Dom João, Príncipe Regente de Portugal (pintura)

Dom João, Príncipe Regente de Portugal
AutorHenri-François Riesener
Datac. 1815
TécnicaÓleo sobre tela
Dimensões133 × 104 cm[1] 
LocalizaçãoPalácio Nacional de Queluz, Portugal

Dom João, Príncipe Regente de Portugal é uma pintura realizada por Henri-François Riesener por volta de 1815, nela, D. João, o então príncipe regente é retratado apontando para um globo, sinalizando Portugal Continental, o qual repousa sobre um mapa que representa o Brasil. É muito pouco provável que Napoleão tenha posado para o retrato, tanto quanto se sabe, D. João não gostava nada de posar para os retratos.[2][3] Foi uma comissão privada do Marquês de Marialva, e o pintor teria se baseado em gravuras e descrições orais fornecidas pelo marquês para compor a fisionomia e o porte do monarca.

Iconografia

A pintura, atribuída ao artista francês Henri-François Riesener e datada aproximadamente de 1815, representa D. João VI, então príncipe regente de Portugal, Brasil e Algarves, em trajes de gala, revestido de toda a simbologia régia e militar que reforça sua autoridade e legitimidade soberana. Riesener, tio do célebre Eugène Delacroix, foi um renomado retratista da corte napoleônica, responsável por retratar figuras como Napoleão Bonaparte, a imperatriz Josefina e o príncipe Eugênio de Beauharnais.[2]

O retrato em exibição no Palácio Nacional de Queluz.

Na composição, o monarca é retratado de corpo inteiro, com uniforme ricamente ornamentado, portando insígnias de ordens honoríficas, entre as quais se destacam as Ordens de Cristo, de São Bento de Avis e de Santiago da Espada. Sobre o peito, atravessa-lhe o Tosão de Ouro e uma faixa multicolorida, representando as três ordens militares portuguesas supracitadas. Sua postura é imponente e serena, reforçada pelo gesto da mão direita, que se estende sobre um globo terrestre apoiado sobre um mapa; o globo, onde o rei aponta para Portugal Continental, repousa sobre um mapa que representa o Brasil, constituindo um poderoso emblema da união entre os dois territórios sob o mesmo soberano.[2]

Segundo investigações realizadas pela equipe do Palácio Nacional de Queluz, a obra teria sido encomendada pelo Marquês de Marialva, embaixador de Portugal em Paris à época. Por não ter estado no Brasil, onde a família real residia desde 1807, em consequência das invasões napoleônicas, Riesener teria se baseado em gravuras e descrições orais fornecidas pelo marquês para compor a fisionomia e o porte do monarca.[2]

Técnica

Este imponente retrato de D. João, pelo pintor francês Riesener, é executado a óleo sobre tela, apresenta craquelamento e foi restaurado profissionalmente. A assinatura do artista encontra-se no canto inferior direito da obra. Há remendos no verso da pintura, que podem fazer parte de uma restauração anterior. O objeto está emoldurado em uma moldura decorativa dourada, e as dimensões com a moldura são 133 x 104 cm, o que dá ao espectador uma ideia do tamanho impressionante e da presença da obra.[1]

Leitura adicional

  • Schultz, Kirsten, Tropical Versailles. Empire, Monarchy, and the Portuguese Royal Court in Rio de Janeiro 1808-1821. Routledge 2001.
  • THIEME, Ulrich / BECKER, Felix, Allgemeines Lexikon der bildenden Künstler von der Antike bis zur Gegenwart, ed. por VOLLMER, Hans, vol. 28: Ramsden-Rosa, (reimpressão 1953), Leipzig 1934, p. 342 f.

Veja também

Referências

  1. a b «Lot no. 239 - Henri François Riesener». La Gazette Drouot. www.gazette-drouot.com. Consultado em 24 de outubro de 2025 .
  2. a b c d «Parques de Sintra adquire novas peças para o Palácio Nacional de Queluz com destaque para retrato inédito de D. Joao VI». Retrato inédito de um rei que detestava posar para os pintores. Acervo do Palácio Nacional de Queluz. Parques de Sintra. 19 de novembro de 2024. Consultado em 24 de outubro de 2025 .
  3. Maria Ramos Silva (23 de novembro de 2024). «O rei que não gostava de posar, uma princesa artista, e um símbolo do poder absoluto: as novas aquisições do Palácio de Queluz». Observador. www.observador.pt. Consultado em 24 de outubro de 2025 .