Articaína
Articaína
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Nome IUPAC (sistemática)
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| (RS)-methyl 4-methyl-3-(2-propylaminopropanoylamino)thiophene-2-carboxylate hydrochloride | |
Identificadores
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| 23964-57-0 | |
Informação química
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| 320.836 g/mol | |
| Septanest, Ultracaína | |
Farmacocinética
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| Plasma sanguíneo e fígado | |
| 1,25 hora | |
| Rins (5 a 10% inalterados) | |
Considerações terapêuticas
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| subcutânea | |
Articaína é um anestésico local utilizado na odontologia. É o anestésico local mais utilizado em vários países europeus[1] e está disponível em muitos países. É o único anestésico local que contém um anel tiofénico, o que significa que pode ser descrito como "tiofénico"; isto confere solubilidade lipídica.[2]
Usos médicos
A articaína é utilizada para o controlo da dor. A articaína provoca um estado de anestesia transitório e completamente reversível (perda de sensibilidade) durante os procedimentos (dentários).[3]:3
A articaína (como Cyklx) é indicada para anestesia da superfície ocular antes dos procedimentos oculares e/ou injeções intraoculares.
Em medicina dentária, a articaína é utilizada principalmente para analgesia por infiltração. Embora não tenha sido comprovado, a articaína tem sido associada a um maior risco de lesão nervosa quando utilizada como técnica de bloqueio.[4] No entanto, a articaína é capaz de penetrar no osso cortical — como o que se encontra na mandíbula — mais do que a maioria dos outros anestésicos locais.[5] Verificou-se que a articaína tem 3,81 vezes mais probabilidade anestesiar de forma eficaz do que a lidocaína quando utilizada para injeções de infiltração. No entanto, não existem evidências que sustentem o uso da articaína em vez da lidocaína para os bloqueios do nervo alveolar inferior.[6] Além disso, a infiltração com articaína apresentou maior índice de sucesso em comparação ao bloqueio do nervo alveolar inferior com lidocaína[7]
Sabe-se que a aplicação de anestesia infiltrativa é mais confortável tanto para o operador, como para o paciente, frente as técnicas de bloqueio regional.[8] E a experiência clínica e estudos descrevem dados que tornam normalmente aceita a ideia que a técnica infiltrativa é a mais utilizada na região maxilar e geralmente obtém um índice significativo de sucesso em anestesia local, tanto na polpa como dos seus tecidos subjacentes. As técnicas de bloqueio nesta região são citadas como alternativas a infiltração, isso porque não apresentam vantagens sobre ela na maioria dos casos. Porém em [[mandíbula] é observada uma inversão de valores quando se compara a técnicas de anestesia utilizadas em maxila. Na mandíbula, as técnicas de bloqueio são as de primeira escolha, e as infiltrações se enquadram como, alternativas[9] Tem-se destacado certas desvantagens na utilização das técnicas de bloqueio em mandíbula quando comparadas à técnica infiltrativa, como: taxa de insucesso anestésico maior, aproximadamente em 15%, maior incidência de complicações como trismo, hematoma ou parestesia e a necessidade de anestesiar todo o ramo do nervo alveolar inferior, para que apenas um dente seja tratado. É importante ressaltar que a falha da anestesia pode ser causada por erros técnicos, por fatores anatômicos, farmacológicos, patológicos ou até mesmo psicológicos.[10]
História
Este medicamento foi sintetizado pelo farmacologista Roman Muschaweck e pelo químico Robert Rippel.[11] Muschaweck recebeu a medalha "O. Schmiedeberg" da Sociedade Alemã de Farmacologia e Toxicologia Experimental e Clínica pelo seu trabalho em 2002.[12] Foi trazido para o mercado alemão em 1976 pela Hoechst AG, uma empresa alemã de ciências biológicas (agora Sanofi-Aventis), sob a marca Ultracain.[11][13] Este medicamento também foi chamado de "carticaína" até 1984.[3]:71 Em 1983, foi introduzido no mercado norte-americano, no Canadá, sob a designação Ultracaína para uso dentário, fabricado na Alemanha e distribuído pela Hoechst-Marion-Roussel. Esta marca é fabricada na Alemanha pela Sanofi-Aventis e distribuída na América do Norte pela Hansamed Limited (desde 1999). Após o término da proteção de patente do Ultracaine, chegaram ao mercado canadiano versões genéricas: (por ordem de aparecimento) Septanest (Septodont), Astracaine (originalmente da AstraZeneca e agora um produto da Dentsply), Zorcaine (Carestream Health/Kodak) e Orabloc (Pierrel).
