Antonio Cavallucci
| Antonio Cavallucci | |
|---|---|
| Nascimento | 21 de agosto de 1752 |
| Morte | 18 de novembro de 1795 (43 anos) |
| Nacionalidade | Italiano |
Antonio Cavallucci (21 de agosto de 1752 – 18 de novembro de 1795) foi um pintor italiano do século XVIII, conhecido pelas suas obras de temática religiosa e pelos retratos.[1] Considerado um dos principais representantes do neoclassicismo em Roma, Cavallucci foi influenciado por Pompeo Batoni e Anton Raphael Mengs. A sua pintura revela também um certo espírito do norte da Europa, que começava a exercer influência em Roma no final do século XVIII.
Vida e Obra
Início de carreira

Cavallucci nasceu em Sermoneta, no Lácio. O seu talento artístico foi reconhecido muito cedo por Francesco Caetani, duque de Sermoneta (1738–1810). Em 1765, Caetani levou o jovem Cavallucci, então com 13 anos, para Roma, onde este se tornou aluno de Stefano Pozzi e, três anos mais tarde, de Gaetano Lapis.[2] Frequentou também aulas de desenho na Accademia di San Luca, entre cerca de 1769 e 1771.
A sua obra mais antiga remonta a meados da década de 1760 e consiste num friso a têmpera na Casa Cavallucci, em Sermoneta. O seu primeiro retrato conhecido foi o do seu protetor, o duque Francesco Caetani. Essa pintura é hoje conhecida apenas através de uma gravura realizada em 1772 por Pietro Leone Bombelli (1737–1809).
A sua primeira grande encomenda foi a decoração de cinco salas de audiência no Palazzo Caetani, em Roma, em 1776, onde pintou cenas mitológicas e alegorias adequadas a cada espaço. Três pinturas datadas de 1773 — Abigail diante de David (Roma, Palazzo Caetani), A partida de Heitor e Andrómaca (Roma, Galleria dell’Accademia Nazionale di San Luca) e A crucificação com os santos (Roma, Palazzo Corsini) — revelam um estilo académico equilibrado, uma modelação suave das formas e uma expressão delicada.
Maturidade

A obra mais significativa de Cavallucci para a família Caetani teve início em 1776, quando foi encarregado de decorar cinco salas de audiência no Palazzo Caetani, em Roma, com pinturas que representavam cenas mitológicas e alegorias familiares, adequadas ao tema de cada sala. O estilo confiante destas composições confirma a reputação de Cavallucci como um dos principais pintores neoclássicos de Roma no final do século XVIII, mas também revela uma tendência neobarroca na reinterpretação de modelos do século XVI, em especial daqueles inspirados em Rafael.
Durante a década de 1770 e o início da de 1780, Cavallucci continuou a dedicar-se ao retrato, destacando-se os de Francesco Caetani e da sua primeira esposa, Teresa Corsini, duquesa de Sermoneta (ambos de 1777; Roma, Palazzo Caetani). Em 1786, pintou A Apresentação da Virgem para a Catedral de Espoleto e foi admitido na Academia de São Lucas. A obra mais notável desse período foi A Origem da Música (1786–1787; Roma, Palazzo Caetani), cuja inspiração iconográfica foi retirada da Iconologia de Cesare Ripa (Roma, 1593).
Final de Carreira
Nos seus últimos anos, Cavallucci viajou com frequência por várias regiões de Itália, especialmente a partir de 1787, acompanhando o seu patrono, o cardeal Romoaldo Braschi-Onesti, sobrinho do papa Pio VI. Em Roma, recebeu diversas encomendas de membros da família Braschi, incluindo o próprio Pio VI, cujo retrato, tal como o de Romoaldo Braschi-Onesti, terá pintado por volta de 1788 (Tivoli, coleção particular Braschi Theodoli).
