Visconde de Vila Nova da Rainha
| Pariato | |
| Criação | D. Maria I 28 de Maio de 1810 |
| Tipo | Vitalício – 1 vida 1 renovação |
| 1.º titular | Francisco José Rufino de Sousa Lobato |
| Linhagem | de Sousa Lobato de Barros e Sousa Mesquita Macedo Leitão e Carvalhosa |
| Títulos associados | Barão de Vila Nova da Rainha |
| Actual titular | João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa |
Visconde de Vila Nova da Rainha foi um título nobiliárquico criado por D. João, Príncipe Regente de D. Maria I de Portugal, por Decreto de 28 de Maio de 1810, em favor de Francisco José Rufino de Sousa Lobato, antes 1.º Barão de Vila Nova da Rainha.[1][2][3][4]
História
Francisco José Rufino de Sousa Lobato (1773 — 1830) foi o único Barão e 1.º Visconde de Vila Nova da Rainha. Filho de José Joaquim de Sousa Lobato, fidalgo da Casa Real e detentor de diversos ofícios régios, e de D. Maria Joana Hearing, era irmão dos Barões e Viscondes de Magé.[2][3][4][5][6]
Exerceu cargos administrativos e militares, tendo sido senhor de Vila Nova da Rainha e do Mouchão de Esfolas Vacas, tenente-general, alcaide-mor de Castro Marim e governador da fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Serviu ainda a Casa Real em várias funções, entre as quais guarda-roupa, porteiro da Real Câmara, tesoureiro do bolsinho, guarda-jóias e tapeçarias, apontador dos foros e secretário de Estado da Casa e Estado do Infante. Durante a Regência administrou o património desta instituição. No Brasil, foi deputado da Mesa da Consciência e Ordens, oficial-mor da Casa Real, provedor da Alfândega do Tabaco e superintendente do palácio e convento de Mafra.[2][3][4][5][6]
Face à falta de descendência directa dos titulares, a segunda vida do viscondado foi confirmada por sanção real a favor de um sobrinho do Visconde, filho segundo do Visconde de Santarém, que viria igualmente a representar a Casa por morte sem geração de seu irmão primogénito.[2][3][4]
O 2.º Visconde foi António de Barros Saldanha da Gama de Sousa Mesquita de Mesquita Leitão e Carvalhosa (1827 — 1899), nascido e falecido em Lisboa, filho do 2.º Visconde de Santarém. Ingressou no Exército em 1846 e progrediu pela hierarquia militar até coronel, reformando-se com o posto de general-de-brigada. Participou no movimento militar de 1851 e, em 1865, serviu como adido militar na Legação de Portugal em Paris. Exerceu ainda actividade política, tendo sido eleito deputado por Tomar em cinco legislaturas, cidade onde administrava uma fábrica de papel e a respectiva propriedade anexa. Foi comendador da Ordem de Avis e cavaleiro das Ordens de Cristo e da Torre e Espada.[2][3][4]
Propriedades
Em 1906, o Palacete Abrantes foi utilizado para hospedar Elihu Root, então Secretário de Estado dos Estados Unidos. O imóvel pertencia ao comendador Carlos de Araújo e Silva, herdeiro do Visconde de Silva e Barão do Catete. A propriedade fora inicialmente uma chácara de recreio do Visconde de Vila Nova da Rainha e, após 1821, foi sucessivamente arrendada a diversas figuras estrangeiras, como Sir George Eyre e Sir Robert Gordon. Adquirida por D. Pedro I em 1827 para uso da família, foi ocupada por esta a partir de 1829. Após a morte do monarca, o imóvel foi leiloado e comprado, em 1842, por Miguel Calmon du Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes.[7]
Barões de Vila Nova da Rainha(1809)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Francisco José Rufino de Sousa Lobato | 1773 — 1830 | 1.º Barão de Vila Nova da Rainha | Criado Barão, em duas vidas, por Decreto de 5 de junho de 1809, por D. João, Príncipe Regente;[2][3] |
Viscondes de Vila Nova da Rainha (1810)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Francisco José Rufino de Sousa Lobato | 1773 — 1830 | 1.º Visconde de Vila Nova da Rainha | Elevado a Visconde, por Decreto de 21 de maio de 1810, por D. João, Príncipe Regente;[2][3] Casou, a 5 de fevereiro de 1800, com D. Mariana Leocádia Bárbara de Barros de Sousa Leitão e Carvalhosa, Dama da Ordem de Santa Isabel e filha do 1.º Viscondes de Santarém;[2][3][8] |
| 2 | António de Barros Saldanha da Gama de Sousa Mesquita de Mesquita Leitão e Carvalhosa | 1827 — 1899 | 2.º Visconde de Vila Nova da Rainha | Sobrinho da 1.ª Viscondessa de Vila Nova da Rainha e filho do 2.º Visconde de Santarém, era irmão da 1.ª Viscondessa de Vila Nova da Rainha; Casou em primeiras núpcias, em 1868, com D. Carlota Peixoto de Almeida, e em segundas núpcias, em 1877, com D. Sofia Elisa de Morais Valverde.; Teve descendência;[2][3][4][9] |
Representantes do título na República (1910)
| # | Titular | Datas | Títulos pretendidos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 3 | Manuel Francisco de Barros Saldanha da Gama de Sousa de Mesquita Leitão e Carvalhosa | 1878 — 1953 | 3.º Visconde de Vila Nova da Rainha | Filho do 2.º Visconde de Vila Nova da Rainha; Também representou o título de 3.º Visconde de Santarém;[2][3][4][10] |
| 4 | João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa[4] | 1929 — 2025[4] | 4.º Visconde de Vila Nova da Rainha[4] | Filho do anterior; Também representou o título de 4.º Visconde de Santarém;[4] |
Referências
- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp. 508-9
- ↑ a b c d e f g h i j Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 3. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 508-509
- ↑ a b c d e f g h i j Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 749-750
- ↑ a b c d e f g h i j k Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 820-822
- ↑ a b «12 O Rio de Janeiro». Issuu. Consultado em 15 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 4 de maio de 2025
- ↑ a b «Trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses» (PDF). 1943. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ «Interiores do Palacete Abrantes». acasasenhorial.org. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ Batista, Paulo Jorge dos Mártires (20 de dezembro de 2022). «"O 2.º visconde de Santarém é uma figura incontornável da cultura portuguesa da primeira metade do século XIX. A qual, por motivos ideológicos, muitos teimam ignorar ou menorizar.": Entrevista a Daniel Estudante Protásio, investigador integrado doutorado do Centro de História da Universidade de Lisboa, arquivista do Arquivo Histórico da Misericórdia de Lisboa.». Archivoz. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ «António de Barros Saldanha da Gama, 2.º visconde de Vila Nova da Rainha - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ «Manuel Francisco de Barros Leitão e Carvalhosa, 3.º visconde de Santarém - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 15 de novembro de 2025