Foi aprovado pela FDA em abril de 2000 e ficou disponível nos Estados Unidos dois meses depois sob a marca Septocaine, uma combinação anestésico/vasoconstritor com epinefrina 1:100.000 (marca Septodont). O Zorcaine também foi disponibilizado lá alguns anos depois. O Articadent (Dentsply) foi disponibilizado nos Estados Unidos em outubro de 2010. As três marcas disponíveis nos Estados Unidos são todas fabricadas para estas empresas pela Novocol Pharmaceuticals Inc. (Canadá). O Ubistesin e o Ubistesin Forte (3M ESPE) são também muito utilizados nos Estados Unidos e na Europa. O Orabloc (Pierrel) é fabricado assepticamente e foi aprovado pela FDA em 2010, tendo sido disponibilizado no Canadá em 2011 e na Europa a partir de 2013.
Regulamentação do uso
A Articaína foi primeiro aprovado para uso na Alemanha em 1976 e após para uso na Europa. No Brasil teve seu uso aprovado em 1999 e nos Estados Unidos obteve a aprovação do FDA no ano 2000.
Características
Possui qualidades como: uma rápida capacidade de ação e boa duração da ação anestésica.
Estrutura e metabolismo
Articaína é único entre o grupo dos anestésicos locais porque contém um grupo thiophene, e também porque possui os grupos amida e éster conjuntamente. Articaína é um anestésico do tipo amida de ação intermediária. Entretanto, com a associação do grupo éster permite que haja metabolismo no plasma pela enzima pseudocolinesterase.
Complicações
Sérias complicações estão associadas com a Articaína: Parestesia longa ou permanente tem sido reportada como efeito adverso do anestésico e ocorre mais frequentemente quando há associação com a lidocaína.
Referências
- ↑ Oertel R, Ebert U, Rahn R, Kirch W. Clinical pharmacokinetics of articaine. Clin Pharmacokinet. 1997 Dec;33(6):418.
- ↑ Snoeck M (5 de junho de 2012). «Articaine: a review of its use for local and regional anesthesia». Local and Regional Anesthesia. 5: 23–33. PMC 3417979
. PMID 22915899. doi:10.2147/LRA.S16682
- ↑ a b Malamed SF (2004). Handbook of Local Anaesthesia 5th ed. St. Louis: Mosby. ISBN 978-0-323-02449-5
- ↑ Pogrel MA (abril de 2007). «Permanent nerve damage from inferior alveolar nerve blocks--an update to include articaine». Journal of the California Dental Association. 35 (4): 271–273. PMID 17612365. doi:10.1080/19424396.2007.12221225
- ↑ Segal MM, Rogers GF, Needleman HL, Chapman CA (dezembro de 2007). «Hypokalemic sensory overstimulation». Journal of Child Neurology. 22 (12): 1408–1410. PMID 18174562. doi:10.1177/0883073807307095
- ↑ Brandt RG, Anderson PF, McDonald NJ, Sohn W, Peters MC (maio de 2011). «The pulpal anesthetic efficacy of articaine versus lidocaine in dentistry: a meta-analysis». Journal of the American Dental Association. 142 (5): 493–504. PMID 21531931. doi:10.14219/jada.archive.2011.0219
- ↑ Kung J, McDonagh M, Sedgley CM (novembro de 2015). «Does Articaine Provide an Advantage over Lidocaine in Patients with Symptomatic Irreversible Pulpitis? A Systematic Review and Meta-analysis». Journal of Endodontics. 41 (11): 1784–1794. PMID 26293174. doi:10.1016/j.joen.2015.07.001
- ↑ Meechan, 2005
- ↑ Hass, et al., 1990
- ↑ Seltzer, 2004; Meechan, 2005
- ↑ a b «Sanofi: 40 Jahre Ultracain in der Lokalanästhesie». zm-online (em alemão). 19 de fevereiro de 2016. Consultado em 2 de agosto de 2021
- ↑ «O. Schmiedeberg-Plakette». dgpt-online.de. Consultado em 2 de agosto de 2021. Arquivado do original em 2 de agosto de 2021
- ↑ «Articain». roempp.thieme.de. Consultado em 2 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 3 de junho de 2020
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