Em 1788, Cavallucci tornou-se membro da Academia da Arcádia e, nesse mesmo ano, foi também admitido na Pontifícia Academia de Belas Artes e Letras dos Virtuosos do Panteão. Em 1791, pintou A Investidura de Santa Bona para a Catedral de Pisa e, em 1793, encontrava-se em Nápoles, onde retratou o Príncipe do Belvedere (Nápoles, Museu de Capodimonte). Trabalhou ainda para o cardeal Francesco Saverio de Zelada, que colecionou diversas das suas obras e para quem, em 1793, decorou a Cappella del Carmelo na igreja titular do cardeal, Basílica de São Martinho nos Montes, em Roma, incluindo a pintura Elias no Monte Carmelo. Cavallucci faleceu em Roma em 1795. Entre os seus alunos destacam-se o pintor português Domingos Sequeira e os romanos Giovanni Micocca e Tommaso Sciacca. Foi professor na Academia Portuguesa de Belas-Artes de Roma.
Diz-se que Cavallucci pintou São Benedito José Labre enquanto o santo se encontrava em êxtase ou, de forma talvez mais plausível, tendo observado o santo nesse estado, conduziu-o ao seu estúdio e aí realizou o retrato.
Obras selecionadas
- Abigail diante de Davi (1773)
- Partida de Heitor e Andrômaca (1773)
- Crucificação com Santos (1773)
- Apresentação da Virgem (1786) na Catedral de Spoleto
- Tomás de Cori (levitação) (1786), Museu Eucarístico de Hieron, Paray-le-Monial, França
- Vênus com Ascânio, no Palazzo Cesarini em Roma
- Investidura de Santa Bona (1791), Catedral de Pisa
- Príncipe del Belvedere (1793), Gallerie di Capodimonte, Nápoles
- Santo Elias e o Purgatório (1793) S. Martino ai Monti, Roma
- Retábulo da Igreja de San Nicolò em Catânia, Sicília
- São Francisco anuncia o perdão ao povo na Capela de São Diego d'Alcalà, na Basílica de Santa Maria degli Angeli, em Assis.
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Caridade com três filhos, Viena, Museu de História da Arte -
Cabeça de anjo, Los Angeles, Museu de Arte do Condado de Los Angeles -
Retrato de São Bento José Labre, coleção particular -
Caridade Entristecida, Londres, National Trust -
Retrato de Luigi Braschi-Onesti (detalhe) -
A levitação de São Tomás de Cori (detalhe), Paray-le-Monial, Musée du Hiéron -
Cabeça de menino, Copenhague, Galeria Nacional da Dinamarca
Referências
- ↑ «Seubert, Johann Friedrich». Oxford University Press. Benezit Dictionary of Artists. 31 de outubro de 2011. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Quinterio, Francesco (2003). «Giovanni di Gherardo da Prato». Oxford University Press. Oxford Art Online. ISBN 978-1-884446-05-4. Consultado em 22 de outubro de 2025
Bibliografia
- Vinci, Giovanni Battista (1795). Elogio storico del celebre pittore Antonio Cavallucci di Sermoneta. Rome: Antonio Fulgoni. Consultado em 2 de julho de 2025
- Farquhar, Maria (1855). Ralph Nicholson Wornum, ed. Biographical catalogue of the principal Italian painters. London: Woodfall & Kinder
- Roettgen (1960–2020). «CAVALLUCCI, Antonio». Dizionario Biografico degli Italiani (em italiano). Roma: Istituto dell'Enciclopedia Italiana. OCLC 883370
- Turner, Jane, ed. (1996). Grove Dictionary of Art. [S.l.]: Macmillan Publishers. ISBN 1-884446-00-0
- Sperindei, Simona, ed. (2016). «Addenda all'opera di Antonio Cavallucci». Annali della Pontificia Insigne Accademia di Belle Arti e Lettere dei Virtuosi al Pantheon: 415–420
Links externos
- Cruciani, Alessandro (1931). «CAVALLUCCI, Antonio». Enciclopedia Italiana. Rome: Istituto dell'Enciclopedia Italiana. Consultado em 2 de julho de 2025