Arte rupestre da Serra do Lenheiro
Arte rupestre na Serra do Lenheiro
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| Dados históricos | |
| Período/era | Pré-colonial (com possíveis sobreposições históricas) |
Arte rupestre na Serra do Lenheiro refere-se ao conjunto de **pinturas e gravuras rupestres** identificadas na Serra do Lenheiro, complexo serrano localizado no município de São João del-Rei, no estado de Minas Gerais, Brasil. Esses registros integram o patrimônio arqueológico regional e apresentam afinidades estilísticas com tradições rupestres documentadas no Brasil Central e Sudeste, notadamente a chamada Tradição Planalto.[1][2]
Contexto geográfico
A Serra do Lenheiro situa-se imediatamente a noroeste da área urbana de São João del-Rei, estendendo-se por áreas distritais adjacentes. Caracteriza-se pela presença de afloramentos quartzíticos, blocos rochosos isolados e abrigos naturais, elementos que oferecem suportes adequados à produção e preservação de manifestações rupestres.[1]
Tipologias e técnicas
Pinturas rupestres
As pinturas rupestres registradas na Serra do Lenheiro consistem em figuras executadas com pigmentos minerais, predominantemente em tonalidades avermelhadas associadas a óxidos de ferro. Os motivos observados incluem sinais geométricos e composições abstratas, com traços simples e recorrentes, características comumente associadas à Tradição Planalto em Minas Gerais.[2][3]
Gravuras rupestres
As gravuras rupestres diferenciam-se das pinturas por serem produzidas por raspagem ou entalhe direto da rocha, formando imagens em baixo-relevo. Parte desses registros pode ser classificada como itacoatiaras, termo utilizado para designar entalhes profundos em superfícies rochosas. A cronologia dessas gravuras é objeto de debate, exigindo análise contextual e estratigráfica para definição precisa.[4]
Cronologia e atribuição cultural
A maior parte da arte rupestre da Serra do Lenheiro é atribuída a populações indígenas pré-coloniais. Contudo, a longa ocupação histórica da região, intensificada a partir do século XVIII com a mineração aurífera, levanta a possibilidade de reutilização ou reinterpretação de alguns suportes rupestres em períodos históricos. A distinção entre registros pré-coloniais e eventuais inscrições históricas demanda estudos arqueológicos sistemáticos.[1][3]
Importância arqueológica
Os sítios rupestres da Serra do Lenheiro contribuem para a compreensão das dinâmicas de ocupação humana antiga na região das Vertentes, das práticas simbólicas de grupos indígenas e da relação entre paisagem, território e expressão gráfica. Inserem-se, ainda, no conceito de paisagem cultural, ao integrar elementos naturais, arqueológicos e históricos em um mesmo contexto territorial.[2]
Conservação e ameaças
Os registros rupestres da Serra do Lenheiro encontram-se sujeitos a processos de degradação natural, como intemperismo e erosão, bem como a pressões antrópicas, incluindo crescimento urbano, circulação desordenada de visitantes, incêndios florestais e vandalismo. Estudos técnicos recomendam a adoção de medidas de proteção legal, sinalização adequada, controle de acesso e ações de educação patrimonial.[1]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d Passarelli 2023.
- ↑ a b c Linke 2008.
- ↑ a b Justamand 2015.
- ↑ Cezar 2016.
Bibliografia
- Passarelli, Ulisses (2023). Dossiê Serra do Lenheiro – São João del-Rei / MG – Brasil. São João del-Rei: Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei
- Linke, Vanessa (2008). Paisagens dos sítios arqueológicos de pintura rupestre da região de Diamantina – MG (Doutorado). Universidade Federal de Minas Gerais
- Justamand, Michel (2015). «A arte rupestre em perspectiva histórica: métodos e interpretações». Revista de Arqueologia. 28 (2): 45–62
- Cezar, T. H. da Silva (2016). O sítio arqueológico das itacoatiaras do Rio Ingá: documentação e interpretação (Mestrado). Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional