espanhóis, dada a elevada posição defensiva da fortificação.[4]
Os espanhóis tentaram uma aproximação directa do lado sudeste de Marvão e Brown enviou reforços da alcáçova para esse lado.[2] Os britânicos e portugueses abriram fogo com mosquetes e canhões contra os espanhóis que tentavam escalar as muralhas.[10] Para agravar o problema dos espanhóis, muitas das suas escadas eram demasiado curtas para subir as muralhas e foram facilmente rechaçados com pesadas perdas; os espanhóis perderam muitos homens devido a acidentes, bem como ao fogo inimigo.[2][5] O comandante espanhol, percebendo que a surpresa tinha sido perdida e que o castelo estava bem defendido, cancelou o ataque; não estava preparado para um cerco e retirou-se no dia seguinte.[3]
Rescaldo
Outro avanço espanhol foi detido em Ouguela, mas a guarnição portuguesa também ali estava bem preparada.[1] Os espanhóis foram rechaçados com perdas consideráveis e obrigados a retirarem-se.[2][10]
A 19 de Novembro as guarnições de Marvão e Ouguela uniram forças e retaliaram, ocuparam a cidade espanhola de La Codosera.[2] o ânimo com que os espanhóis se depararam nestes pequenos locais teve um efeito visível nos seus movimentos e convenceu-os de que qualquer tentativa de invasão do Alentejo exigiria uma vitória decisiva.[1] O avançado estado da estação contribuiu em certa medida para tal e as doenças estavam a causar enormes prejuízos, assim como a falta de mantimentos.[2]
A 15 de Novembro, as forças espanholas retiraram-se; a 22 de Novembro, o governo espanhol pediu uma trégua.[9]
Ver também
- O Reino Unido na Guerra dos Sete Anos
- Batalha de Valência de Alcântara
- Batalha de Vila Velha de Ródão
- Choque do Alvito
Referências
- ↑ a b c d Halliday, Andrew (1812). The present state of Portugal, and of the Portuguese Army: with an epitome of the ancient history of that Kingdom. Clarke. pp. 103–04.
- ↑ a b c d e f g Sales, Ernesto Augusto Pereira (1937). O conde de Lippe em Portugal Volume 2 of Publicações da Comissão de História Militar Author. Vila Nova de Famalicão. pp. 55–62.
- ↑ a b c d The Royal Military Chronicle Vol 5. J. Davis. 1812. p. 53.
- ↑ a b c Baule p 85
- ↑ a b c d Journal of the Society for Army Historical Research, Volume 59. Society for Army Historical Research. 1981. pp. 41–43.
- ↑ d' Arruela, José (1980). O equilíbrio peninsular (dez invasões espanholas). Coimbra. pp. 121–123.
- ↑ Nester p.218
- ↑ Jaques p 37
- ↑ a b c Speelman, Patrick & Danley, Mark (2012), The Seven Years' War: Global Views pp. 447-48
- ↑ a b Boletim do Arquivo Histórico Militar, Volumes 22-24. Arquivo Histórico Militar. 1952. p. 212.
Bibliografia
- Baule, Steven M (2014). Protecting the Empire's Frontier: Officers of the 18th (Royal Irish) Regiment of Foot during Its North American Service, 1767–1776. Ohio University Press. ISBN 9780821444641.
- Jaques, Tony (2006). Dictionary of Battles and Sieges: A Guide to 8500 Battles from Antiquity Through the Twenty-first Century. Greenwood Press. ISBN 978-0313335365.
- Kirby, Mike. "The Portuguese Army - Seven Years War". Seven Years War Association Journal. XII (3).
- Nester, William R (2000). The First Global War: Britain, France, and the Fate of North America, 1756-1775. Greenwood Publishing Group. ISBN 9780275967710.
- Sales, Ernesto Augusto Pereira (1937). O conde de Lippe em Portugal Volume 2 of Publicações da Comissão de História Militar Author. Vila Nova de Famalicão.
